A Secretaria da Agricultura do Ceará confirmou nesta semana a detecção de um foco de gripe aviária (influenza aviária de alta patogenicidade) em uma criação doméstica de aves no interior do estado. Amostras coletadas de galinhas e patos criados em sistema de subsistência testaram positivo para o subtipo H5N1, o mesmo que tem circulado em diversas regiões do Brasil desde 2023.
As autoridades sanitárias estaduais e federais já ativaram o plano de contingência para conter o surto. A área onde o foco foi identificado foi interditada, e as aves doentes foram sacrificadas para evitar a propagação do vírus. Equipes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adapec) estão realizando vigilância ativa em um raio de 10 quilômetros ao redor da propriedade.
O que é a gripe aviária?
A influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. O vírus H5N1 é um dos subtipos mais preocupantes, pois pode causar mortalidade elevada em plantéis e, em raras ocasiões, infectar mamíferos, inclusive seres humanos. A transmissão entre aves ocorre por contato direto com secreções respiratórias, fezes ou ração contaminada.
No Brasil, desde a primeira notificação em aves silvestres em 2023, o país tem adotado medidas rigorosas de vigilância. Até o momento, a maioria dos focos foi registrada em aves silvestres e em criações de subsistência, sem comprometer o status sanitário da avicultura industrial brasileira.
Detalhes do foco no Ceará
De acordo com a Adapec, o foco foi detectado em uma pequena criação doméstica localizada em uma comunidade rural do município de Quixeramobim, no Sertão Central cearense. O criador notou que algumas aves apresentavam sintomas como apatia, falta de apetite, inchaço na cabeça e morte súbita. Imediatamente, ele acionou o serviço veterinário oficial, que colheu amostras e enviou ao laboratório de referência do Ministério da Agricultura.
O resultado positivo chegou no último sábado (5). As autoridades estaduais determinaram o sacrifício sanitário de todas as aves da propriedade – cerca de 40 animais – e a desinfecção completa do local. Também foi proibida a circulação de aves vivas, ovos férteis e produtos de origem avícola provenientes de um raio de 3 km, por pelo menos 21 dias.
Medidas de controle adotadas
O Governo do Ceará, em articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária, implementou as seguintes ações:
- Interdição da propriedade – acesso restrito a pessoas e veículos não autorizados.
- Sacrifício sanitário – eliminação controlada de todas as aves da criação infectada.
- Desinfecção e vazio sanitário – limpeza rigorosa dos galpões e áreas externas, com período de vazio mínimo de 21 dias.
- Vigilância intensificada – equipes percorrem propriedades num raio de 10 km para identificar aves com sintomas e coletar amostras.
- Campanha de conscientização – orientação a criadores domésticos sobre sinais da doença e formas de notificação.
Impacto na avicultura e na economia local
O Ceará possui um rebanho de aves estimado em mais de 50 milhões de cabeças, com destaque para a avicultura de corte e postura nas regiões do Cariri e Jaguaribe. Embora o foco tenha sido em uma criação de subsistência, a notificação acende um alerta para os produtores comerciais. A Associação Cearense de Avicultura (ACAV) emitiu nota recomendando que os avicultores reforcem as medidas de biosseguridade e evitem o contato de suas aves com aves silvestres.
Até o momento, não há restrições oficiais à comercialização de frango e ovos produzidos no estado. O Ministério da Agricultura reforça que o consumo de produtos avícolas inspecionados e bem cozidos não oferece risco de transmissão da gripe aviária para humanos.
Recomendações para criadores domésticos
Para evitar novos focos, as orientações das autoridades sanitárias incluem:
- Mantenha as aves confinadas em áreas teladas, sem contato com aves silvestres.
- Forneça água e ração em recipientes limpos e protegidos.
- Não introduza aves de origem desconhecida no plantel.
- Lave as mãos e troque de roupa e calçados após manusear as aves.
- Comunique imediatamente ao serviço veterinário qualquer suspeita de doença (aves com sintomas respiratórios, neurológicos ou morte súbita).
O número de WhatsApp da Adapec para notificações é (85) 98965-4321. A ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas.
Riscos para a saúde humana
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o H5N1 como um vírus de potencial pandêmico, mas a transmissão para humanos continua sendo um evento raro. A maioria dos casos registrados no mundo esteve associada ao contato direto com aves doentes ou mortas, sem evidência de transmissão sustentada entre pessoas.
No Brasil, nenhum caso humano de gripe aviária foi confirmado até o fechamento desta edição. A Secretaria da Saúde do Ceará mantém equipes de vigilância epidemiológica em alerta para identificar precocemente qualquer síndrome gripal atípica em moradores da região do foco.
Perguntas frequentes sobre gripe aviária
- É seguro comer frango e ovos? Sim. O consumo de carne de frango e ovos devidamente cozidos não transmite a doença. O vírus é inativado pelo calor (acima de 70°C).
- A gripe aviária pode virar uma pandemia? O risco é baixo enquanto o vírus não adquirir a capacidade de se espalhar facilmente entre humanos. As autoridades monitoram constantemente as mutações virais.
- O que fazer se eu encontrar uma ave silvestre morta? Não toque no animal. Acione o órgão ambiental local ou a Adapec para recolhimento e análise.
- Há vacina para aves contra a gripe aviária? No Brasil, a vacinação não é utilizada como medida de rotina. O controle se baseia na vigilância, sacrifício sanitário e biosseguridade.
- Meu quintal está a menos de 10 km do foco. O que devo fazer? Siga as recomendações de confinamento e notifique qualquer sintoma suspeito. As equipes de vigilância entrarão em contato.
A situação do foco de gripe aviária no Ceará segue sendo monitorada diariamente. A Zoom News continuará acompanhando o desenrolar das ações e trará novas informações assim que estiverem disponíveis.