O presidente Luiz Inácio Lula da Silva renovou, durante encontros diplomáticos recentes, o convite ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para que realize uma visita de Estado ao Brasil. O gesto reafirma a prioridade que o governo brasileiro atribui à relação com o país asiático, parceiro estratégico em diversas frentes globais, incluindo o Brics e a reforma da governança internacional.
A visita de Modi ao Brasil é vista como um passo natural no aprofundamento das relações bilaterais, que completam quase duas décadas de parceria estratégica. A expectativa é que o encontro sirva para consolidar acordos nas áreas de comércio, defesa, ciência e tecnologia, além de alinhar posições sobre temas como mudanças climáticas e inteligência artificial.
Parceria estratégica consolidada
Brasil e Índia mantêm uma parceria estratégica desde 2006, ampliada ao longo dos anos com cooperações em áreas como energia, agricultura, defesa, tecnologia espacial e fármacos. Os dois países são membros fundadores do Brics e do Fórum IBSA (Índia, Brasil, África do Sul), mecanismos que coordenam posições em temas como reforma da governança global e desenvolvimento sustentável.
Nos últimos anos, a cooperação bilateral se intensificou em setores de alta tecnologia. O Brasil e a Índia têm trabalhado juntos no desenvolvimento de satélites, na produção de biocombustíveis e na área farmacêutica, onde a Índia se destaca como fornecedora global de genéricos e o Brasil busca ampliar a capacidade de produção local.
Comércio e investimentos bilaterais
A corrente de comércio entre Brasil e Índia tem crescido de forma consistente. O Brasil exporta petróleo, produtos agrícolas, minérios e aeronaves, enquanto importa medicamentos, insumos químicos, componentes de tecnologia e têxteis. O Fórum Empresarial Brasil-Índia, criado em 2020, tem atuado para identificar novas oportunidades de negócios e remover barreiras comerciais.
A visita de Modi pode destravar novas rodadas de investimentos indianos no Brasil, especialmente em infraestrutura de TI, biocombustíveis e transformação digital. O Brasil, por sua vez, busca ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado indiano, com destaque para carnes, açúcar, etanol e celulose. A cooperação em biocombustíveis é um dos pilares mais promissores, com a Índia demonstrando grande interesse no modelo brasileiro de produção de etanol de cana-de-açúcar e na frota flex-fuel.
Agenda global comum
Brasil e Índia compartilham visões semelhantes sobre a necessidade de reformar as instituições multilaterais. Ambos os países defendem uma reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU, com a ampliação do número de membros permanentes para refletir a realidade geopolítica do século XXI.
No âmbito do Brics, o bloco tem discutido a ampliação do uso de moedas locais no comércio entre os países-membros, reduzindo a dependência do dólar. O Brasil assumiu a presidência rotativa do Brics em 2025, o que coloca o país como anfitrião de discussões decisivas para o futuro do grupo, incluindo a expansão do bloco e o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
As duas maiores democracias do Sul Global também convergem em temas como mudanças climáticas, defendendo o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e o financiamento climático por parte dos países desenvolvidos. A aliança entre Brasil e Índia é vista como essencial para dar voz às nações em desenvolvimento nos grandes fóruns internacionais.
Expectativas para a visita oficial
Embora a data oficial ainda não tenha sido confirmada, fontes diplomáticas indicam que a visita do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil deve ocorrer no segundo semestre de 2025, possivelmente coincidindo com a Cúpula do Brics, que será realizada em território brasileiro.
A agenda esperada inclui a assinatura de acordos nas áreas de defesa, ciência, tecnologia e agricultura, além de um grande fórum empresarial para aproximar investidores e empresários dos dois países. Também está nos planos a realização de eventos culturais para celebrar a rica herança cultural indiana, que tem forte presença no Brasil por meio da música, da dança, da ioga e da culinária.
A visita de Modi pode representar um marco nas relações bilaterais, elevando a parceria estratégica a um novo patamar e gerando benefícios concretos para as populações dos dois países.
Perguntas frequentes sobre a relação Brasil-Índia
Qual é o estado atual das relações entre Brasil e Índia?
As relações são consideradas estratégicas, com cooperação em diversas áreas como energia, defesa, tecnologia e agricultura. Os países atuam juntos no Brics, na ONU e em outras organizações multilaterais.
Quando deve acontecer a visita do primeiro-ministro indiano ao Brasil?
Não há data confirmada oficialmente, mas especula-se que ocorra ainda em 2025, possivelmente em conjunto com a Cúpula do Brics.
O que o Brasil espera ganhar com a visita?
O Brasil espera ampliar as exportações, atrair investimentos indianos em infraestrutura, tecnologia e biocombustíveis, e fortalecer a aliança em temas de governança global.
Como o Brics influencia essa parceria?
O Brics é a principal plataforma de coordenação política entre os dois países. A presidência brasileira do bloco em 2025 oferece uma janela de oportunidade para aprofundar a agenda bilateral e multilateral.