O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, desacelerou pelo segundo mês consecutivo e registrou alta de 0,43% em abril. O resultado veio abaixo do observado em março (0,56%) e representa o menor índice para o mês de abril desde 2020, confirmando uma tendência de arrefecimento nos preços ao consumidor.
O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,45% para o período. A desaceleração foi puxada principalmente pelo comportamento dos preços nos grupos de Transportes e Habitação.
Alimentação e saúde pressionam o orçamento
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal impacto no bolso do consumidor em abril, com alta de 0,60%. Destaque para a alimentação no domicílio, que acelerou em relação ao mês anterior, puxada por itens específicos que sentiram o efeito de questões sazonais e logísticas.
Entre os alimentos que mais subiram estão a cebola (15,9%), o tomate (8,5%) e o café moído (2,8%). Esses três itens concentraram grande parte da pressão sobre o índice do grupo. Por outro lado, a alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,32%, aliviando parcialmente o indicador.
Outro grupo que pesou no orçamento das famílias foi Saúde e cuidados pessoais, com variação de 0,78%. Os planos de saúde tiveram reajuste médio de 1,10% no período, enquanto os produtos de higiene pessoal subiram 0,61%, refletindo reajustes represados e aumento de custos de insumos.
Transportes aliviam, com queda nas passagens aéreas
Do lado das boas notícias para o consumidor, o grupo Transportes desacelerou de 1,02% em março para 0,38% em abril. A forte queda nos preços das passagens aéreas (-8,36%) foi o principal fator por trás desse alívio, influenciada pela menor demanda após o pico da Semana Santa e do feriado de Tiradentes.
Os combustíveis, que tanto pressionaram o índice nos meses anteriores, subiram menos (0,18%) em comparação ao registrado em março (0,89%). O etanol caiu 0,28%, enquanto a gasolina subiu 0,21% e o diesel, 0,07%. A relativa estabilidade nos preços dos combustíveis reflete a política de preços da Petrobras e a acomodação do mercado internacional de petróleo.
Acumulado em 12 meses e expectativas
Com o resultado de abril, o IPCA acumula alta de 1,91% no ano e de 4,18% nos últimos 12 meses. O índice anualizado mantém-se dentro da banda de tolerância do sistema de metas de inflação, que tem centro em 3,0% e teto de 4,5%. Apesar de ainda acima do centro da meta, a trajetória de desaceleração observada nos últimos dois meses é vista com bons olhos pelo Banco Central.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a desaceleração da inflação corrente reforça a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa dar início a um ciclo de cortes na taxa Selic já nas próximas reuniões. Uma Selic mais baixa tende a estimular a economia, reduzindo o custo do crédito e incentivando o consumo e o investimento, sem pressionar excessivamente os preços no curto prazo.
Regionalmente, a maior variação foi registrada em Goiânia (0,87%), puxada pela alta dos combustíveis e da energia elétrica. Já a menor alta foi observada em São Luís (0,33%). O resultado mostra que a inflação perde força de forma disseminada pelo país, embora com diferenças regionais importantes.
O que esperar para os próximos meses?
A tendência para os próximos meses é de continuidade da desaceleração do IPCA, especialmente se o câmbio se mantiver estabilizado e não houver novos choques de oferta no mercado de alimentos ou combustíveis. A safra de grãos, que começa a ser colhida no segundo semestre, pode contribuir para a queda dos preços de alimentos in natura.
Por outro lado, o mercado segue atento à política fiscal do governo e ao comportamento da inflação de serviços, que tradicionalmente é mais resistente a quedas. O acompanhamento dos núcleos de inflação será crucial para o Copom calibrar o ritmo dos juros nos próximos meses.
Perguntas frequentes sobre a inflação em abril
O que é o IPCA?
É o índice oficial de inflação do Brasil, calculado pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas do país.
Por que a inflação está caindo?
A queda nos preços dos transportes, especialmente passagens aéreas e combustíveis, aliada a uma desaceleração em alimentos processados e serviços, contribuiu para o alívio inflacionário nos últimos dois meses. A política monetária contracionista do Banco Central também ajuda a ancorar as expectativas.
A inflação de 0,43% é boa para o consumidor?
Sim, uma inflação controlada preserva o poder de compra do consumidor e permite um planejamento financeiro de longo prazo mais previsível. No entanto, itens essenciais como cebola, tomate e café ainda apresentam altas significativas que pesam no orçamento das famílias de menor renda.
Qual a previsão para a inflação em 2025?
O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, indica que o mercado espera uma inflação ao redor de 4,0% para o fechamento de 2025, dentro da banda de tolerância da meta. A trajetória dependerá do câmbio, dos preços das commodities e da condução da política fiscal.