Bolsonaro nega à PF contato com governo Trump para buscar sanções

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) e negou categoricamente que tenha mantido qualquer tipo de contato com integrantes do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de buscar sanções internacionais contra o Brasil ou contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram divulgadas pela defesa do ex-presidente após o depoimento.

A investigação, conduzida pela PF no âmbito do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, busca esclarecer se houve articulação internacional para deslegitimar o resultado das eleições presidenciais de 2022. A suspeita é de que aliados de Bolsonaro teriam buscado apoio em Washington para criar constrangimento diplomático ao governo Lula, logo após a vitória eleitoral.

Segundo a defesa do ex-presidente, não há qualquer prova de que ele tenha solicitado sanções econômicas ou políticas contra o país. "O ex-presidente jamais pediu sanção contra o Brasil. Pelo contrário, sempre defendeu a soberania nacional e o diálogo entre as nações. As acusações são infundadas e fazem parte de uma narrativa para criminalizar a atuação política de Jair Bolsonaro", afirmaram seus advogados em nota oficial.

Em seu depoimento, que durou cerca de quatro horas, Bolsonaro afirmou que suas conversas com lideranças internacionais sempre ocorreram dentro da normalidade diplomática e que jamais tratou de sanções contra o Brasil. Ele também negou ter conhecimento de qualquer plano de militares ou civis para executar um golpe de Estado ou interferir no resultado das eleições.

A linha de investigação surgiu a partir de mensagens e delações que sugeriam que aliados de Bolsonaro teriam buscado apoio em Washington para criar constrangimento diplomático ao governo Lula, logo após a vitória eleitoral. A suspeita é que houvesse um plano para impedir a posse do presidente eleito, o que foi negado veementemente pelo ex-presidente.

O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a oitiva do ex-presidente como parte das diligências para esclarecer os fatos. A expectativa é que, com o depoimento, a PF possa avançar na análise dos elementos colhidos ao longo da investigação, como mensagens de aplicativos, documentos apreendidos e o depoimento de testemunhas.

A defesa de Bolsonaro confia na Justiça e acredita que as investigações provarão que não houve qualquer tentativa de atentar contra a democracia brasileira ou de buscar interferência externa. O depoimento foi acompanhado por seus advogados, que afirmaram que o ex-presidente colaborou com as investigações e respondeu a todas as perguntas formuladas pelos delegados.

A relação entre Bolsonaro e Trump foi marcada por alinhamento ideológico durante os mandatos de ambos. Desde 2023, com a volta de Lula ao poder e a eleição de Joe Biden nos EUA, a dinâmica entre os países mudou, mas a investigação segue seu curso para apurar responsabilidades. Agora, a Polícia Federal deve analisar as declarações do ex-presidente e confrontá-las com as provas já colhidas.