Economia brasileira cresce 1,6% no 1º trimestre, mostra prévia da FGV

A economia brasileira deu mais um passo firme na trajetória de crescimento. De acordo com a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o país registrou um crescimento de 1,6% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o trimestre imediatamente anterior, já descontados os efeitos sazonais. O resultado veio acima das expectativas do mercado e reforça a resiliência da atividade econômica doméstica, mesmo diante de um cenário global desafiador.

Panorama geral do crescimento

O Monitor do PIB da FGV, indicador que acompanha a evolução da economia em alta frequência, apontou um avanço expressivo nos primeiros meses do ano. O crescimento de 1,6% no trimestre representa uma aceleração significativa em relação ao ritmo observado no final de 2024. Na comparação interanual — primeiro trimestre de 2025 contra o mesmo período do ano anterior —, o PIB brasileiro acumula uma alta de aproximadamente 3%, consolidando a trajetória de expansão da atividade econômica.

O resultado positivo foi influenciado por uma combinação de fatores, incluindo o mercado de trabalho aquecido, a recuperação da renda real das famílias e o bom desempenho do setor de serviços, que responde pela maior parcela do valor adicionado da economia nacional.

Setores que impulsionaram o PIB

O desempenho positivo foi puxado por praticamente todos os grandes setores da economia. O setor de Serviços continuou a mostrar vigor, com destaque para as áreas de tecnologia da informação, atividades financeiras, transportes e serviços prestados às famílias. O comércio também registrou alta, impulsionado pelas vendas online e pelo consumo presencial.

A Indústria apresentou expansão relevante, puxada principalmente pela construção civil e pela indústria de transformação. O setor de construção se beneficiou de investimentos em infraestrutura e do crescimento do mercado imobiliário, enquanto a indústria de transformação foi favorecida pela demanda interna e pela substituição de importações em alguns segmentos.

A Agropecuária, embora tenha enfrentado desafios climáticos pontuais em algumas regiões produtoras, também contribuiu para o resultado agregado do trimestre, sustentada pela produtividade elevada nas culturas de grãos.

Consumo das famílias e investimentos

O consumo das famílias, principal motor da atividade econômica brasileira,seguiu em alta no primeiro trimestre. A melhora gradual no mercado de trabalho, com aumento da massa salarial real e redução da taxa de desemprego, tem sustentado a confiança do consumidor e as vendas no varejo. Programas de transferência de renda e o acesso ao crédito também desempenharam um papel importante nesse cenário.

A taxa de investimento, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo, apresentou crescimento de 2,1% no período, sinalizando que o empresariado está respondendo aos estímulos de demanda e às expectativas de médio prazo para a economia. O avanço dos investimentos é um sinal positivo para o crescimento sustentável, pois amplia a capacidade produtiva do país.

Perspectivas para os próximos trimestres

Apesar do bom resultado, economistas da FGV e do mercado financeiro alertam para as incertezas no horizonte. A política monetária, que ainda opera com a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado para conter a inflação, pode frear o ritmo de expansão do consumo e do crédito nos próximos meses. O cenário fiscal e as tensões no comércio internacional, com potenciais barreiras protecionistas afetando as exportações brasileiras, também exigem cautela.

A expectativa geral é de que a economia brasileira continue a crescer ao longo de 2025, mas em um ritmo mais moderado do que o observado no primeiro trimestre. O mercado de trabalho, a evolução da inflação e o cenário político-econômico global serão fatores determinantes para o desempenho da atividade nos próximos trimestres. A manutenção de reformas estruturais e o controle dos gastos públicos são vistos como fundamentais para garantir a sustentabilidade do crescimento no longo prazo.

Perguntas frequentes sobre o PIB e o Monitor da FGV

O que é o Monitor do PIB da FGV?

É um indicador mensal do nível de atividade do país, calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Ele utiliza fontes de dados mais frequentes para antecipar a tendência do PIB oficial divulgado pelo IBGE, permitindo um acompanhamento em tempo real da evolução da economia brasileira.

Qual a diferença entre o Monitor do PIB e o PIB do IBGE?

O Monitor do PIB da FGV é uma estimativa mensal que usa metodologia própria e fontes de dados administrativos e setoriais. Já o PIB do IBGE é a medida oficial da contabilidade nacional, divulgada trimestralmente e com metodologia consolidada. Embora os valores exatos possam divergir, as trajetórias de crescimento apontadas pelos dois indicadores são historicamente muito semelhantes.

O que esperar da economia brasileira para o restante de 2025?

As projeções do mercado financeiro, consolidadas no Boletim Focus, e de instituições como a FGV indicam um crescimento moderado para o PIB brasileiro em 2025, influenciado pelo nível de juros, pela inflação sob controle e pelo desempenho das exportações. O mercado de trabalho e o consumo das famílias continuarão sendo fatores-chave para o desempenho da atividade econômica.