Lula defende metas para aumentar fluxo comercial entre Brasil e França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante agenda oficial na França, o estabelecimento de metas concretas para elevar o fluxo comercial bilateral. Em reuniões com o presidente Emmanuel Macron e representantes do setor produtivo francês, Lula propôs uma nova fase na parceria econômica, com foco em inovação, transição energética e defesa.

Uma agenda ambiciosa para o comércio bilateral

Lula defendeu a meta de duplicar o comércio bilateral nos próximos anos, saindo do patamar atual de cerca de € 8 bilhões para aproximadamente € 15 bilhões. Para viabilizar esse crescimento, o presidente propôs a criação de um comitê bilateral de alto nível com o objetivo de remover obstáculos tarifários e regulatórios. A agenda inclui a diversificação da pauta de exportações brasileiras, tradicionalmente concentrada em produtos básicos, com a inclusão de manufaturas, serviços e tecnologia.

Durante encontro com empresários na Câmara de Comércio França-Brasil, Lula destacou que o Brasil oferece um ambiente de negócios estável e oportunidades em setores estratégicos. "Queremos que a França veja o Brasil como um parceiro confiável para investimentos de longo prazo, não apenas como um fornecedor de commodities", afirmou o presidente.

Tecnologia, defesa e cooperação estratégica

Um dos pilares da nova fase da parceria é a ampliação da cooperação em tecnologia e defesa. O programa de desenvolvimento de submarinos convencionais e de propulsão nuclear, firmado entre os dois países, foi citado por Lula como um exemplo emblemático de transferência de tecnologia e confiança mútua. O presidente brasileiro sugeriu expandir a cooperação para incluir inteligência artificial, cibersegurança, energia nuclear para fins pacíficos e o programa espacial brasileiro.

A visita também avançou em discussões sobre a modernização dos caças da Força Aérea Brasileira e a participação de empresas francesas em projetos de infraestrutura logística no Brasil, como ferrovias e portos. "A França tem know-how que pode ajudar o Brasil a dar um salto em inovação industrial", completou Lula.

Meio ambiente e o impasse do acordo Mercosul-UE

Em um dos pontos mais aguardados da visita, Lula rebateu as críticas do presidente Macron em relação à política ambiental brasileira. O presidente brasileiro afirmou que o desmatamento na Amazônia caiu significativamente sob seu governo e que o Brasil cumpre rigorosamente seus compromissos climáticos. Ele cobrou que a França reconheça os avanços e deixe de impor barreiras comerciais disfarçadas de preocupação ambiental.

Lula deixou claro que o Acordo Mercosul-União Europeia é uma prioridade estratégica para o Brasil e que a França não deve continuar sendo o principal obstáculo para sua ratificação. "O acordo é bom para os dois lados. Ele vai gerar empregos, renda e desenvolvimento sustentável na América do Sul e na Europa. Não podemos deixar que questões pontuais impeçam um avanço histórico", declarou.

Energia e sustentabilidade como pilares do futuro

A pauta energética foi central na agenda de Lula. O Brasil quer ampliar as exportações de etanol e biocombustíveis para a França, além de atrair investimentos para a produção de hidrogênio verde e energia eólica offshore. O governo brasileiro apresentou um plano de incentivos fiscais para empresas francesas que investirem na produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e na descarbonização da indústria.

Empresas francesas do setor energético demonstraram interesse em participar de projetos de geração de energia renovável no Brasil, especialmente nos leilões de parques eólicos offshore previstos para os próximos anos. "O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo. Queremos compartilhar essa experiência e atrair capital estrangeiro para expandir ainda mais nossa capacidade de energia limpa", disse Lula.

Perspectivas para o futuro da relação Brasil-França

A visita de Lula resultou na assinatura de diversos memorandos de entendimento nas áreas de comércio, ciência, tecnologia, defesa e meio ambiente. Para o presidente brasileiro, a relação com a França é estratégica não apenas no aspecto econômico, mas também no fortalecimento do multilateralismo e na reforma das instituições de governança global, como a ONU e o Conselho de Segurança.

Analistas avaliam que o tom construtivo da visita sinaliza um novo patamar nas relações bilaterais. Embora persistam divergências – especialmente no campo comercial e ambiental –, há disposição mútua em aprofundar o diálogo e buscar soluções de compromisso. A expectativa é que uma comissão bilateral se reúna nos próximos meses para transformar as metas discutidas em planos de ação concretos.

Perguntas frequentes sobre a visita de Lula à França

Qual é o principal objetivo da nova meta comercial entre Brasil e França?
Duplicar o fluxo comercial nos próximos anos, priorizando setores de tecnologia, defesa, energia sustentável e agronegócio, além de reduzir barreiras tarifárias e regulatórias.

Como o acordo Mercosul-UE se relaciona com essa visita?
Lula usou a visita para pressionar a França a apoiar a ratificação do acordo Mercosul-UE, argumentando que o pacto é vital para a competitividade e o desenvolvimento sustentável de ambos os blocos econômicos.

Quais os principais desafios para aumentar o comércio Brasil-França?
Os principais entraves são as barreiras protecionistas francesas no setor agrícola, as divergências ambientais e a necessidade de alinhar regulamentações técnicas e sanitárias para facilitar o comércio de produtos industrializados.