O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente, em seu discurso na abertura da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a redução do apoio dos países ricos ao desenvolvimento das nações mais pobres. Lula afirmou que os cortes na ajuda internacional representam “um retrocesso inaceitável” em um momento em que o mundo enfrenta crises simultâneas de fome, clima e conflitos armados.
“Não é possível que os países ricos prometam destinar 0,7% do seu Produto Interno Bruto para ajuda ao desenvolvimento e, na prática, diminuam cada vez mais esses recursos”, disse o presidente. “Isso não é solidariedade. Isso é abandono de bilhões de pessoas que vivem na pobreza extrema.”
Lula lembrou que o Brasil, mesmo enfrentando desafios internos, tem intensificado a cooperação com países africanos e latino-americanos nas áreas de agricultura familiar, segurança alimentar, saúde pública, educação e transferência de tecnologia. “A cooperação Sul-Sul é uma ferramenta concreta de transformação social e econômica”, ressaltou.
O descumprimento das metas de ajuda internacional
O presidente brasileiro destacou que a meta de 0,7% do PIB para ajuda oficial ao desenvolvimento foi definida há décadas pela ONU, mas a maioria dos países desenvolvidos nunca a cumpriu. “Alguns até reduziram seus orçamentos de cooperação, sob o argumento de crises domésticas. Mas as crises dos países ricos não podem justificar o abandono dos mais pobres”, criticou.
Lula apresentou dados gerais que mostram que a ajuda internacional caiu nos últimos anos em termos reais, enquanto as necessidades dos países vulneráveis cresceram com a pandemia de Covid-19, a inflação de alimentos e as mudanças climáticas.
Reforma das instituições financeiras globais
O discurso de Lula também defendeu a reforma urgente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Para o presidente, essas instituições impõem condições de austeridade que dificultam o crescimento dos países em desenvolvimento. “Precisamos de instituições que ofereçam financiamento justo, sem exigir cortes em saúde, educação e proteção social”, afirmou.
Lula sugeriu a criação de mecanismos de alívio da dívida para países de baixa renda, liberando recursos para investimentos em infraestrutura e programas sociais.
O papel do Brasil e da cooperação Sul-Sul
O presidente reafirmou o compromisso do Brasil com a cooperação internacional, destacando programas como o Mais Alimentos (que leva tecnologia agrícola à África), o projeto de fortalecimento de sistemas de saúde em países lusófonos e as parcerias educacionais por meio do Instituto Paulo Freire. “O Brasil não é um país rico, mas temos a obrigação de compartilhar o que sabemos”, disse.
Ele também criticou a redução de contribuições brasileiras a organismos multilaterais, mas garantiu que o governo está trabalhando para retomar o protagonismo do país na agenda do desenvolvimento.
Impactos da diminuição da ajuda
A redução do apoio internacional ao desenvolvimento afeta diretamente programas essenciais nos países mais pobres. De acordo com organizações internacionais, milhões de crianças perderam acesso à vacinação, escolas fecharam por falta de recursos e a insegurança alimentar aumentou em regiões como o Sahel africano e o Sudeste Asiático.
Lula citou exemplos de nações africanas que dependem da ajuda externa para financiar merenda escolar e distribuição de medicamentos. “Cada dólar cortado significa vidas perdidas, futuros destruídos”, alertou.
Apelo à comunidade internacional
Ao encerrar seu discurso, Lula fez um apelo direto aos líderes mundiais: “Peço que cada nação rica olhe para dentro de si e se pergunte se está fazendo o suficiente. A história nos julgará não pelo que acumulamos, mas pelo que compartilhamos.”
O presidente reforçou a necessidade de cumprir a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que exigem financiamento e vontade política. “Sem solidariedade global, os ODS serão apenas promessas vazias”, concluiu.
Principais pontos do discurso
- Crítica à redução da ajuda internacional ao desenvolvimento
- Defesa do cumprimento da meta de 0,7% do PIB
- Reforma do FMI e do Banco Mundial
- Ampliação da cooperação Sul-Sul
- Alívio da dívida para países pobres
- Retomada dos compromissos com a Agenda 2030
Perguntas frequentes sobre o posicionamento de Lula
1. Por que Lula criticou a redução do apoio ao desenvolvimento?
O presidente considera que a diminuição da ajuda internacional agrava as desigualdades e compromete o progresso dos países mais pobres, especialmente após os impactos da pandemia.
2. O que Lula propõe como alternativa?
Lula defende o cumprimento das metas de ajuda, a reforma das instituições financeiras globais e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul.
3. O Brasil também reduz sua cooperação?
Pelo contrário, segundo Lula, o Brasil tem ampliado a cooperação técnica com países em desenvolvimento, apesar das limitações orçamentárias.
4. Qual foi a repercussão do discurso?
O discurso foi bem recebido por representantes de países em desenvolvimento, mas encontrou resistência entre delegações de nações ricas.
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