Itaipu aposta em energias renováveis e quer dobrar capacidade: entenda o plano

A usina hidrelétrica de Itaipu Binacional, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, sempre foi sinônimo de energia limpa e renovável. No entanto, a maior geradora de energia do planeta não quer ficar restrita à força das águas do rio Paraná. Em um movimento estratégico, a empresa anunciou um robusto plano de investimentos em fontes alternativas, como energia solar flutuante, eólica, biogás e hidrogênio verde. O objetivo é ambicioso: dobrar a capacidade total de geração de energia nos próximos anos, consolidando a usina como um verdadeiro hub de energias renováveis na América Latina.

O plano de expansão surge em um momento em que o mundo discute a descarbonização da matriz elétrica e a segurança energética. A Itaipu, que responde por cerca de 8% da energia consumida no Brasil e mais de 10% no Paraguai, quer se manter na vanguarda da transição energética.

Por que a Itaipu está diversificando sua matriz?

A dependência exclusiva da hidroeletricidade expõe a geração a riscos climáticos, como secas prolongadas que reduzem o nível dos reservatórios e afetam a capacidade de produção. A diversificação da matriz é uma forma de garantir a segurança energética e a sustentabilidade financeira da binacional. Além disso, o mercado global de energia caminha para fontes descentralizadas e de baixo carbono. A Itaipu, que já produz cerca de 90 milhões de MWh por ano, busca se antecipar a essa tendência, criando novas fontes de receita e reduzindo sua pegada de carbono.

Ao investir em renováveis não convencionais, a usina também se prepara para um futuro em que o hidrelétrico pode perder espaço relativo na matriz mundial. A ideia é que a Itaipu deixe de ser apenas uma usina e se torne uma plataforma de soluções energéticas limpas.

As principais apostas em renováveis

O portfólio de novos projetos da Itaipu é variado e abrange tecnologias em diferentes estágios de maturidade. Conheça as principais frentes de expansão:

  • Energia Solar Flutuante: O projeto mais emblemático é a instalação de painéis solares sobre o espelho d'água do reservatório. A tecnologia já foi testada em escala piloto e mostrou resultados promissores. A vantagem é dupla: gera energia sem ocupar terras agricultáveis e reduz a evaporação da água, aumentando a eficiência da usina. A meta é instalar potência suficiente para abastecer uma grande cidade.
  • Hidrogênio Verde (H2V): A Itaipu já opera uma planta-piloto de produção de hidrogênio verde utilizando energia solar e hidrelétrica. O plano é escalar a produção para fornecer combustível limpo para a indústria pesada, frotas de ônibus e até mesmo para a aviação. A região Oeste do Paraná, com forte presença do agronegócio e logística estruturada, é vista como um mercado natural para o H2V.
  • Eólica e Biogás: Estudos de mapeamento eólico estão em andamento para identificar os melhores pontos para parques de turbinas na região. Paralelamente, a usina investe em biodigestores que transformam resíduos da suinocultura e avicultura em biogás e biometano, gerando energia elétrica e térmica para comunidades locais e para a própria operação da usina.

Como a Itaipu planeja dobrar a capacidade?

É importante entender que "dobrar a capacidade" não significa simplesmente construir 20 novas turbinas. A potência instalada atual de Itaipu é de 14 GW. O plano é atingir o equivalente a mais 14 GW por meio da soma de todas as novas fontes renováveis em um horizonte de 10 a 15 anos. Isso inclui a construção de grandes parques solares flutuantes e terrestres, usinas eólicas e a produção em larga escala de hidrogênio verde. Seria como construir uma nova "Itaipu solar e eólica" em paralelo à hidrelétrica, somando ao portfólio da empresa.

A abordagem da binacional não é substituir a hidrelétrica, mas sim complementá-la. As fontes intermitentes (solar e eólica) serão equilibradas pela geração hidrelétrica, que funciona como uma enorme bateria natural, capaz de regularizar o fornecimento de energia para o sistema elétrico.

Impactos econômicos e ambientais para o Brasil e o Paraguai

A expansão da Itaipu no campo das energias renováveis deve gerar impactos profundos na região. Estima-se a criação de milhares de empregos diretos e indiretos na construção e operação das novas plantas. O aumento da geração significa maior pagamento de royalties aos dois países, impulsionando investimentos em educação, saúde e infraestrutura. O projeto também reforça o compromisso do Brasil com as metas do Acordo de Paris e posiciona a Itaipu como referência global em inovação no setor elétrico, demonstrando que é possível conciliar grande escala com sustentabilidade.

Perguntas Frequentes sobre a expansão da Itaipu

A Itaipu vai parar de gerar energia hidrelétrica?
Não. A hidrelétrica continuará sendo a base da geração de energia da usina. O investimento em outras fontes renováveis é um complemento estratégico para diversificar a matriz, aumentar a capacidade total instalada e garantir a segurança energética diante de variações climáticas.
Qual é o prazo para que a capacidade seja efetivamente dobrada?
O plano de expansão é de longo prazo, com horizonte estimado entre 10 e 15 anos. As primeiras grandes entregas, como a conclusão de parques solares flutuantes de grande porte, são esperadas para os próximos 3 a 5 anos.
O investimento em renováveis vai aumentar a conta de luz do consumidor?
Não há indicação de que os custos sejam repassados diretamente ao consumidor. Os investimentos são financiados com recursos próprios da Itaipu e por meio de parcerias público-privadas. Além disso, a diversificação da matriz tende a baratear o custo da energia no longo prazo, ao reduzir a dependência de termelétricas fósseis em períodos de seca.