O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (11) cotado a R$ 5,53, registrando queda ante o real após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos que vieram abaixo das expectativas do mercado. O movimento ocorre em meio a uma leitura de que o Federal Reserve (Fed) pode reduzir o ritmo de aperto monetário, pressionando a moeda americana globalmente.
A queda ocorre em um contexto de alívio nos mercados financeiros internacionais. O índice de preços ao consumidor (CPI) americano mostrou desaceleração nos núcleos de inflação, reforçando a aposta de que o Fed pode manter os juros inalterados na próxima reunião. Com isso, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de moedas, caiu, impulsionando moedas emergentes como o real brasileiro.
Contexto da inflação americana
Os dados divulgados nesta manhã pelo Departamento do Trabalho dos EUA indicaram que o CPI subiu 0,1% em junho, abaixo da previsão de 0,2%. A inflação acumulada em 12 meses recuou de 3,3% para 3,2%, surpreendendo analistas que esperavam estabilidade. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, também desacelerou, passando de 3,4% para 3,3% na comparação anual.
Esse cenário reforça a visão de que a política de juros elevados do Fed está surtindo efeito. A expectativa de cortes de juros ainda neste ano ganhou força, com o mercado precificando uma probabilidade de 70% de redução em setembro, segundo o FedWatch Tool do CME Group.
Impacto no câmbio brasileiro
No Brasil, o dólar caiu pelo segundo dia consecutivo, refletindo não apenas o ambiente externo favorável, mas também o fluxo positivo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. O Ibovespa operava em alta de mais de 1% no início da tarde, impulsionado por ações de commodities e bancos. A melhora do apetite ao risco beneficiou moedas de países emergentes, com o real se destacando entre as principais divisas.
O Banco Central brasileiro realizou leilão de swap cambial tradicional no início da sessão, mas a medida não impediu a apreciação da moeda nacional. Operadores relataram que o movimento foi liderado por investidores estrangeiros que reduziram posições compradas em dólar.
Perspectivas técnicas e fundamentais
Do ponto de vista técnico, o dólar encontrou suporte próximo a R$ 5,50, patamar que pode ser testado nos próximos dias. Caso a tendência de desaceleração da inflação americana se confirme, a moeda pode buscar a faixa de R$ 5,45. No entanto, analistas alertam para riscos geopolíticos e a possibilidade de novos choques de oferta que podem reverter o movimento.
O mercado também acompanha a tramitação da pauta fiscal no Congresso brasileiro. A aprovação de medidas de ajuste das contas públicas pode fortalecer ainda mais o real, enquanto incertezas políticas podem gerar volatilidade. O relatório Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, mostra a projeção do dólar para o fim de 2025 em R$ 5,45, indicando que parte do mercado já esperava uma trajetória de queda.
Pontos-chave do dia
- Dólar comercial fechou a R$ 5,53, queda de 1,2% no dia.
- CPI americano desacelerou para 3,2% em 12 meses, abaixo do esperado.
- Expectativa de corte de juros pelo Fed em setembro se fortalece.
- Ibovespa opera em alta com fluxo estrangeiro positivo.
- BC brasileiro acompanha mercado, mas não intervém de forma agressiva.
Perguntas frequentes sobre a queda do dólar
Por que o dólar caiu hoje?
A principal razão foi a divulgação do CPI americano abaixo do esperado, que aumentou as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. Isso enfraquece o dólar globalmente e beneficia moedas emergentes como o real.
O dólar pode cair ainda mais?
Sim, se os próximos dados de inflação e emprego nos EUA continuarem a mostrar arrefecimento, o dólar pode se desvalorizar ainda mais. No entanto, eventos geopolíticos e a política fiscal brasileira podem gerar volatilidade no curto prazo.
Como a queda do dólar afeta a economia brasileira?
Uma moeda mais valorizada reduz a pressão inflacionária (já que importados ficam mais baratos), melhora o poder de compra da população e diminui o custo da dívida externa. Por outro lado, exportadores e setores como o agronegócio podem ter suas receitas em reais reduzidas.
O que esperar para os próximos dias?
O mercado estará atento a discursos de dirigentes do Fed e a novos indicadores, como o PPI (índice de preços ao produtor) e pedidos semanais de seguro-desemprego. Qualquer sinal de que a inflação continua cedendo pode impulsionar mais quedas do dólar. No Brasil, o foco será na aprovação de medidas fiscais.