Eletrobras tem prejuízo de R$ 81 milhões no 1º trimestre de 2025

A Eletrobras (ELET3, ELET6) divulgou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2025 (1T25) apresentando um prejuízo líquido de R$ 81 milhões. O resultado negativo contrasta com o lucro de R$ 145 milhões registrado no mesmo período do ano anterior e ficou aquém das projeções do mercado financeiro, que esperava um lucro mediano de aproximadamente R$ 120 milhões para o período.

Apesar do aumento na receita operacional, a companhia foi impactada por despesas financeiras mais altas e provisões extraordinárias. A receita operacional líquida somou R$ 10,2 bilhões no trimestre, uma alta de 8% na comparação anual, beneficiada pelo reajuste tarifário e pela maior capacidade de geração de energia. O mercado reagiu com cautela e as ações ELET3 recuaram 2% no pregão seguinte à divulgação.

O que pressionou o resultado da Eletrobras?

O EBITDA ajustado ficou em R$ 3,5 bilhões, com margem de 34%, dentro das estimativas dos analistas. O grande destaque negativo foi o resultado financeiro líquido, que passou de negativo em R$ 100 milhões para negativo em R$ 800 milhões. Esse aumento expressivo decorreu da variação cambial sobre a dívida em dólar e das despesas com juros sobre a captação de recursos para o pagamento da outorga de renovação das concessões.

As despesas operacionais também cresceram. Os custos com pessoal avançaram 12% no trimestre, influenciados pelos reajustes salariais e pelo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que gerou despesas não recorrentes de R$ 150 milhões em indenizações. Além disso, a companhia registrou provisões extraordinárias de R$ 250 milhões para contingências trabalhistas e tributárias, além de ajustes no plano de saúde pós-emprego. Houve ainda aumento nas provisões para perdas com créditos de liquidação duvidosa, totalizando R$ 80 milhões.

Impacto do mercado de energia

No mercado de curto prazo, a empresa enfrentou um PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) mais baixo, refletindo o bom nível dos reservatórios no período chuvoso. Embora positivo para a segurança energética, o PLD baixo reduz a receita variável com a comercialização de energia no mercado livre. Esse movimento foi parcialmente compensado pelo maior volume contratado no ambiente regulado (ACR), que garante fluxo de caixa mais previsível. A geração hidrelétrica ficou 5% acima da média histórica, o que elevou a exposição ao mercado spot. Como resultado, a receita de comercialização no mercado livre caiu 15% na comparação anual.

Reestruturação e perspectivas

A administração destacou que o PDV está alinhado ao plano de eficiência operacional, com economia anual esperada de R$ 1 bilhão a partir de 2026. O programa deve se concentrar em 2025, gerando impacto não recorrente neste exercício. A companhia reafirmou o plano de investimentos de R$ 20 bilhões para 2024-2028, com foco em modernização da transmissão e expansão em renováveis (eólica e solar).

No campo regulatório, a Eletrobras aguarda a definição do novo marco para o setor de transmissão. O governo sinalizou novos leilões de linhas de transmissão no segundo semestre de 2025, e a empresa, como maior transmissora do país, está bem posicionada para participar. Para o segundo trimestre, a expectativa é de melhora no resultado financeiro com a queda da Selic e a estabilização cambial, além da redução gradual dos efeitos do PDV.

Os analistas do Credit Suisse e do UBB BB classificaram o resultado como pontual e mantiveram recomendação de compra para ELET3, com preço-alvo médio de R$ 52. Para eles, a trajetória de recuperação da lucratividade deve se consolidar a partir do segundo semestre, com a normalização das despesas financeiras e a conclusão do programa de reestruturação. Os dividendos de 2025, no entanto, tendem a ser menores devido ao prejuízo no trimestre.

Perguntas Frequentes

Por que a Eletrobras teve prejuízo no 1T25?

O resultado negativo foi causado por despesas financeiras mais altas (câmbio e juros), provisões extraordinárias para contingências trabalhistas e tributárias, e custos com o PDV. O resultado financeiro líquido passou de -R$ 100 milhões para -R$ 800 milhões.

A empresa vai cortar investimentos?

Não. A administração reafirmou o plano de investimentos de R$ 20 bilhões para 2024-2028, mantendo os projetos de modernização e expansão em transmissão e energias renováveis.

Como ficam os dividendos da Eletrobras?

Com o prejuízo no primeiro trimestre, a base para distribuição de dividendos obrigatórios fica reduzida. A expectativa é de proventos menores em 2025, concentrados no segundo semestre e dependentes da recuperação dos resultados nos próximos trimestres.

Quais os riscos para o segundo trimestre de 2025?

Os principais riscos incluem novas variações cambiais, aumento de custos com o PDV e possíveis novas provisões. Por outro lado, a queda da Selic e a previsão de chuvas dentro da média podem beneficiar as receitas de comercialização de energia.

O que fazer com as ações ELET3?

Analistas recomendam compra, citando o caráter pontual do resultado negativo e a expectativa de recuperação da lucratividade no segundo semestre. O preço-alvo médio é de R$ 52. Para quem busca dividendos, o cenário de curto prazo é menos favorável, mas a perspectiva de longo prazo segue positiva.

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