As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 33,7 bilhões em maio de 2025, conforme dados oficiais divulgados nesta semana. O resultado negativo veio acima das expectativas do mercado, que projetava um déficit menor para o mês, e acendeu um alerta sobre o cumprimento da meta fiscal para o ano. O rombo fiscal é o maior para meses de maio desde o início da série histórica, desconsiderando os efeitos extraordinários da pandemia.
O que explica o déficit de R$ 33,7 bilhões em maio?
O déficit primário ocorre quando as despesas totais do governo (União, estados, municípios e estatais) superam a arrecadação de impostos e contribuições, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública. Em maio, o rombo foi puxado principalmente pelo aumento real das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e assistenciais, e pelo fraco desempenho de algumas receitas não recorrentes.
Apesar do crescimento da arrecadação em termos nominais, impulsionado pela inflação e pelo mercado de trabalho aquecido, as despesas cresceram em ritmo mais acelerado. As transferências constitucionais a estados e municípios também subiram, seguindo a regra de reparte dos impostos federais.
Detalhamento do resultado fiscal
1. Arrecadação total
O Governo Central arrecadou aproximadamente R$ 201 bilhões em maio, um crescimento real próximo de 5% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O bom desempenho foi puxado pelo Imposto de Renda e pela contribuição previdenciária, reflexo do emprego formal aquecido.
2. Gastos com pessoal e custeio
As despesas com pessoal e encargos sociais somaram R$ 38 bilhões, dentro do teto de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal. Já as despesas de custeio, que incluem contas de luz, água, aluguel e material de consumo, continuaram pressionadas pela inflação de serviços.
3. Previdência Social (INSS)
O déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi um dos principais vilões do mês, superando a casa dos R$ 30 bilhões. O envelhecimento da população e os sucessivos aumentos reais do salário mínimo têm elevado o déficit previdenciário de forma estrutural.
4. Investimentos públicos
Os investimentos do governo federal somaram R$ 7 bilhões em maio, um valor ainda baixo para as necessidades do país, mas superior ao registrado em maio de 2024. O governo tem priorizado obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Arcabouço fiscal e meta para 2025
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 estabeleceu meta de déficit primário de até R$ 231,5 bilhões para o setor público consolidado, o equivalente a 1,9% do PIB. Com o resultado acumulado nos primeiros cinco meses do ano, o déficit já ultrapassa R$ 100 bilhões, deixando pouco espaço fiscal para o restante de 2025.
Para que o governo consiga cumprir a meta, será necessário um contingenciamento significativo de despesas discricionárias no segundo semestre, além de um esforço extraordinário de arrecadação. Medidas como o bloqueio de verbas ministeriais e a revisão de contratos estão na mesa da equipe econômica. O não cumprimento da meta pode gerar sanções legais e comprometer a credibilidade fiscal do país junto a investidores.
Impactos para o bolso do cidadão
O descontrole das contas públicas tem impactos diretos na economia real. Um déficit elevado pressiona a dívida pública, aumenta o risco-país e pode forçar o Banco Central a elevar a taxa Selic para conter a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, inibem o consumo e o investimento, e tornam o custo de vida mais alto para a população.
Além disso, a piora fiscal reduz a confiança dos investidores estrangeiros no país, o que pode desvalorizar o real e encarecer importações, impactando itens como combustíveis, eletrônicos e alimentos importados.