Em meio à escalada tarifária entre Estados Unidos e Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (11) que o país possui medidas de retaliação preparadas, mas que elas foram desenhadas para não gerar impacto relevante na inflação doméstica. A declaração foi dada durante entrevista coletiva após reunião do Conselho Monetário Nacional.
Na última segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre diversas exportações brasileiras, incluindo aço, alumínio, café e suco de laranja. A medida foi justificada pela Casa Branca como uma resposta a supostas barreiras comerciais brasileiras. O governo brasileiro classificou a ação como injustificada e anunciou que estudaria contramedidas.
O que disse Haddad
O ministro da Fazenda afirmou que o Brasil não vai se curvar a ameaças comerciais, mas agirá com responsabilidade fiscal. "Temos medidas preparadas, mas estamos monitorando a situação. Nossa prioridade é proteger a economia sem gerar inflação", declarou Haddad. Ele destacou que as retaliações serão proporcionais e focadas em setores onde o impacto sobre os preços ao consumidor é limitado.
Segundo Haddad, o governo está avaliando uma lista de produtos americanos que poderiam ser sobretaxados, como milho, soja, carne de frango, produtos químicos e veículos. No entanto, a equipe econômica está evitando itens com alto peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como alimentos básicos e combustíveis.
Impacto na inflação
O ministro garantiu que as medidas não devem comprometer a meta de inflação do Banco Central, que atualmente persegue o centro de 3% ao ano. "Nós calibramos as alíquotas para que o efeito seja mínimo. O câmbio flutuante e a política monetária já estão funcionando como amortecedores", explicou.
Economistas consultados concordam que a estratégia do governo é acertada. "Se o Brasil retaliar de forma indiscriminada, poderia gerar inflação importada e prejudicar o consumo das famílias. Ao mirar setores com baixa representatividade no IPCA, o governo evita esse risco", avaliou um economista-chefe de uma consultoria independente.
Possíveis setores retaliados
- Agronegócio: milho, soja, algodão e carne de frango — produtos com grande oferta de outros fornecedores no mercado internacional, o que reduz o impacto nos preços domésticos.
- Indústria química: fertilizantes e defensivos agrícolas — itens essenciais para o agronegócio, mas cuja substituição por fontes alternativas é viável no curto prazo.
- Veículos e máquinas: automóveis de luxo e equipamentos industriais — segmentos com peso pequeno no IPCA e cujo encarecimento pode ser absorvido sem grande repercussão.
Reação do mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela às declarações de Haddad. O dólar fechou o dia cotado a R$ 5,54, em alta de 0,8%, enquanto a bolsa de valores registrou leve queda. Analistas avaliam que a sinalização de retaliação controlada foi bem recebida, pois reduz o risco de uma guerra comercial ampla que afetaria negativamente o crescimento econômico brasileiro.
Perguntas frequentes sobre a retaliação brasileira
- O Brasil vai retaliar os EUA? Sim, o governo prepara medidas proporcionais, mas ainda não definiu o cronograma. Haddad afirmou que a decisão será tomada nas próximas semanas, dependendo das negociações.
- A retaliação pode aumentar a inflação? O governo afirma que não, pois as medidas serão aplicadas em setores de baixo impacto no IPCA. Especialistas concordam, desde que não haja escalada.
- Quais produtos brasileiros foram taxados pelos EUA? Os EUA impuseram tarifa de 50% sobre aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol brasileiros. A lista pode ser ampliada.
- Como o consumidor brasileiro será afetado? Se a retaliação for contida, o impacto será pequeno. Produtos como milho e soja são insumos para ração animal, o que pode pressionar carnes, mas o governo diz que o efeito será limitado.
- O Brasil pode recorrer a organismos internacionais? Sim, o governo já sinalizou que pode acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas americanas. No entanto, Haddad preferiu priorizar a negociação direta com os EUA.
Próximos passos
O Ministério da Fazenda aguarda a evolução das conversas entre Brasil e Estados Unidos para definir a implementação das retaliações. Enquanto isso, o governo mantém uma equipe técnica dedicada a monitorar os impactos setoriais e o comportamento da inflação. Haddad afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não abrirá mão de defender seus interesses comerciais e sua soberania econômica.
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