O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, nesta semana, um foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) do subtipo H5N1 em uma criação de subsistência no município de Antônio Prado, localizado na Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. A confirmação foi feita após análise do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de São Paulo. As autoridades sanitárias estaduais e federais já implementaram as medidas de contenção e vigilância necessárias para evitar a disseminação do vírus para outras propriedades e regiões do estado.
Detalhes do foco confirmado
O foco foi detectado após o proprietário notar sintomas neurológicos, respiratórios e alta mortalidade entre as aves. A propriedade foi imediatamente interditada pelo serviço veterinário oficial da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul. Cerca de 30 aves, entre galinhas, patos e gansos, foram sacrificadas de forma humanitária para conter o avanço do vírus.
Uma zona de proteção de 3 km e uma zona de vigilância de 10 km foram estabelecidas ao redor do foco. Todas as propriedades com aves dentro dessas áreas serão fiscalizadas e amostras serão coletadas para análise. A medida segue os protocolos internacionais da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e visa conter rapidamente qualquer possibilidade de disseminação viral.
Medidas oficiais e impacto nas exportações
O Mapa informou que as ações de vigilância ativa foram intensificadas em toda a região. A Defesa Agropecuária do RS está realizando buscas ativas em propriedades rurais, sítios e chácaras para identificar possíveis casos suspeitos. A notificação de qualquer ave doente ou morta é obrigatória e fundamental para o controle da doença.
No âmbito internacional, o Brasil, como maior exportador mundial de carne de frango, ativa protocolos sanitários que podem resultar em embargo temporário por parte de alguns países importadores. Embora o foco não tenha ocorrido em uma granja comercial, a transparência e a rapidez na comunicação à OMSA são cruciais para a defesa do status sanitário brasileiro e para a rápida retomada das exportações para mercados exigentes.
Cenário da gripe aviária no Brasil e no RS
Desde a primeira detecção do vírus H5N1 em aves silvestres no Brasil em maio de 2023, o país já confirmou dezenas de focos, principalmente em aves costeiras e de subsistência. O Rio Grande do Sul, por sua localização geográfica na rota de aves migratórias e por ser um dos principais polos avícolas do país, exige atenção redobrada.
Até o momento, o Brasil mantém o status de país livre de influenza aviária de alta patogenicidade em aves domésticas comerciais, o que significa que a doença não atingiu as granjas industriais. Isso se deve às rigorosas normas de biosseguridade adotadas pelo setor produtivo, que incluem desde a restrição de visitas até a desinfecção rigorosa de veículos e equipamentos.
Recomendações essenciais para produtores
Associações do setor avícola, como a Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs), emitiram notas técnicas reforçando a necessidade de elevar os padrões de biosseguridade neste momento.
As principais recomendações incluem:
- Restringir ao máximo as visitas a granjas e criatórios.
- Realizar a desinfecção rigorosa de veículos, equipamentos e calçados.
- Impedir o contato das aves domésticas com aves silvestres, telando os aviários e protegendo os comedouros e bebedouros.
- Isolar imediatamente qualquer ave que apresente sintomas respiratórios, neurológicos ou morte súbita.
- Comunicar qualquer suspeita ao serviço veterinário oficial mais próximo.
Segurança dos alimentos: carne e ovos são seguros
É fundamental esclarecer que a gripe aviária não é uma doença transmitida pelo consumo de carne de frango ou ovos devidamente cozidos. O vírus H5N1 é inativado pelo calor a partir de 70°C. Órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reiteram que não há risco sanitário associado ao consumo de produtos avícolas inspecionados.
O consumidor brasileiro pode continuar consumindo frango e ovos com tranquilidade, desde que os produtos tenham o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) ou equivalentes estaduais e municipais. A cadeia produtiva é fortemente fiscalizada e os lotes são testados antes de chegar ao mercado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a gripe aviária?
A gripe aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, causada pelo vírus Influenza A. O subtipo H5N1 é considerado de alta patogenicidade, pois causa doença grave e alta mortalidade nas aves.
Como o vírus é transmitido?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com aves infectadas, suas fezes, secreções ou equipamentos contaminados. Aves migratórias podem introduzir o vírus em novas regiões durante seus deslocamentos sazonais.
Quais os sintomas nas aves?
Os sintomas incluem: andar descoordenado (torcicolo), secreção nasal e ocular, dificuldade respiratória, inchaço na cabeça, crista e barbela, diarreia intensa e morte súbita sem sinais aparentes. A mortalidade pode chegar a 100% em criações não vacinadas.
A doença representa risco para os humanos?
O risco de transmissão para humanos é considerado baixo pelas autoridades de saúde. A infecção humana está geralmente associada ao contato direto e prolongado com aves doentes ou mortas, sem uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Não há evidências de transmissão sustentada de pessoa para pessoa e nenhum caso foi confirmado no Brasil até o momento.
O consumo de frango e ovos é seguro?
Sim, completamente seguro. O vírus é sensível ao calor e é inativado pelo cozimento adequado (acima de 70°C). A carne de frango e os ovos inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) podem ser consumidos sem riscos à saúde.
O que fazer em caso de suspeita?
Não manuseie aves doentes ou mortas sem proteção. Isole a área e comunique imediatamente o Serviço Veterinário Oficial do seu estado. No Rio Grande do Sul, o contato pode ser feito através da Secretaria da Agricultura (Seapi) ou da unidade local da Defesa Agropecuária. A notificação rápida é essencial para o sucesso do controle da doença.