O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou nesta semana uma ofensiva diplomática para abrir novos mercados para os produtos agropecuários brasileiros. A estratégia visa reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos, que recentemente impuseram tarifas e barreiras comerciais a diversos itens nacionais.
Segundo o Mapa, a equipe técnica já está em contato com representantes de países da Ásia, Europa e Oriente Médio. Missões comerciais estão sendo organizadas para China, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A meta é ampliar a carteira de compradores de carnes, grãos, café, frutas e produtos processados.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa destacou que a pasta trabalha para acelerar acordos sanitários e fitossanitários, permitindo que mais plantas frigoríficas e unidades processadoras sejam habilitadas para exportar. A pasta informou que está priorizando mercados com potencial de crescimento e que reconheçam a qualidade do agro brasileiro.
A diversificação também passa pelo fortalecimento de blocos multilaterais. O Brasil pretende avançar nas negociações do acordo Mercosul-União Europeia e ampliar as trocas com os países do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A expectativa é que o comércio com essas nações possa compensar eventuais perdas no mercado americano.
Especialistas consultados avaliam que a iniciativa é positiva, mas destacam a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária, logística e certificação de qualidade. O Mapa informou que já solicitou ao Ministério da Economia recursos adicionais para ações de promoção comercial e participação em feiras internacionais.
A decisão de buscar novos mercados ocorre em um contexto de tensões comerciais globais, com os Estados Unidos adotando medidas protecionistas que afetam diretamente o agronegócio brasileiro. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, e a capacidade de resposta rápida do Mapa é vista como fundamental para manter a competitividade do setor.
O anúncio foi bem recebido por associações do agronegócio, que veem na diversificação uma oportunidade de crescimento de longo prazo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacou que a abertura de novos mercados é uma pauta antiga do setor e que a atual conjuntura exige agilidade.
Com as primeiras missões previstas para os próximos meses, o governo espera consolidar novas parcerias ainda em 2025. O Mapa também planeja intensificar as negociações com países africanos e do Sudeste Asiático, regiões que demandam volumes crescentes de alimentos.