Consumo de IA no Paraguai faz Itaipu estudar construção de 2 turbinas

O acelerado crescimento da demanda energética por data centers voltados à inteligência artificial (IA) no Paraguai levou a Itaipu Binacional a iniciar estudos de viabilidade para a construção de duas novas turbinas em sua usina hidrelétrica, uma das maiores do mundo. A informação foi confirmada por fontes do setor elétrico paraguaio, que apontam para um salto significativo no consumo de energia no país nos próximos anos.

O avanço da inteligência artificial e o impacto energético

A corrida global pela inteligência artificial generativa tem um custo energético elevado. Modelos de linguagem de grande escala, como o GPT-4 e seus concorrentes, exigem data centers com milhares de processadores gráficos (GPUs) funcionando 24 horas por dia. Esse processo consome uma quantidade colossal de eletricidade, tanto para alimentar os servidores quanto para resfriar as instalações.

Estimativas internacionais indicam que o consumo de energia de data centers pode dobrar até 2026, impulsionado pela IA. Países que oferecem energia abundante, limpa e com preços competitivos, como o Paraguai, tornam-se naturalmente alvos desse investimento bilionário.

Paraguai: um polo emergente de data centers na América do Sul

O Paraguai vem se destacando como um destino atraente para a instalação de grandes data centers. A usina de Itaipu, operada em conjunto com o Brasil, garante um suprimento estável de energia hidrelétrica renovável a um custo muito baixo em comparação com outros países da região. Além disso, o marco regulatório paraguaio tem se mostrado favorável à entrada de capital estrangeiro para projetos de infraestrutura digital.

Empresas de tecnologia já anunciaram planos de construir grandes unidades de processamento de dados no país. Esse movimento, no entanto, pressiona a capacidade instalada de geração de energia, que precisará ser ampliada para atender à nova demanda sem comprometer o fornecimento para residências e indústrias locais.

O estudo de viabilidade da Itaipu Binacional

Diante desse cenário, a diretoria da Itaipu Binacional encomendou um estudo aprofundado para avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental da instalação de duas novas turbinas em sua casa de força. O projeto, que ainda está em fase inicial de análise, considera a utilização de tecnologia de ponta para aumentar a eficiência da geração.

Atualmente, a usina de Itaipu conta com 20 unidades geradoras, totalizando uma potência instalada de 14 gigawatts (GW). A adição de duas novas turbinas poderia adicionar entre 1,4 GW e 1,6 GW ao sistema, um aumento significativo na capacidade de geração. O custo estimado do projeto é bilionário, mas o retorno sobre o investimento é visto como positivo diante da perspectiva de demanda crescente e contratos de longo prazo com grandes consumidores.

Desafios técnicos e prazos para a instalação

Construir novas turbinas em uma usina que já está em plena operação é um desafio de engenharia considerável. Os estudos precisam definir o local exato dentro da estrutura existente, o cronograma de obras e a logística para trazer equipamentos de grande porte. O prazo otimista para a conclusão das novas unidades geradoras é de cinco a oito anos, dependendo da aprovação dos órgãos reguladores do Brasil e do Paraguai.

Especialistas apontam que, embora o prazo seja longo, o planejamento é essencial. A demanda por energia limpa e firme para data centers continuará crescendo, e países que se anteciparem estarão em vantagem competitiva para atrair investimentos na economia digital.

Implicações para a matriz energética do Brasil e Paraguai

A expansão de Itaipu teria implicações diretas para a matriz energética dos dois países sócios. Para o Paraguai, a energia excedente poderia ser utilizada para alavancar seu desenvolvimento industrial e tecnológico, gerando empregos e renda. Para o Brasil, a energia adicional ajudaria a reforçar a segurança do sistema interligado nacional, especialmente em um momento de crescimento da demanda e de fontes intermitentes, como a solar e a eólica.

A iniciativa também reforça o papel das hidrelétricas como baterias naturais para a transição energética, fornecendo a estabilidade necessária para que fontes renováveis variáveis possam se integrar ao sistema de forma confiável. A decisão final sobre a construção das turbinas deverá ser tomada após a conclusão dos estudos de viabilidade, o que deve ocorrer nos próximos meses.

Perguntas frequentes sobre IA, energia e Itaipu

Por que a inteligência artificial consome tanta energia?

O treinamento e a operação de modelos de IA exigem uma enorme capacidade computacional. Os data centers que hospedam esses modelos consomem energia não apenas para processar dados, mas também para sistemas de refrigeração, que evitam o superaquecimento dos equipamentos. Estima-se que uma consulta ao ChatGPT consuma cerca de dez vezes mais energia do que uma pesquisa no Google tradicional.

O que é a Itaipu Binacional?

É uma usina hidrelétrica binacional localizada no rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Considerada uma das maiores do mundo em geração de energia, é administrada pelos dois países. A energia gerada é dividida igualitariamente entre as nações, sendo um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico da região.

Quantas turbinas Itaipu possui atualmente?

Atualmente, a usina de Itaipu conta com 20 unidades geradoras, sendo 10 operando na frequência de 50 Hz (para o Paraguai) e 10 na frequência de 60 Hz (para o Brasil). A potência instalada total é de 14 GW.

Quando as novas turbinas poderão estar operacionais?

O projeto ainda está em fase de estudo. Se aprovado, a expectativa é que as obras levem de cinco a oito anos para serem concluídas, considerando os desafios técnicos e as aprovações regulatórias necessárias no Brasil e no Paraguai.