Hoje é Dia: Voz do Brasil e direitos das mulheres negras são destaques

O quadro Hoje é Dia do Zoom News reúne, nesta edição, duas temáticas de grande relevância histórica e social: a trajetória da Voz do Brasil — o programa de rádio mais antigo do país em atividade — e as lutas e conquistas das mulheres negras por direitos, igualdade e representatividade no Brasil. A seguir, confira os principais marcos, personagens e reflexões sobre cada um desses temas.

A Voz do Brasil: comunicação pública que atravessa gerações

Criada em 22 de julho de 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, a Voz do Brasil nasceu com o nome de Programa Nacional do Brasil. Seu objetivo original era integrar o território nacional por meio da radiodifusão, levando informações oficiais do governo a todas as regiões do país, muitas delas ainda isoladas na década de 1930.

Nove décadas depois, a Voz do Brasil segue no ar de segunda a sexta-feira, das 19h às 20h (horário de Brasília), com transmissão obrigatória em cadeia nacional pelas emissoras de rádio. É o programa radiofônico mais longevo do Brasil e um dos mais antigos em atividade no mundo, ao lado de programas como o britânico Desert Island Discs (BBC, 1942).

Desde 2015, o programa passou por uma reformulação significativa. A grade foi dividida em três blocos distintos, cada um sob responsabilidade de um dos Poderes da República: o bloco do Executivo, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência; o bloco do Judiciário, organizado pelo Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores; e o bloco do Legislativo, com matérias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Apesar de sua longevidade, a Voz do Brasil não escapa de críticas e debates. Em diversas ocasiões, parlamentares e entidades de radiodifusão propuseram a redução do tempo de transmissão ou o fim da obrigatoriedade. Defensores do programa argumentam que ele cumpre um papel estratégico de comunicação pública, especialmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos, onde o acesso à informação ainda é limitado.

Segundo dados do IBGE, cerca de 60% dos domicílios brasileiros ainda possuem rádio, e a Voz do Brasil continua sendo, para muitas comunidades do interior e da Amazônia Legal, uma das principais fontes diárias de notícias sobre os três Poderes e sobre políticas públicas federais.

Mulheres negras e a luta por direitos no Brasil

A história das mulheres negras no Brasil é marcada por séculos de resistência, desde o período da escravidão até as atuais batalhas por equidade racial e de gênero. Figuras emblemáticas como Dandara dos Palmares e Tereza de Benguela lideraram comunidades quilombolas e se tornaram símbolos de coragem e organização política.

Tereza de Benguela, que viveu no século XVIII, comandou o Quilombo do Quariterê, na região do atual Mato Grosso. Sob sua liderança, a comunidade desenvolveu um sistema político, econômico e militar próprio, resistindo às investidas coloniais por décadas. Em sua homenagem, a Lei 12.987, de 2 de junho de 2014, instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrado em 25 de julho, mesma data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — estabelecido em 1992 durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana.

No campo intelectual e político, Lélia Gonzalez (1935-1994) foi uma das vozes mais potentes do feminismo negro brasileiro. Antropóloga, professora e ativista, Gonzalez articulou criticamente as categorias de raça, gênero e classe, denunciando o racismo estrutural e o sexismo presentes na sociedade brasileira. Sua obra permanece fundamental para os estudos de gênero e relações raciais no país.

Outras referências essenciais incluem a escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora de Quarto de Despejo, relato contundente da vida na favela; a médica e líder política Luiza Mahin, figura central nas revoltas negras do século XIX na Bahia; e, mais recentemente, intelectuais e ativistas como Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro e Marielle Franco, cujo legado segue inspirando gerações.

No plano legal, o Brasil avançou com importantes instrumentos normativos. A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas de ensino fundamental e médio. Já o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288, de 20 de julho de 2010) estabeleceu diretrizes para a promoção da igualdade de oportunidades e o combate à discriminação racial em diversas áreas, incluindo saúde, educação, moradia e mercado de trabalho.

Apesar dos avanços, as mulheres negras ainda enfrentam indicadores sociais desfavoráveis. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres negras têm as menores médias salariais entre todos os grupos demográficos no Brasil e são as mais afetadas pelo desemprego e pela violência doméstica. A sub-representação nos espaços de poder — Congresso Nacional, judiciário, executivo municipal — também permanece como desafio estrutural.

Comunicação, memória e representatividade

A aproximação entre os dois temas destacados nesta edição do Hoje é Dia não é casual. A Voz do Brasil, enquanto veículo histórico de comunicação pública, tem o potencial de amplificar pautas sociais e dar visibilidade a grupos historicamente marginalizados. Iniciativas recentes dentro do programa, como espaços dedicados a direitos humanos e diversidade, buscam refletir a pluralidade da sociedade brasileira.

As efemérides, por sua vez, cumprem um papel essencial na preservação da memória cultural e política do país. Datas como o aniversário da criação da Voz do Brasil e o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha não apenas marcam o calendário, mas convidam a sociedade a refletir sobre o passado, o presente e os caminhos possíveis para uma nação mais justa e inclusiva.

Principais datas e marcos históricos

  • 22 de julho de 1935 — Criação da Voz do Brasil (Programa Nacional do Brasil) pelo Decreto 21.111, durante o governo Vargas.
  • 25 de julho de 1992 — Instituição do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas em Santo Domingo.
  • 9 de janeiro de 2003 — Lei 10.639, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana.
  • 20 de julho de 2010 — Lei 12.288, que institui o Estatuto da Igualdade Racial.
  • 2 de junho de 2014 — Lei 12.987, que institui o Dia Nacional de Tereza de Benguela.
  • 2015 — Reformulação da Voz do Brasil com a divisão em blocos dos três Poderes da República.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a Voz do Brasil? É o programa de rádio mais antigo do Brasil em atividade. Criado em 1935, é transmitido em rede obrigatória de segunda a sexta, das 19h às 20h, trazendo informações oficiais dos três Poderes da República.
Por que o Dia da Mulher Negra é celebrado em 25 de julho? A data foi instituída em 1992 durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas em Santo Domingo. No Brasil, o mesmo dia homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII.
Quem foi Tereza de Benguela? Tereza de Benguela foi a líder do Quilombo do Quariterê, localizado na região do atual Mato Grosso, durante o século XVIII. Sob seu comando, a comunidade desenvolveu um sistema político e econômico próprio e resistiu às forças coloniais.
A Voz do Brasil ainda é obrigatória? Sim, a transmissão da Voz do Brasil continua obrigatória em cadeia nacional para as emissoras de rádio, no horário das 19h às 20h, de acordo com a legislação vigente.
O que diz a Lei 10.639/2003? A Lei 10.639/2003 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para tornar obrigatório, nas escolas de ensino fundamental e médio, o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, incluindo o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil e a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política.
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