Atleta aponta despreparo de turistas em trilha de vulcão na Indonésia

Um esportista brasileiro que explorou trilhas em vulcões na Indonésia relata a grave falta de preparo dos aventureiros e alerta para os riscos de se aventurar sem equipamento adequado e conhecimento do terreno. Montanhas como o Monte Agung (Bali), Monte Merapi (Java) e Monte Rinjani (Lombok) atraem milhares de turistas todos os anos, mas o que muitos não sabem é que essas caminhadas exigem planejamento sério e respeito à natureza imprevisível dos vulcões ativos. A experiência do atleta, compartilhada em suas redes sociais, gerou ampla repercussão e acendeu um debate sobre o turismo aventureiro no sudeste asiático.

Segundo ele, a cada temporada cresce o número de visitantes que subestimam a dificuldade das trilhas. “As pessoas veem fotos lindas no Instagram e acham que é um passeio qualquer. Não percebem que estão lidando com montanhas que podem entrar em erupção a qualquer momento”, afirmou. A Indonésia está no Círculo de Fogo do Pacífico, região com intensa atividade sísmica e vulcânica, o que torna a visitação ainda mais desafiadora.

Os perigos das trilhas em vulcões ativos

A Indonésia possui mais de 130 vulcões ativos, muitos deles abertos à visitação. Embora sejam destinos deslumbrantes, as trilhas oferecem riscos reais: erupções súbitas, emissão de gases tóxicos, mudanças climáticas bruscas e terrenos escorregadios. O atleta observou que muitos turistas iniciam a caminhada sem qualquer informação sobre a atividade vulcânica do dia, colocando a própria vida em perigo. Além disso, a infraestrutura de resgate é limitada, e acidentes podem se tornar graves rapidamente.

Os gases vulcânicos, como dióxido de enxofre (SO₂) e dióxido de carbono (CO₂), podem se acumular em áreas baixas e causar tontura, dificuldade respiratória e até perda de consciência. Em trilhas como a do Monte Ijen, em Java, a inalação de vapores sulfurosos é um risco constante. A variação térmica também é extrema: durante o dia o sol castiga, mas à noite a temperatura pode cair abaixo de 5°C, especialmente em altitudes acima de 2.500 metros. Muitos turistas não levam roupas adequadas e enfrentam hipotermia.

Equipamentos e preparo inadequados

Segundo o atleta, o despreparo começa antes mesmo da trilha. Ele viu pessoas usando chinelos, roupas leves e carregando apenas uma garrafinha de água para caminhadas que duram horas sob sol intenso ou frio extremo. "Falta conhecimento básico de montanhismo. Eles acham que é uma caminhada no parque", disse. Além disso, muitos não levam protetor solar, chapéu, agasalhos impermeáveis ou lanternas, itens essenciais para qualquer trilha em alta altitude.

Outros itens frequentemente negligenciados incluem mapa topográfico ou GPS, apito para sinalização, kit de primeiros socorros, cobertor térmico e carregador portátil para celular. “Em muitos trechos não há sinal de telefone. Perder o caminho pode ser fatal”, alerta o atleta. A falta de preparo não só coloca o turista em risco, mas também sobrecarrega as equipes de resgate locais, que muitas vezes operam com recursos escassos. Ele presenciou resgates demorados que poderiam ter sido evitados com medidas simples de segurança.

A experiência do atleta

O atleta, que pediu para ter o nome preservado, contou que já realizou diversas expedições ao redor do mundo. Na Indonésia, ficou impressionado com a quantidade de turistas despreparados. "Em uma das trilhas, encontrei um grupo com sandálias havaianas e sem água. Tive que compartilhar meu estoque. Isso é perigoso e irresponsável", relatou. Ele destaca que muitos ignoram as recomendações dos guias e tentam ultrapassar áreas isoladas, aumentando o risco de acidentes.

Em outra ocasião, durante a subida ao Monte Merapi, ele notou que vários turistas não tinham autorização de acesso, obrigatória para áreas de conservação. “Alguns acham que podem burlar as regras e entrar por caminhos alternativos. Isso além de ilegal, é extremamente perigoso porque essas rotas não são monitoradas”, explicou. Ele próprio já teve que auxiliar uma moça que passou mal por desidratação a poucos metros do cume, sem que houvesse um guia por perto para prestar socorro.

Planejamento e autorizações: o que você precisa saber

Antes de escolher o vulcão, é fundamental consultar os sites oficiais dos parques nacionais indonésios, como o Balai Besar Taman Nasional Gunung Rinjani, para verificar se há restrições de acesso, níveis de alerta vulcânico e exigências de guias credenciados. Muitas trilhas exigem registro prévio e pagamento de taxas de entrada. Ignorar esses procedimentos pode resultar em multas e, mais grave, em falta de assistência em caso de emergência.

O atleta recomenda ainda que turistas estrangeiros contratem seguros de viagem que cubram resgate em áreas remotas e transporte médico de emergência. “O custo de um resgate de helicóptero na Indonésia pode chegar a milhares de dólares. Um seguro adequado custa menos de R$ 100 e faz toda a diferença”, destaca.

Recomendações para uma aventura segura

  • Contratar um guia local credenciado – ele conhece o terreno, as condições do vulcão e os procedimentos de segurança. Na maioria dos parques, a presença do guia é obrigatória.
  • Verificar o nível de atividade vulcânica nos sites oficiais (PVMBG, BNPB) antes de iniciar a trilha. Nunca subestime um alerta vermelho.
  • Levar calçados adequados (botas de trilha), roupas em camadas, impermeável, lanterna com pilhas extras, água (pelo menos 2 litros) e alimentos energéticos (castanhas, barras de cereal, frutas secas).
  • Protetor solar, óculos escuros e máscara para cinzas – em caso de vento, as partículas podem causar irritação nos olhos e vias respiratórias.
  • Seguro de viagem com cobertura para esportes de aventura e resgate em montanha. Verifique se a apólice cote helicóptero e repatriação.
  • Respeitar os limites – não ultrapassar áreas isoladas, seguir as instruções dos guias e não se afastar do grupo. Leve um apito para sinalização.
  • Informar alguém sobre seu roteiro – deixe o plano de trilha com o hotel ou com um contato de confiança. Em caso de atraso, essa pessoa pode acionar o resgate.

Perguntas frequentes sobre trilhas em vulcões na Indonésia

Precisa de guia obrigatório?
Em muitos parques nacionais (Rinjani, Merapi, Bromo, Ijen) a contratação de guia é obrigatória. Mesmo onde não é, é altamente recomendado para segurança.
Qual a melhor época para fazer as trilhas?
A estação seca (abril a outubro) oferece condições mais estáveis e menor probabilidade de chuvas intensas, que tornam as trilhas escorregadias e perigosas.
É seguro visitar vulcões ativos?
Sim, desde que respeitadas as zonas de segurança estabelecidas, as orientações das autoridades locais e com monitoramento constante da atividade vulcânica.
Que tipo de preparo físico é necessário?
As trilhas podem ter longa duração (4 a 10 horas) e desnível significativo (muitas vezes acima de 1.500 metros de ganho de elevação). É recomendável ter boa capacidade cardiovascular e experiência prévia em montanhismo.
Quanto custa um guia local?
O valor varia conforme o destino e a duração: em média, de US$ 20 a US$ 50 por dia para grupos de até quatro pessoas. Alguns parques oferecem guias oficiais com preço fixo.
Preciso de vacinas ou cuidados especiais?
Além das vacinas recomendadas para a Indonésia (febre amarela, hepatite A, tétano), leve repelente e esteja atento à hidratação. Em altitudes elevadas, o risco de mal de altitude é baixo nos vulcões indonésios (máximo ~3.700 m), mas pode ocorrer sensibilidade em pessoas predispostas.

A aventura em meio à natureza é enriquecedora, mas exige respeito e preparo. O alerta do atleta serve como lembrete para que todos possam desfrutar das belezas da Indonésia com segurança e responsabilidade. Conhecimento, equipamento certo e humildade diante da montanha são os melhores companheiros de viagem.