O comércio varejista do estado de São Paulo registrou um saldo negativo de 3 mil vagas de emprego formal no mês de março, de acordo com levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP). O resultado interrompe uma sequência de saldos positivos observados nos meses anteriores e acende um alerta para o setor.
Segundo a entidade, o fechamento líquido de postos de trabalho foi puxado principalmente por segmentos como lojas de departamentos, vestuário, calçados e material de construção. O desempenho negativo ocorre em meio a um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e endividamento das famílias, fatores que reduziram o ritmo de consumo no início do ano.
O que revela o levantamento
O estudo da FecomércioSP leva em conta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e aponta que, em março, foram fechadas 3.012 vagas formais no comércio paulista. O número considera as admissões e desligamentos realizados no período. O resultado contrasta com fevereiro, quando o saldo foi positivo em 1.500 vagas.
- Saldo negativo de 3.012 vagas em março;
- Queda concentrada em lojas de departamentos, vestuário e calçados;
- Região metropolitana de São Paulo responde por mais da metade das demissões;
- Acumulado do primeiro trimestre ainda positivo, mas com forte desaceleração.
Fatores que contribuíram para o saldo negativo
Especialistas apontam que o fechamento de vagas reflete um conjunto de fatores macroeconômicos. A taxa Selic mantida em patamar elevado encarece o crédito e desestimula investimentos dos lojistas. Além disso, o endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis elevados, comprometendo a renda disponível para o consumo de bens não essenciais.
Outro fator sazonal é o ajuste natural após as contratações temporárias do fim de ano. Muitos trabalhadores admitidos em novembro e dezembro são desligados nos primeiros meses do ano, o que pressiona o saldo de empregos. Contudo, a magnitude do fechamento em março surpreendeu, indicando que fatores estruturais também estão em jogo.
Setores mais impactados
O segmento de lojas de departamentos foi o que mais contribuiu para o saldo negativo, com fechamento de aproximadamente 800 vagas. O comércio de vestuário e calçados aparece em seguida, com perda de cerca de 600 postos. O setor de material de construção, que vinha crescendo nos últimos meses, também registrou saldo negativo, refletindo a desaceleração do mercado imobiliário e a alta dos juros.
Por outro lado, alguns subsetores conseguiram manter saldo positivo, como o comércio de alimentos e bebidas, que ainda se beneficia do consumo essencial. Farmácias e perfumarias também apresentaram leve alta nas contratações.
Contexto regional
A região metropolitana de São Paulo concentrou mais da metade das demissões líquidas do estado. A capital paulista e os municípios do ABC paulista registraram as maiores quedas. No interior, cidades de médio porte como Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos tiveram desempenho misto: algumas mantiveram saldo positivo, outras acompanharam a retração.
Segundo a FecomércioSP, o interior do estado tem mostrado resiliência em setores ligados ao agronegócio, mas o comércio local também sente os efeitos do aperto econômico.
Perspectivas para os próximos meses
A expectativa para o segundo trimestre é de recuperação parcial, impulsionada por datas sazonais como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, que geram contratações temporárias. No entanto, a tendência de longo prazo depende da evolução da política monetária e do nível de confiança do consumidor.
Economistas ouvidos pelo Zoom News avaliam que o comércio paulista deve enfrentar um ano desafiador, com crescimento moderado das vendas e geração de empregos abaixo do potencial. A redução da taxa Selic, caso ocorra no segundo semestre, poderia aliviar as condições de crédito e estimular novos investimentos.
Perguntas Frequentes
O que diz o relatório da FecomércioSP?
O relatório aponta que o comércio paulista fechou 3.012 vagas formais em março de 2025, com destaque para os segmentos de departamentos, vestuário e calçados. Os dados são baseados no CAGED.
Quais setores foram mais afetados?
Os setores mais afetados foram lojas de departamentos, vestuário e calçados, e material de construção. Já alimentos e bebidas e farmácias mantiveram saldo positivo.
O que esperar para o emprego no comércio nos próximos meses?
A expectativa é de recuperação sazonal no segundo trimestre, mas o cenário macroeconômico ainda impõe riscos. A redução dos juros pode melhorar as condições de crédito e aquecer o setor.
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