A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu 0,5% em junho na comparação com maio, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador, que mede a percepção dos consumidores sobre sua capacidade de consumo, foi impulsionado pela melhora no mercado de trabalho e pelo controle da inflação. Com o resultado, o ICF mantém-se em território otimista, sinalizando que as famílias brasileiras estão mais confiantes para realizar compras e assumir compromissos financeiros.
O que é o ICF?
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é um indicador econômico criado pela CNC em 2010. Ele varia de 0 a 200, sendo que valores acima de 100 indicam otimismo. O índice é composto por sete subitens: renda atual, emprego atual, consumo atual, perspectiva de consumo, momento para compra de bens duráveis, acesso ao crédito e perspectiva profissional. Cada item recebe uma pontuação, e a média ponderada forma o índice geral.
A pesquisa é realizada mensalmente em todas as capitais brasileiras, com cerca de 18 mil famílias entrevistadas. Os dados são coletados por telefone e presencialmente, e os resultados são divulgados cerca de 20 dias após o fechamento da coleta. Por sua abrangência e regularidade, o ICF é uma ferramenta importante para analisar o comportamento do consumidor e antecipar tendências do varejo.
A alta de 0,5% em junho
Em junho, o ICF registrou alta de 0,5% em relação a maio, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento. Embora a CNC não tenha divulgado o valor exato do índice, a entidade destacou que o resultado foi influenciado positivamente pela melhora da renda familiar e pela estabilidade do emprego. O subitem “emprego atual” foi um dos que mais contribuíram, refletindo a redução da taxa de desemprego no país, que caiu para 7,5% no trimestre encerrado em maio, segundo o IBGE.
Na comparação com junho do ano anterior, o ICF também apresentou avanço, confirmando uma trajetória de recuperação gradual da confiança do consumidor. O desempenho positivo do indicador nos últimos meses sugere que as famílias estão menos cautelosas e mais dispostas a gastar, o que é um sinal favorável para a atividade econômica como um todo.
Fatores que explicam o crescimento
Diversos fatores contribuíram para a elevação da intenção de consumo das famílias em junho. Entre os principais, destacam-se:
- Mercado de trabalho aquecido: a geração de empregos formais segue robusta, com saldo positivo de mais de 130 mil vagas em maio, puxada pelos setores de serviços e comércio. O aumento da ocupação eleva a renda disponível e a confiança do consumidor.
- Inflação sob controle: o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,9% em maio, dentro da meta e abaixo do teto de 4,5%. A desaceleração dos preços dos alimentos e dos combustíveis tem preservado o poder de compra das famílias.
- Juros em queda: a taxa Selic, atualmente em 10,5% ao ano, caiu 0,5 ponto percentual na reunião de junho do Copom. A redução dos juros facilita o acesso ao crédito e estimula a compra de bens duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e imóveis.
- Melhora na confiança do consumidor: outros indicadores, como o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV, também mostram alta, reforçando um ciclo virtuoso de otimismo que se reflete no ICF.
Impacto no varejo e na economia
A alta da intenção de consumo é um termômetro importante para o setor varejista. Com consumidores mais dispostos a gastar, as vendas no varejo tendem a crescer, especialmente em segmentos como supermercados, vestuário e eletroeletrônicos. A CNC projeta que o volume de vendas do comércio varejista should encerrar 2025 com alta de 2,5% a 3,0%, impulsionado pelo ICF positivo.
Além disso, o aumento do consumo das famílias contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), já que o consumo privado responde por cerca de 60% da economia brasileira. Portanto, a trajetória ascendente do ICF pode ajudar a consolidar a recuperação econômica iniciada em 2024.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, a expectativa é de que a intenção de consumo continue em trajetória positiva, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e pela inflação sob controle. A CNC projeta que o ICF encerre o ano em patamar superior ao de 2024, possivelmente acima dos 110 pontos, dependendo da evolução dos juros e da atividade econômica.
No entanto, riscos externos e internos podem afetar o cenário. A volatilidade cambial decorrente de tensões comerciais internacionais, como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, pode gerar pressão inflacionária e reduzir o poder de compra. Além disso, a indefinição sobre o novo arcabouço fiscal e as eleições de 2026 podem trazer incertezas que inibam o consumo de bens de maior valor.
Diante disso, o consumidor brasileiro deve manter cautela, priorizando o planejamento financeiro e o controle do endividamento. Apesar dos sinais positivos, a recuperação plena da confiança dependerá da manutenção das condições macroeconômicas favoráveis.
Perguntas frequentes sobre o ICF
- Como o ICF é calculado?
- O ICF é calculado com base em uma pesquisa mensal realizada pela CNC em todas as capitais brasileiras. São entrevistadas cerca de 18 mil famílias, que respondem a perguntas sobre renda, emprego, consumo e crédito. Cada resposta é convertida em uma pontuação de 0 a 200, e o índice final é a média ponderada dos sete subitens.
- Para que serve o ICF?
- O indicador serve como termômetro para o varejo e para a formulação de políticas econômicas, ajudando a antecipar tendências de consumo e crescimento econômico. Varejistas e analistas acompanham o ICF para planejar estoques, campanhas de marketing e investimentos. O governo também utiliza o índice para avaliar o impacto de medidas econômicas sobre a população.
- O que significa um ICF acima de 100?
- Quando o índice está acima de 100, indica que as famílias estão otimistas em relação à sua capacidade de consumo. Valores abaixo de 100 indicam pessimismo. O ICF brasileiro tem oscilado perto da linha dos 100 pontos nos últimos meses, refletindo a recuperação gradual da economia. Em junho, o índice provavelmente ficou entre 105 e 110 pontos, segundo estimativas de mercado.
- Qual a diferença entre ICF e ICC?
- O ICF é focado na intenção de consumo e na capacidade de compra das famílias, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela FGV, captura um espectro mais amplo de expectativas sobre a economia, incluindo situação atual e perspectivas futuras. Ambos são complementares e costumam andar na mesma direção.
- Como o ICF impacta o mercado financeiro?
- Um ICF em alta tende a ser visto positivamente pelo mercado, pois sinaliza maior consumo e aquecimento da economia. Isso pode beneficiar ações de empresas varejistas e de bens de consumo. Por outro lado, se o consumo cresce muito rápido, pode gerar pressão inflacionária, levando o Banco Central a elevar os juros – o que impactaria negativamente a renda fixa e a bolsa.
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