Gripe é a principal causa de mortes por SRAG em idosos, alerta Fiocruz

Um alerta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acende um sinal de alerta para a população idosa brasileira: a gripe (influenza) é a principal causa de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre pessoas com 60 anos ou mais. O dado, divulgado pelo Boletim InfoGripe, reforça a necessidade de vacinação anual e de cuidados redobrados durante os meses de maior circulação do vírus.

O que é a SRAG?

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma complicação respiratória severa que pode levar à hospitalização e ao óbito. Ela é caracterizada por febre, tosse, dificuldade para respirar e saturação de oxigênio abaixo de 95%. A SRAG pode ser causada por diversos vírus respiratórios, entre eles o influenza (gripe), o SARS-CoV-2 (covid-19) e o vírus sincicial respiratório (VSR). No entanto, a Fiocruz alerta que, entre os idosos, o influenza tem sido o principal agente identificado nos casos fatais.

Alerta da Fiocruz: gripe lidera mortes por SRAG em idosos

O Boletim InfoGripe, produzido pela Fiocruz, analisa semanalmente os dados de síndromes respiratórias no país. Os últimos levantamentos mostram que, na população com 60 anos ou mais, o vírus influenza A é o principal responsável pelos óbitos por SRAG, superando inclusive a covid-19. A instituição reforça que a vacinação contra a gripe é a ferramenta mais eficaz para reduzir o risco de formas graves da doença.

Segundo pesquisadores da Fiocruz, a circulação do vírus influenza tem aumentado nas regiões Sul e Sudeste, com predomínio do subtipo H1N1. A tendência é que, nos próximos meses, haja um pico de casos, o que torna ainda mais urgente a imunização da população idosa.

Por que os idosos são mais vulneráveis?

O envelhecimento natural do sistema imunológico, conhecido como imunossenescência, reduz a capacidade de resposta do organismo a infecções. Além disso, muitos idosos apresentam comorbidades como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e pulmonares, que agravam o quadro gripal. Por essas razões, a gripe, que em jovens pode ser uma doença autolimitada, nos idosos frequentemente evolui para SRAG, exigindo internação em UTI e uso de ventilação mecânica.

A Fiocruz destaca ainda que idosos que não se vacinaram nos últimos anos ou que não tomaram a dose atualizada estão sob maior risco. A proteção conferida pela vacina diminui com o tempo, por isso é essencial receber a dose anual.

Vacinação: a melhor proteção

A vacina contra influenza é segura e eficaz. Ela é produzida com vírus inativados, não podendo causar a doença. Estudos mostram que a vacinação reduz em até 60% o risco de hospitalização por gripe em idosos e em cerca de 80% o risco de morte por SRAG. A campanha nacional de vacinação ocorre todos os anos antes do inverno, e a dose é disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde para pessoas acima de 60 anos, gestantes, crianças e profissionais de saúde.

É importante ressaltar que a vacina pode ser tomada simultaneamente com a vacina contra a covid-19, sem prejuízo da eficácia. Manter o cartão vacinal em dia é uma das medidas mais efetivas para evitar óbitos evitáveis.

Medidas de prevenção contra a gripe

Além da vacinação, algumas atitudes simples ajudam a reduzir a transmissão do vírus influenza:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou usar álcool em gel 70%.
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca.
  • Manter ambientes bem ventilados.
  • Usar máscara em locais fechados ou com aglomeração, especialmente em épocas de surto.
  • Cobrir nariz e boca com o antebraço ao tossir ou espirrar.
  • Evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais.

Sintomas da SRAG e quando procurar atendimento

Os sinais de alerta para SRAG incluem febre persistente (acima de 38°C), tosse intensa, falta de ar, cansaço extremo, confusão mental e queda na saturação de oxigênio (abaixo de 95%). Ao apresentar esses sintomas, especialmente em idosos, é fundamental procurar uma unidade de saúde imediatamente. O diagnóstico precoce permite o início do tratamento antiviral, que é mais eficaz nas primeiras 48 horas de sintomas.

Tratamento disponível

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o antiviral oseltamivir (Tamiflu) para casos de gripe confirmada ou suspeita. Quando administrado precocemente, o medicamento reduz a duração dos sintomas e o risco de complicações graves. Em casos de SRAG, o tratamento inclui suporte hospitalar como oxigenioterapia, hidratação intravenosa e, em situações críticas, ventilação mecânica.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A vacina da gripe pode causar a doença?
Não. A vacina é composta por vírus inativados (mortos), portanto é impossível contrair gripe por meio da vacinação. Os efeitos colaterais mais comuns são dor no local da aplicação e febre baixa, que desaparecem em até 48 horas.
Quem deve se vacinar contra a gripe?
A vacina é recomendada para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade, mas a prioridade anual do SUS é para grupos de risco: idosos (60+), crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas, profissionais de saúde, indígenas, pessoas com comorbidades e professores.
Quando é a campanha de vacinação?
Geralmente a campanha nacional ocorre entre abril e maio, antes do inverno. No entanto, a vacina continua disponível ao longo do ano nos postos de saúde para os grupos prioritários.
Além da vacina, que outras medidas protegem os idosos?
Manter a casa arejada, evitar aglomerações, usar máscara em locais fechados, ter uma alimentação saudável, controlar doenças crônicas e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de gripe são atitudes que contribuem para a prevenção de casos graves.

A Fiocruz conclama a população e as autoridades de saúde a intensificarem as ações de vacinação e vigilância. A gripe é uma doença prevenível, mas que ainda mata milhares de idosos todos os anos no Brasil. A informação e a prevenção são os melhores caminhos para proteger quem mais precisa.