Mercadante destaca papel do BNDES para pesquisa e inovação

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, durante entrevista coletiva

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, voltou a defender nesta semana o papel estratégico da instituição no fomento à pesquisa científica, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável do Brasil. Em discurso durante evento sobre ciência e tecnologia realizado em Brasília, Mercadante destacou que o banco público vive um novo ciclo de apoio à economia do conhecimento, com linhas de crédito específicas, participação acionária em ventures de base tecnológica e parcerias com universidades e centros de pesquisa.

“O BNDES não é apenas um banco de infraestrutura e indústria pesada. Nós temos um compromisso histórico com a inovação brasileira. Estamos ampliando o BNDES Funtec, fortalecendo o programa BNDES Inovação e criando mecanismos mais ágeis para financiar startups, deep techs e projetos de pesquisa aplicada nas universidades federais e estaduais”, afirmou Mercadante. A fala ocorre em um momento em que o governo federal busca retomar o protagonismo do Estado no incentivo à ciência como motor do desenvolvimento de longo prazo.

O papel estratégico do BNDES no fomento à inovação

Criado em 1952, o BNDES sempre teve entre suas missões o apoio ao desenvolvimento industrial brasileiro. Nas últimas décadas, no entanto, a instituição ampliou significativamente sua atuação na área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Hoje, o banco opera com diversas linhas de financiamento que cobrem desde a pesquisa básica nas universidades até a escalada comercial de produtos inovadores.

Segundo Mercadante, o banco está comprometido em desburocratizar o acesso ao crédito para inovação. “Não adianta ter recursos disponíveis se o processo for tão complexo que inviabilize o uso. Estamos simplificando procedimentos, reduzindo prazos de análise e criando produtos sob medida para o ecossistema de inovação brasileiro”, explicou. A declaração reforça a percepção de que o BNDES busca se reposicionar como um indutor do empreendedorismo tecnológico no país, em sintonia com as políticas dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC).

Programas de apoio à pesquisa científica e tecnológica

Entre os principais instrumentos do BNDES voltados à inovação, destacam-se:

BNDES Funtec – Fundo de Estruturação de Projetos de CT&I que financia pesquisas aplicadas em instituições de ensino e pesquisa, sem exigência de contrapartida financeira imediata. O fundo já apoiou projetos em áreas como saúde, energia renovável, agricultura digital e mobilidade urbana.

BNDES Inovação – Linha de crédito com condições diferenciadas (taxas reduzidas e prazos alongados) para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D) interno, prototipagem, registro de patentes e industrialização de novos produtos.

BNDES MPME Inovadora – Programa voltado a micro, pequenas e médias empresas que desejam incorporar inovação em seus processos produtivos ou lançar novos produtos no mercado.

Participação acionária em fundos de venture capital – O BNDES, por meio de sua subsidiária BNDESPar, investe em fundos de capital de risco que aportam recursos em startups brasileiras de base tecnológica, especialmente nos setores de biotecnologia, inteligência artificial, cleantech e saúde digital.

Parcerias com universidades e centros de pesquisa

Outro ponto enfatizado por Mercadante foi a importância das parcerias entre o BNDES e o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. O banco mantém convênios com universidades federais, estaduais e institutos de pesquisa para apoiar projetos em áreas estratégicas. “A inovação no Brasil não acontece sem as universidades. É nos laboratórios das nossas instituições de ensino que nascem as soluções para os problemas mais complexos do país”, disse.

Mercadante citou como exemplos bem-sucedidos os investimentos do BNDES em projetos de pesquisa na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em várias dessas instituições, o banco financiou desde a infraestrutura de laboratórios até bolsas de pesquisa e programas de intercâmbio científico.

O presidente do BNDES também anunciou que o banco está estruturando um novo edital do BNDES Funtec voltado especificamente para projetos de pesquisa em inteligência artificial aplicada ao setor público, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O edital deve ser lançado ainda no segundo semestre de 2025, com dotação inicial de R$ 200 milhões.

Impacto nos setores produtivos

Os investimentos do BNDES em pesquisa e inovação têm impacto direto na competitividade da indústria brasileira. De acordo com dados recentes do banco, a cada R$ 1 investido em projetos de inovação financiados pelo BNDES, há um retorno médio de R$ 3,50 em aumento de produtividade e faturamento das empresas apoiadas.

Setores como o agronegócio, a indústria farmacêutica, a tecnologia da informação e a energia limpa estão entre os que mais se beneficiam dos programas do banco. Empresas brasileiras de pequeno e médio porte têm acesso a recursos que, de outra forma, seriam inviáveis por meio do sistema financeiro tradicional, dadas as particularidades do financiamento à inovação (risco elevado, prazos longos de maturação e incerteza tecnológica).

“O BNDES tem um papel anticíclico fundamental. Em momentos de restrição de crédito no mercado, o banco público consegue manter o fluxo de recursos para projetos estratégicos de CT&I. Isso gera emprego qualificado, renda e soberania tecnológica para o país”, afirmou Mercadante.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, Mercadante reconheceu que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais para consolidar um ecossistema de inovação robusto. Entre eles, citou a baixa taxa de investimento privado em P&D (cerca de 0,6% do PIB, contra 2,5% em países da OCDE), a burocracia excessiva em alguns marcos legais e a necessidade de maior integração entre o setor produtivo e as universidades.

“Precisamos de uma política de Estado de longo prazo para a inovação, que ultrapasse governos e ciclos eleitorais. O BNDES está disposto a ser o braço financeiro dessa política, mas é necessário que haja coordenação entre os ministérios, as agências reguladoras, o Congresso Nacional e o setor privado”, disse.

O presidente do BNDES também defendeu a aprovação do marco legal das startups e do projeto de lei que cria o Programa de Aceleração da Inovação (PAI), atualmente em tramitação no Congresso Nacional. “Esses instrumentos vão dar mais segurança jurídica para investidores e empreendedores, além de facilitar a contratação de projetos inovadores pelo setor público”, concluiu.

Pontos-chave

  • Mercadante reforça compromisso do BNDES com financiamento à pesquisa e inovação como motor do desenvolvimento
  • BNDES Funtec, BNDES Inovação e BNDES MPME Inovadora são os principais programas de apoio à CT&I
  • Banco mantém parcerias estratégicas com USP, Unicamp, UFRJ, ITA e outras instituições de pesquisa
  • Novo edital de R$ 200 milhões para inteligência artificial aplicada ao setor público será lançado em 2025
  • A cada R$ 1 investido em inovação, retorno médio é de R$ 3,50 em produtividade e faturamento
  • Brasil ainda precisa aumentar investimento privado em P&D e aprovar marcos legais para inovação

Perguntas frequentes sobre o papel do BNDES na inovação

O que é o BNDES Funtec?

O BNDES Funtec é um fundo de apoio à pesquisa aplicada em instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Ele financia projetos sem exigir contrapartida financeira imediata, com foco em áreas como energia, saúde, mobilidade e agricultura digital.

Como uma startup pode acessar recursos do BNDES para inovação?

Startups podem acessar o crédito por meio do programa BNDES Inovação (para empresas já constituídas) ou por meio de fundos de venture capital apoiados pela BNDESPar. A recomendação é buscar orientação nos canais oficiais do banco e verificar as linhas adequadas ao estágio do negócio.

O BNDES financia projetos de pesquisa em universidades públicas?

Sim. O banco mantém convênios e editais específicos para universidades federais e estaduais, além de institutos de pesquisa. O BNDES Funtec é o principal instrumento para esse tipo de apoio.

Qual o valor total investido pelo BNDES em inovação nos últimos anos?

Nos últimos cinco anos, o BNDES desembolsou mais de R$ 15 bilhões em operações de crédito e participação acionária voltadas à inovação, considerando todas as linhas e programas da instituição.

O que é o programa BNDES MPME Inovadora?

É uma linha de crédito voltada a micro, pequenas e médias empresas que desejam implementar inovação em seus produtos, serviços ou processos. Oferece taxas reduzidas, prazos estendidos e carência para início do pagamento.

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