BC publica regras para evitar fraudes por empresas no Pix automático

O Banco Central do Brasil (BC) publicou nesta semana um conjunto de novas regras destinadas a coibir fraudes cometidas por empresas que utilizam o Pix Automático, modalidade de pagamento recorrente que permite débitos automáticos autorizados. As medidas estabelecem requisitos mais rigorosos de segurança, limites de transação e mecanismos de monitoramento, com o objetivo de proteger os consumidores e garantir a integridade do sistema de pagamentos instantâneos.

O que é o Pix Automático?

Lançado em 2021, o Pix Automático é uma funcionalidade que permite a empresas e prestadores de serviços realizar cobranças recorrentes com autorização prévia do cliente, sem necessidade de aprovação manual a cada transação. É amplamente utilizado para assinaturas de serviços, mensalidades, planos de saúde, academias e outros pagamentos periódicos. A comodidade, porém, também abriu espaço para abusos: empresas passaram a cobrar valores não autorizados, aumentar o valor das parcelas sem aviso ou dificultar o cancelamento, gerando prejuízos aos consumidores.

Principais mudanças nas regras

Diante do aumento de reclamações, o BC editou novas normas que devem ser seguidas por todas as empresas habilitadas a cobrar via Pix Automático. Entre as principais determinações, destacam-se:

  • Limites de transação: cada cobrança individual terá um valor máximo definido pelo BC, e o total diário por cliente também será limitado. Valores acima do limite exigirão autorização expressa do pagador a cada transação.
  • Notificação em tempo real: as empresas deverão enviar uma notificação imediata ao cliente sempre que uma cobrança for realizada, informando valor, data e identificação do beneficiário. O cliente poderá contestar a cobrança em até 30 minutos.
  • Autenticação adicional: para transações acima de determinado patamar, será obrigatória a confirmação por meio de token, biometria ou outro fator de autenticação forte, a critério do banco emissor.
  • Registro centralizado: todas as transações deverão ser registradas em plataforma de monitoramento do BC, permitindo rastreamento e auditoria em tempo real.
  • Renovação periódica de consentimento: as autorizações concedidas pelos clientes terão validade máxima de 12 meses, sendo necessária renovação expressa após esse período.

Como as empresas devem se adaptar

As empresas que operam com Pix Automático terão um prazo de 180 dias para se adequar às novas exigências. Entre as providências necessárias estão:

  • Revisar os sistemas de cobrança para implementar os limites e notificações obrigatórias;
  • Integrar APIs de segurança fornecidas pelos bancos para autenticação adicional;
  • Treinar equipes de atendimento para lidar com contestações e cancelamentos;
  • Estabelecer canais de comunicação claros com os clientes para informar sobre as cobranças e garantir a transparência.

O BC poderá realizar auditorias e aplicar sanções em caso de descumprimento, que vão desde advertências até a exclusão definitiva do sistema Pix Automático.

Impacto para os consumidores

Para o usuário final, as novas regras trazem benefícios significativos. O principal é o controle: o cliente será avisado de cada cobrança e poderá bloquear qualquer transação que considere indevida. Além disso, os limites de valor e a exigência de autenticação adicional dificultam a ação de fraudadores. A expectativa é que o número de reclamações relacionadas a cobranças indevidas no Pix Automático caia drasticamente.

Outra vantagem é a facilidade para cancelar autorizações: bastará acessar o aplicativo do banco e revogar o consentimento a qualquer momento, sem precisar contatar a empresa.

Fiscalização e penalidades

O Banco Central será o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento das regras. As penalidades previstas incluem multas diárias, suspensão temporária da habilitação para usar o Pix Automático e, em casos graves, a exclusão definitiva da empresa do sistema de pagamentos instantâneos. O BC também poderá exigir a devolução de valores cobrados indevidamente, com juros e correção monetária.

Segundo a autoridade monetária, a medida busca equilibrar a inovação financeira com a proteção do consumidor, garantindo que o Pix Automático continue sendo um instrumento seguro e confiável.

Perguntas Frequentes

O que fazer se uma empresa cobrar sem minha autorização?

Entre em contato imediatamente com o seu banco para contestar a cobrança. O banco tem 24 horas para devolver o valor se a transação não tiver sido autorizada. Você também pode registrar reclamação no site do Banco Central ou na plataforma consumidor.gov.br.

Os limites de transação valem para todos os clientes?

O BC definirá limites máximos gerais, mas os bancos podem estabelecer limites menores de acordo com o perfil de risco de cada cliente. As empresas também podem optar por limites mais restritivos.

Quando as novas regras entram em vigor?

As regras já foram publicadas no Diário Oficial da União e entram em vigor 30 dias após a publicação. O prazo de adequação para as empresas é de 180 dias a partir da vigência.

Preciso renovar minhas autorizações atuais?

Sim. Todas as autorizações de Pix Automático existentes deverão ser renovadas pelos clientes dentro de 12 meses após a vigência das novas regras. As empresas são obrigadas a solicitar a renovação de forma clara.

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