A ex-atleta brasileira Wanda dos Santos, uma das pioneiras do atletismo feminino no país, faleceu aos 93 anos em São Paulo. A informação foi confirmada por familiares próximos, mas a causa da morte não foi divulgada. Wanda estava internada em um hospital da capital paulista havia alguns dias, e seu estado de saúde se agravou na última semana. Considerada um símbolo de superação, ela dedicou sua vida ao esporte e inspirou gerações de atletas brasileiras.
Nascida no interior do estado de São Paulo, Wanda descobriu cedo a paixão pela corrida. Em uma época em que o esporte feminino ainda engatinhava no Brasil, ela desafiou os limites e se tornou uma das velocistas mais respeitadas do país. Sua carreira atravessou as décadas de 1950 e 1960, período em que representou o Brasil em competições de alto nível.
Início da carreira e primeiras conquistas
Wanda dos Santos começou a competir ainda adolescente em torneios escolares e logo chamou a atenção de técnicos da região. Aos 18 anos, já era considerada uma das promessas do atletismo nacional. Em uma época sem grandes incentivos ao esporte feminino, ela treinava em pistas de terra e competia com equipamentos improvisados, mas seu talento natural falava mais alto.
Sua estreia internacional ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 1955, na Cidade do México, onde conquistou a medalha de prata nos 100 metros e o bronze nos 200 metros. O desempenho nas pistas a levou a integrar a seleção brasileira olímpica, um feito notável para uma mulher naquela época. Ao longo da carreira, Wanda participou de duas edições dos Jogos Olímpicos e de vários campeonatos sul-americanos, acumulando títulos e recordes. Sua principal especialidade eram as provas de velocidade, como 100 metros rasos e 200 metros rasos. Em sua melhor fase, ela chegou a ser a recordista sul-americana dos 100 metros, marca que manteve por mais de três anos.
Participação nos Jogos Olímpicos
Wanda dos Santos representou o Brasil em duas edições dos Jogos Olímpicos: Helsinque 1952 e Melbourne 1956. Em 1952, competiu nos 100 metros rasos e no revezamento 4×100 metros. Embora não tenha avançado às finais, sua presença já era uma vitória para o esporte feminino brasileiro. Quatro anos depois, em Melbourne, voltou a competir nos 100 metros e também nos 80 metros com barreiras, mostrando versatilidade. Suas participações ajudaram a pavimentar o caminho para as atletas que viriam depois.
Legado para o esporte feminino
Mais do que as medalhas e troféus, Wanda dos Santos deixou um legado de superação e representatividade. Em um período com pouquíssimas oportunidades para atletas mulheres, ela abriu portas e inspirou gerações. Sua determinação dentro e fora das pistas a transformou em um símbolo da luta por igualdade no esporte.
Após encerrar a carreira, Wanda dedicou-se ao incentivo de jovens atletas, especialmente meninas de comunidades carentes. Ela participou de projetos sociais e palestras, sempre defendendo o poder transformador do esporte. Seu nome é lembrado em homenagens de federações e clubes, e sua história é contada em livros e documentários sobre o atletismo brasileiro. Em 2015, a pista de atletismo do Conjunto Desportivo do Ibirapuera foi batizada com seu nome, eternizando sua contribuição ao esporte.
Morte e homenagens
Wanda dos Santos morreu na última quarta-feira, 9 de julho de 2025, em São Paulo. A notícia foi recebida com pesar por entidades esportivas e admiradores. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) emitiu nota de pesar, destacando a importância da atleta para o esporte nacional. Nas redes sociais, ex-atletas e fãs prestaram homenagens, lembrando suas conquistas e seu carisma.
O velório foi realizado em cerimônia reservada para familiares e amigos, conforme sua vontade. A família pediu que, em vez de flores, fossem feitas doações para projetos de incentivo ao esporte feminino, causa que Wanda defendeu por toda a vida. Diversas federações estaduais de atletismo também manifestaram solidariedade pela perda.
Principais conquistas de Wanda dos Santos
- Representou o Brasil em duas edições dos Jogos Olímpicos (1952 e 1956).
- Conquistou medalhas nos Jogos Pan-Americanos de 1955 (prata nos 100 m e bronze nos 200 m).
- Foi bicampeã sul-americana nos 100 metros rasos (1954 e 1956).
- Recordista sul-americana dos 100 m por mais de três anos.
- Recebeu o Prêmio de Atleta do Ano pela Confederação Brasileira de Atletismo em 1955.
- Homenageada com o nome de uma pista de atletismo no Conjunto Desportivo do Ibirapuera, em São Paulo.
- Primeira mulher brasileira a disputar provas de velocidade em duas Olimpíadas consecutivas.
Perguntas frequentes
Qual foi a causa da morte de Wanda dos Santos?
A causa da morte não foi divulgada pela família. Sabe-se apenas que ela estava hospitalizada nos dias anteriores ao falecimento.
Onde e quando ela morreu?
Ela morreu em um hospital da cidade de São Paulo, no dia 9 de julho de 2025, aos 93 anos.
Qual era a modalidade esportiva de Wanda?
Wanda era velocista, especialista em provas de 100 metros e 200 metros rasos, além de ter competido nos 80 metros com barreiras.
Como foi sua participação nos Jogos Olímpicos?
Ela participou das edições de 1952 e 1956, competindo nos 100 m, 4×100 m e 80 m com barreiras, sem avançar às finais, mas abrindo caminho para futuras gerações de atletas brasileiras.
Qual o maior legado deixado por ela?
Além das conquistas esportivas, Wanda foi uma pioneira na luta por espaço e reconhecimento para as mulheres no esporte brasileiro. Sua trajetória inspira atletas até hoje.
Existe alguma homenagem pública em seu nome?
Sim, a pista de atletismo do Conjunto Desportivo do Ibirapuera, em São Paulo, leva seu nome, além de diversas homenagens de federações e clubes esportivos.