A Agência de Defesa Agropecuária de Goiás (Agrodefesa) confirmou o primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) no estado. O foco foi identificado em aves de subsistência criadas soltas em um quintal em uma propriedade rural, acionando imediatamente os protocolos sanitários rigorosos para conter a disseminação do vírus e proteger a avicultura goiana e nacional.
O Brasil já havia registrado focos de gripe aviária em aves silvestres e de subsistência em estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo desde 2023, mas esta é a primeira ocorrência confirmada na região Centro-Oeste. A chegada do vírus a Goiás acende um alerta para a avicultura do estado, um dos polos produtores de frango do país. A doença é causada pelo vírus H5N1, que tem alta letalidade entre as aves e exige resposta rápida das autoridades sanitárias.
Detalhes do foco em Goiás
A propriedade onde o foco foi detectado foi imediatamente interditada pelas equipes da Agrodefesa. Seguindo o Plano de Contingência para Influenza Aviária, todas as aves da criação foram sacrificadas de forma humanitária para evitar a propagação do vírus. As autoridades sanitárias iniciaram o rastreamento de possíveis contatos e reforçaram a vigilância ativa em um raio de 10 quilômetros ao redor do foco. Exames laboratoriais realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) confirmaram a presença do vírus H5N1 nas amostras coletadas.
Além do sacrifício sanitário, as equipes de defesa agropecuária realizam a desinfecção completa do local, orientam os proprietários sobre procedimentos de limpeza e monitoram diariamente a área de vigilância. A Agrodefesa também intensificou as ações de educação sanitária na região, distribuindo materiais informativos sobre a doença e as formas de prevenção. O serviço veterinário oficial segue em alerta para novas notificações.
O que é a gripe aviária H5N1?
A influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. O subtipo H5N1 é classificado como de alta patogenicidade, causando doença grave e morte súbita em aves. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com aves infectadas ou com ambientes contaminados por fezes, secreções e equipamentos. A doença é uma preocupação global para a sanidade animal e pode ter impactos significativos na avicultura comercial e de subsistência.
O vírus é transmitido principalmente por aves migratórias aquáticas (como patos e gansos), que funcionam como reservatórios naturais e podem eliminar o vírus sem apresentar sintomas. Essas aves, ao longo de suas rotas migratórias, podem contaminar fontes de água e áreas onde aves domésticas têm acesso. A transmissão indireta também ocorre por meio de pessoas, veículos, equipamentos e roupas contaminadas com o vírus. Por isso, a adoção de medidas de biossegurança é essencial para evitar a introdução do vírus nas criações.
Riscos para os seres humanos
Embora o vírus H5N1 possa infectar humanos, o risco de transmissão para a população em geral é considerado muito baixo pelas autoridades de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora o vírus de perto, e até o momento não há evidências de transmissão sustentada entre humanos. A infecção humana está geralmente associada ao contato direto e prolongado com aves doentes ou mortas, sem o uso de equipamentos de proteção.
O consumo de carne de frango e ovos devidamente cozidos não oferece risco de infecção, pois o vírus é inativado pelo calor (acima de 70°C). As autoridades recomendam que a população evite o contato direto com aves doentes ou mortas e acione imediatamente o serviço veterinário oficial em caso de suspeita. Profissionais que lidam com aves devem usar equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, e higienizar as mãos com frequência.
Medidas de biossegurança para pequenos criadores
Criadores de aves de quintal, conhecidas como aves de subsistência, devem redobrar a atenção e adotar medidas de biossegurança para proteger seus plantéis. A prevenção é a arma mais eficaz contra a gripe aviária. Confira as principais recomendações:
- Isolamento: Impedir o contato das aves domésticas com aves silvestres, especialmente migratórias. Manter as aves em áreas teladas ou fechadas reduz o risco de contaminação.
- Alimentação e água: Manter os alimentos e a água das aves protegidos em recipientes fechados, evitando que sejam acessados por aves silvestres ou contaminados por fezes.
- Higiene: Higienizar calçados e roupas ao entrar em contato com as aves. Disponibilizar tapetes sanitários (pedilúvios) na entrada dos galinheiros.
- Manejo: Não visitar outras criações de aves antes de contatar os animais da própria propriedade. Evitar o trânsito desnecessário entre diferentes locais de criação.
- Notificação: Notificar imediatamente o serviço veterinário oficial em caso de ave doente ou morta, por meio da Agrodefesa (em Goiás) ou da Secretaria Municipal de Agricultura.
Cenário nacional e monitoramento
O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, possui um sistema de defesa sanitária robusto e reconhecido internacionalmente. Casos em aves de subsistência são monitorados de perto, mas não alteram o status sanitário do país para o comércio internacional, desde que controlados rapidamente. A ocorrência em Goiás acende um alerta para a necessidade de intensificar a vigilância em todo o território nacional.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém um plano de contingência atualizado e promove treinamentos com as equipes estaduais. A participação dos criadores e da comunidade na notificação precoce de casos suspeitos é fundamental para conter a disseminação do vírus. A influenza aviária é uma doença de notificação obrigatória, e qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente às autoridades. Leia também: Gripe aviária: 17 países suspendem restrição à carne brasileira.
Perguntas frequentes sobre a gripe aviária
O que fazer se eu encontrar uma ave morta ou doente?
Não toque no animal. Comunique imediatamente a Agrodefesa do seu estado ou a Secretaria Municipal de Agricultura. O contato com aves doentes deve ser feito apenas por profissionais treinados com equipamentos de proteção. Em Goiás, a Agrodefesa disponibiliza canais de atendimento para receber denúncias e orientar a população.
Posso comer frango e ovos?
Sim, desde que bem cozidos. O vírus da gripe aviária é inativado pelo calor. O consumo de carne de frango e ovos inspecionados e preparados adequadamente não apresenta riscos à saúde humana. A recomendação é cozinhar a carne a uma temperatura interna mínima de 70°C.
Existe vacina contra a gripe aviária para aves?
Existem vacinas para uso animal, mas o Brasil, por razões sanitárias e comerciais, não adota a vacinação preventiva em larga escala. O país prioriza a erradicação dos focos por meio do sacrifício sanitário, vigilância ativa e restrição de movimentação. A vacinação poderia mascarar a circulação do vírus e dificultar o monitoramento.
Quais são os sintomas das aves infectadas?
Os sinais clínicos incluem andar descoordenado, torcicolo, apatia, secreção nasal e ocular, diarreia, queda na produção de ovos e morte súbita. Em casos de alta patogenicidade, a mortalidade pode ser muito alta em curto período. Em criações de subsistência, a observação diária dos lotes é essencial para identificar mudanças de comportamento.
Como o vírus chega às aves de quintal?
O H5N1 é introduzido principalmente por aves migratórias infectadas, que contaminam fontes de água e alimentos. Aves de quintal criadas soltas têm maior risco de contato com essas fontes. Por isso, recomenda-se manter as aves confinadas ou teladas durante os períodos de maior circulação viral.
O vírus sobrevive no ambiente?
Sim, o vírus pode sobreviver por dias ou semanas em fezes, água, equipamentos e ração, dependendo da temperatura e umidade. A desinfecção adequada com produtos à base de hipoclorito ou compostos fenólicos é eficaz para inativá-lo.