A cesta básica nacional apresentou redução de preços em 11 das 17 capitais brasileiras monitoradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no levantamento mais recente. O resultado representa um alívio para o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda, e reflete uma combinação de fatores positivos na produção de alimentos e no câmbio.
O que é a cesta básica e como o Dieese a calcula?
A cesta básica de alimentos é um conjunto de produtos essenciais para a subsistência de um trabalhador adulto, definido pelo Decreto-Lei nº 399/1938. O Dieese atualiza periodicamente a composição para refletir o consumo real da população. Atualmente, são 13 itens: carne bovina (dianteiro), leite integral, feijão carioquinha, arroz agulhinha, farinha de trigo, pão francês, café em pó, açúcar cristal, óleo de soja, manteiga, tomate, banana prata e batata inglesa. O órgão realiza a coleta mensalmente em 17 capitais brasileiras, abrangendo todas as regiões.
Resultados da pesquisa: queda disseminada
No mês de referência, 11 capitais registraram diminuição no valor total da cesta. As quedas foram puxadas por itens de grande peso, como carnes, leite e grãos. Capitais das regiões Norte e Nordeste apresentaram os percentuais de redução mais expressivos, enquanto no Sul os valores permaneceram estáveis ou com leve alta em algumas praças. O Dieese destaca que a cesta básica mais cara continua sendo a de São Paulo, mas a maior queda relativa ocorreu em capitais como Salvador e Recife.
Principais fatores para a redução dos preços
- Safra recorde de grãos: a produção de soja, milho e arroz atingiu níveis históricos, barateando as matérias-primas para ração animal e alimentos processados.
- Câmbio favorável: a valorização do real frente ao dólar reduziu os custos de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas.
- Recuperação dos rebanhos: a oferta elevada de carne bovina e suína no mercado interno pressionou os preços para baixo.
- Medidas fiscais estaduais: a redução do ICMS sobre alimentos em vários estados contribuiu para o barateamento de itens como leite, pão e café.
- Logística e distribuição: a melhoria na infraestrutura de transporte e a redução do custo do diesel também ajudaram a diminuir os custos de distribuição.
Impacto no orçamento familiar
Com a queda do custo da cesta básica, as famílias de baixa renda conseguem liberar recursos para outras despesas essenciais, como transporte, saúde e educação. O Dieese utiliza o valor da cesta como referência para calcular o salário mínimo necessário: em junho, o valor médio da cesta representava cerca de 48% do salário mínimo líquido, percentual que tende a cair com a redução dos preços. Esse indicador é fundamental para a formulação de políticas públicas de valorização do salário mínimo e de segurança alimentar.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas do setor avaliam que a tendência de queda deve se manter no curto prazo, sustentada pela continuidade da safra de grãos e pela estabilidade cambial. No entanto, riscos climáticos — como o fenômeno La Niña — e a volatilidade dos preços internacionais de commodities podem reverter o cenário. O Dieese seguirá monitorando a evolução dos preços e divulgando os dados mensalmente, permitindo que governos e sociedade civil acompanhem a evolução do custo de vida.
Composição atual da cesta básica (13 itens)
- Carne bovina (dianteiro)
- Leite integral
- Feijão carioquinha
- Arroz agulhinha
- Farinha de trigo
- Pão francês
- Café em pó
- Açúcar cristal
- Óleo de soja
- Manteiga
- Tomate
- Banana prata
- Batata inglesa