A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, Dilma Rousseff, anunciou a meta ambiciosa de que 30% de toda a carteira de crédito da instituição esteja denominada em moedas locais dos países membros até o ano de 2026. A declaração reforça a estratégia do banco em reduzir a dependência histórica do dólar americano e promover um sistema financeiro internacional mais equilibrado e multipolar.
O papel do NDB no cenário global
Criado em 2014 durante a 6ª Cúpula do Brics em Fortaleza, o NDB tem como objetivo central mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Desde sua fundação, o banco aprovou dezenas de projetos nos cinco países fundadores — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — além de novos membros como Bangladesh, Egito e Emirados Árabes Unidos. Tradicionalmente, a maior parte dos empréstimos do NDB é concedida em dólares americanos, o que expõe os tomadores a riscos cambiais e volatilidade nos mercados financeiros globais.
A gestão de Dilma Rousseff, que assumiu a presidência do banco em 2023, tem priorizado a expansão do financiamento em moedas locais como um dos pilares de sua administração. A meta de 30% da carteira representa um salto significativo em relação aos níveis atuais e demonstra a confiança do banco na solidez das economias emergentes.
Por que financiar em moedas locais?
A diversificação cambial é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento. Ao oferecer financiamentos em real, yuan, rupia, rublo ou rand, o NDB permite que os países mutuários evitem os custos elevados de hedge cambial e tenham maior previsibilidade no pagamento de suas dívidas de longo prazo. Para o Brasil, isso pode significar condições mais favoráveis para projetos estratégicos nas áreas de infraestrutura logística, energia limpa, mobilidade urbana e transformação digital.
Segundo especialistas, a iniciativa está alinhada com um movimento global de desdolarização, onde economias emergentes buscam alternativas para mitigar os efeitos de sanções unilaterais e flutuações abruptas do dólar. O NDB já emitiu títulos verdes em yuan chinês e na rupia indiana, e estuda operações semelhantes no Brasil, utilizando o real como moeda de referência para novos projetos.
Desafios e perspectivas para 2026
Apesar dos benefícios evidentes, ampliar o uso de moedas locais não é uma tarefa simples. É necessário desenvolver instrumentos financeiros robustos que garantam liquidez a essas moedas nos mercados internacionais. O NDB tem trabalhado em parceria com bancos centrais dos países membros para criar linhas de swap cambial e mecanismos que facilitem as operações de crédito sem expor o banco a riscos excessivos.
A meta de 30% até 2026 deverá ser acompanhada por um aumento significativo no volume total de empréstimos do banco. Atualmente, o NDB possui uma carteira aprovada de mais de US$ 35 bilhões, e a expectativa é que a diversificação cambial atraia mais projetos do setor privado e de governos locais, que muitas vezes preferem evitar o risco cambial em seus balanços. Se a meta for alcançada, o NDB se consolidará como um modelo inovador para outros bancos multilaterais de desenvolvimento, provando que é possível financiar o crescimento com autonomia e responsabilidade fiscal.
Perguntas frequentes sobre o financiamento em moedas locais do NDB
O que é o Banco do Brics (NDB)?
O Novo Banco de Desenvolvimento é uma instituição financeira multilateral criada pelos países do Brics com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e em desenvolvimento.
Por que é importante usar moedas locais?
O uso de moedas locais reduz a dependência do dólar, diminui os riscos cambiais para os países tomadores de crédito e promove maior estabilidade e previsibilidade financeira para projetos de longo prazo.
Quais moedas estão incluídas na meta?
As principais moedas são as dos cinco membros fundadores: Real (Brasil), Rublo (Rússia), Rupia (Índia), Yuan (China) e Rand (África do Sul). O banco também pode considerar moedas de seus novos membros.
Como a meta de 30% afeta o Brasil diretamente?
Para o Brasil, a medida pode baratear o custo do financiamento de projetos de infraestrutura e energia, já que os empréstimos poderão ser contratados em reais, evitando as flutuações do câmbio e os custos de proteção cambial.