Haddad conversa com presidenta do México sobre relações econômicas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, realizaram uma reunião de alto nível para discutir o aprofundamento das relações econômicas entre Brasil e México. O encontro, que ocorreu em um contexto de incertezas globais e reconfiguração de cadeias produtivas, teve como foco principal a ampliação do comércio bilateral, o aumento dos investimentos mútuos e a cooperação em setores estratégicos como energia e agricultura.

Contexto das relações Brasil-México

Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina e respondem por cerca de 60% do PIB da região. Apesar da proximidade geográfica e dos laços históricos, o fluxo de comércio e investimentos entre os dois países ainda está aquém do seu potencial. Enquanto o Brasil exporta principalmente manufaturados, veículos e produtos agrícolas, o México é um importante parceiro no setor automotivo e de máquinas. Haddad destacou que o governo brasileiro vê com grande interesse a possibilidade de expandir as trocas comerciais, reduzindo barreiras e simplificando procedimentos aduaneiros.

Do lado mexicano, a presidenta Sheinbaum sinalizou abertura para negociar acordos setoriais e alinhar posições em fóruns multilaterais, como o G20 e a CELAC. A reunião também serviu para preparar o terreno para uma visita de Estado ao Brasil nos próximos meses, o que pode resultar em anúncios concretos de cooperação.

Comércio bilateral e investimentos

Um dos pontos centrais da pauta foi o fortalecimento das correntes de comércio. Atualmente, o intercâmbio comercial entre Brasil e México gira em torno de US$ 10 bilhões anuais, com potencial para crescer significativamente. Haddad defendeu a eliminação de tarifas remanescentes e a harmonização de regras sanitárias e fitossanitárias, especialmente para produtos agropecuários. A presidenta mexicana, por sua vez, manifestou interesse em ampliar as importações de fertilizantes brasileiros e em estabelecer parcerias no setor de fertilizantes nitrogenados.

No campo dos investimentos, Haddad convidou empresários mexicanos a participar do novo programa de concessões do governo brasileiro, que abrange rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O México, que tem forte experiência em infraestrutura, pode contribuir com capital e tecnologia. Também foi discutida a possibilidade de joint ventures no setor automotivo, aproveitando a integração das cadeias já existente no âmbito do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 55.

Energia e sustentabilidade

A agenda energética ocupou lugar de destaque. Ambos os países possuem matrizes energéticas com forte presença de fontes renováveis — hidrelétrica no Brasil, eólica e solar no México. Haddad propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para compartilhar experiências em transição energética, eficiência energética e hidrogênio verde. A presidenta Sheinbaum, que é engenheira ambiental e fez da sustentabilidade uma bandeira de seu governo, respondeu com entusiasmo e sugeriu a realização de um fórum empresarial Brasil-México de energias limpas.

Além disso, os dois representantes abordaram a necessidade de coordenar posições na COP30, que será realizada no Brasil em 2025. A ideia é apresentar uma frente comum latino-americana para exigir financiamento climático dos países desenvolvidos e defender a valorização da sociobiodiversidade.

Perspectivas futuras

A reunião terminou com a assinatura de um memorando de entendimento para a realização de consultas periódicas entre as equipes econômicas dos dois países. Esse mecanismo servirá para monitorar os avanços e solucionar entraves comerciais de forma ágil. Segundo Haddad, a expectativa é de que, nos próximos dois anos, o comércio bilateral possa crescer 30%, impulsionado por maior integração produtiva e pela redução de custos de transação.

O encontro também reforçou a disposição dos dois governos em atuar conjuntamente em temas como a reforma da arquitetura financeira internacional e o combate à evasão fiscal. A presidenta do México agradeceu a visita e reafirmou o compromisso de seu país em fortalecer os laços com o Brasil, que considera um parceiro estratégico fundamental na América do Sul.

Principais pontos do encontro

  • Ampliação do comércio: eliminação de tarifas e harmonização de regras sanitárias.
  • Investimentos em infraestrutura: participação mexicana em concessões brasileiras.
  • Cooperação energética: hidrogênio verde, eólicas e eficiência energética.
  • Agenda climática conjunta: preparação para a COP30 e financiamento verde.
  • Mecanismo de consulta: reuniões periódicas para monitorar acordos.

Perguntas frequentes

Quais foram os principais temas tratados na reunião?

Os temas centrais foram comércio bilateral, investimentos em infraestrutura, cooperação em energia e sustentabilidade, e o alinhamento de posições em fóruns multilaterais. A agenda incluiu ainda a eliminação de barreiras comerciais e a criação de um grupo de trabalho para transição energética.

Como essa conversa se insere nas relações bilaterais?

O encontro representa mais um passo no processo de reaproximação econômica entre Brasil e México, que vinha perdendo dinamismo nos últimos anos. Ele ocorre em um momento em que ambos os países buscam diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados extracontinentais.

Qual a importância do México para a economia brasileira?

O México é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na América Latina, depois da Argentina. É também um destino relevante para as exportações brasileiras de veículos, peças, aço e produtos químicos. A ampliação das relações pode gerar ganhos significativos de escala e competitividade para a indústria nacional.

O que muda para o comércio entre os dois países a partir deste encontro?

Foram estabelecidas bases para negociações técnicas que podem resultar na redução de tarifas de importação e na simplificação de procedimentos alfandegários. A expectativa é de que, com o novo canal de diálogo permanente, as empresas dos dois países tenham mais previsibilidade e menores custos para comercializar.

Há previsão de novos acordos formais?

Sim, Haddad e Sheinbaum concordaram em avançar com a negociação de um acordo de cooperação em investimentos e de um memorando para facilitar o comércio de serviços. Além disso, está sendo estudada a criação de um fundo bilateral de financiamento para projetos de infraestrutura sustentável.