A cidade de Olinda, Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, é palco de mais uma edição da Feira Nacional de Artesanato, que este ano tem como tema central a valorização dos povos indígenas do Brasil. O evento teve início na quarta-feira (9) e segue até domingo (13), reunindo artesãos de todas as regiões do país em um grande encontro de cultura, tradição e saberes populares.
Realizada no Centro de Convenções de Olinda, a feira conta com mais de 200 expositores, dos quais cerca de 60 são representantes de comunidades indígenas. A edição de 2025 dá protagonismo a etnias como Tupinambá, Pataxó, Guarani, Yanomami, Xavante, Kariri-Xocó, Terena e Kambeba. Cada estande exibe peças únicas que carregam séculos de história: cerâmica decorada com grafismos tradicionais, cestaria feita com fibras naturais como palha e cipó, biojoias confeccionadas com sementes da Amazônia e do Cerrado, instrumentos musicais como maracás, flautas de bambu e tambores artesanais, além de tecelagem com algodão orgânico tingido com urucum e jenipapo.
A diversidade de técnicas e matérias-primas impressiona os visitantes. Muitos artesãos viajaram centenas de quilômetros para estar em Olinda. Para eles, a feira representa não apenas uma oportunidade de comercialização, mas também um espaço de diálogo intercultural e resistência. “A arte que fazemos é a memória viva dos nossos antepassados. Cada peça tem um significado espiritual e uma história para contar”, afirma Kumuruá Tupinambá, artesão do sul da Bahia que participa pela primeira vez do evento.
Artesanato como expressão cultural e resistência
O artesanato indígena vai muito além da estética. Peças como cocares, pulseiras, colares, objetos rituais e utensílios domésticos são carregadas de simbolismo e representam a visão de mundo de cada povo. Durante a feira, os visitantes podem conversar diretamente com os artesãos, que explicam o significado de cada peça, as técnicas de produção e o contexto cultural em que são criadas.
Uma das atrações mais procuradas é o estande coletivo da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste (APOINME), que reúne peças de mais de dez etnias da região. Lá é possível encontrar desde a famosa cerâmica Kariri-Xocó, com suas engobes naturais e desenhos geométricos, até a cestaria encauchada dos Kambeba, impermeabilizada com látex extraído da seringueira. “Cada técnica foi aperfeiçoada ao longo de gerações. Nossa arte é um patrimônio imaterial que precisa ser reconhecido e valorizado”, destaca Maria dos Santos, artesã Pataxó que participa da feira pelo terceiro ano consecutivo.
Programação diversificada para todas as idades
Além da exposição e venda de artesanato, a programação inclui oficinas gratuitas que ocorrem ao longo de todo o dia. Entre as atividades oferecidas estão:
- Arte plumária: aprendizado sobre a produção de cocares e adereços com penas naturais, respeitando as leis ambientais.
- Pintura corporal: técnica milenar de pintura com jenipapo e urucum, utilizada em rituais e celebrações.
- Tecelagem: confecção de redes, tipóias e faixas com tear manual, típica dos povos do Alto Rio Negro.
- Cerâmica: modelagem e decoração de peças utilitárias e decorativas com argila e pigmentos naturais.
- Culinária indígena: preparo de pratos como beiju, bolo de milho, peixe assado na folha de bananeira e sucos de frutas nativas.
As crianças têm espaço garantido com atividades educativas que ensinam de forma lúdica a história dos primeiros habitantes do Brasil. Contação de histórias, jogos indígenas e oficinas de pintura facial estão entre os destaques da programação infantil.
A feira também reserva um palco para apresentações culturais. Grupos de maracatu, ciranda, frevo e danças indígenas se apresentam ao longo do dia, com destaque para a apresentação do grupo Toré dos Povos do Nordeste, que reúne cantos e danças tradicionais em uma celebração da identidade indígena contemporânea.
Sustentabilidade e uso de materiais naturais
Grande parte do artesanato exposto utiliza materiais renováveis e de baixo impacto ambiental, como sementes, fibras vegetais, madeira certificada, argila, palha e tintas extraídas de plantas. Muitos artesãos indígenas são guardiões de técnicas sustentáveis de manejo dos recursos da floresta, garantindo a extração sem degradação do ecossistema.
A feira também funciona como vitrine para práticas de economia criativa e desenvolvimento sustentável. Em parceria com o Sebrae e o Ministério do Turismo, o evento promove rodadas de negócios entre artesãos e compradores institucionais, além de palestras sobre precificação, marketing digital e acesso a mercados. “Nosso objetivo é mostrar que o artesanato indígena pode ser uma fonte de renda digna sem abrir mão da tradição”, explica a coordenadora do evento, Ana Lúcia Pereira.
História e relevância da Feira Nacional de Artesanato de Olinda
A Feira Nacional de Artesanato de Olinda é realizada anualmente desde 2004 e se consolidou como um dos maiores eventos do segmento no Norte-Nordeste. A escolha de Olinda como sede não é por acaso: a cidade respira arte e cultura popular, com seu centro histórico tombado, suas ladeiras repletas de ateliês e a forte presença do artesanato pernambucano. A edição de 2025, com recorte indígena, busca corrigir uma lacuna histórica de invisibilidade dos povos originários nos grandes eventos de artesanato do país.
A expectativa dos organizadores é receber cerca de 30 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento. O impacto econômico estimado gira em torno de R$ 5 milhões, considerando vendas diretas, alimentação, transporte e hospedagem na região.
Pontos altos da edição 2025
- Mais de 200 expositores de todas as regiões do Brasil, com forte presença indígena
- Participação de comunidades indígenas de pelo menos 12 etnias diferentes
- Oficinas gratuitas de arte plumária, pintura corporal, tecelagem, cerâmica e culinária típica
- Espaço gastronômico com comidas típicas regionais e pratos indígenas
- Apresentações culturais diárias de maracatu, ciranda, frevo e danças tradicionais
- Ações de sustentabilidade e uso responsável de materiais naturais
- Rodadas de negócios e capacitação para artesãos
- Espaço infantil com atividades educativas e recreação
Como chegar e dicas para aproveitar a feira
A Feira Nacional de Artesanato funciona das 10h às 20h, com entrada gratuita. O Centro de Convenções de Olinda está localizado na Avenida Prefeito Mário de Melo, s/n, no bairro de Casa Caiada, próximo à orla. O local dispõe de estacionamento pago com capacidade para 400 veículos e também é bem servido por transporte público — diversas linhas de ônibus municipais passam nas proximidades.
Para quem deseja aproveitar ao máximo a visita, a dica é ir cedo, evitar os horários de pico (entre 14h e 16h) e levar dinheiro em espécie, pois nem todos os estandes aceitam cartão. A organização recomenda o uso de máscara em ambientes fechados e disponibiliza álcool em gel nos estandes. Também há praça de alimentação com opções variadas, incluindo pratos da culinária indígena e regional.
Serviço
Evento: Feira Nacional de Artesanato de Olinda – Edição Indígena
Data: 9 a 13 de julho de 2025 (quarta a domingo)
Horário: 10h às 20h
Local: Centro de Convenções de Olinda – Av. Prefeito Mário de Melo, s/n – Casa Caiada
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre para todos os públicos
Perguntas frequentes
Qual é o horário de funcionamento?
A feira está aberta das 10h às 20h até domingo, 13 de julho. Recomenda-se chegar cedo para aproveitar todas as atividades.
Quanto custa o ingresso?
A entrada é gratuita para todos os públicos. Algumas oficinas exigem inscrição prévia no local, mas também são gratuitas.
Há estacionamento no local?
Sim, o Centro de Convenções dispõe de estacionamento pago com cerca de 400 vagas. O valor do estacionamento é acessível.
Como chegar de transporte público?
O local é atendido por diversas linhas de ônibus municipais que passam pela Avenida Prefeito Mário de Melo. A parada mais próxima fica a poucos metros da entrada. Consulte o aplicativo de mobilidade urbana de Olinda para a melhor rota.
Há opções de alimentação no evento?
Sim, a feira conta com uma praça de alimentação com comidas típicas regionais, pratos da culinária indígena e opções vegetarianas. Os preços são variados.
Posso fotografar os estandes?
Sim, a fotografia é permitida e incentivada. No entanto, alguns artesãos pedem autorização antes de fotografar peças específicas por questões de direito de imagem e proteção do design. Basta perguntar.
A feira é acessível para pessoas com deficiência?
Sim, o Centro de Convenções possui rampas, banheiros adaptados e elevadores. A organização também disponibiliza monitores para auxiliar visitantes com mobilidade reduzida.