Morre, aos 90 anos, o embaixador Marcos Azambuja

O diplomata Marcos Castrioto de Azambuja, um dos nomes mais influentes e respeitados da história recente da política externa brasileira, faleceu nesta sexta-feira (11) aos 90 anos. A informação foi confirmada por familiares. A causa da morte não foi divulgada oficialmente. Azambuja deixa um legado incomensurável como um dos principais arquitetos do Mercosul e defensor incansável da soberania nacional e da integração sul-americana.

Formação e Início da Carreira

Natural de Bagé, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1935, Marcos Azambuja formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) antes de ingressar no Instituto Rio Branco, a tradicional academia diplomática brasileira, no final dos anos 1950. Sua inteligência e capacidade de negociação rapidamente o destacaram dentro do Itamaraty.

Ao longo de mais de quatro décadas de serviço público, ocupou postos estratégicos em diversas capitais do mundo, incluindo Roma, Buenos Aires, Paris e Genebra. Em cada missão, construiu uma sólida reputação como um negociador habilidoso, profundo conhecedor das relações internacionais e um defensor intransigente dos interesses do Brasil no cenário global.

O Arquiteto do Mercosul

O posto de embaixador do Brasil na Argentina, exercido entre 1987 e 1992, foi o ápice de sua carreira diplomática e o momento de maior impacto histórico. Em um contexto de redemocratização na América do Sul e de superação de rivalidades históricas, Azambuja atuou como um dos principais articuladores do processo de integração entre Brasil e Argentina.

Suas habilidades foram fundamentais para construir a confiança necessária entre os dois países, o que culminou na assinatura do Tratado de Assunção em 1991, que deu origem ao Mercosul. Sua capacidade de construir pontes e superar décadas de desconfiança foi amplamente reconhecida, consolidando sua imagem como um dos "pais do Mercosul". A integração regional sempre foi uma de suas bandeiras mais fortes.

Ministro do Meio Ambiente em Tempos de Rio 92

Em 1993, foi convidado pelo presidente Itamar Franco para assumir o comando do Ministério do Meio Ambiente. Sua gestão, embora relativamente curta, foi crucial para a estruturação da política ambiental brasileira no período imediatamente posterior à Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio 92).

Azambuja defendia a tese de que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental não eram antagônicos, desde que respeitada a soberania do país sobre seus vastos recursos naturais, especialmente a Amazônia. Ele foi um pioneiro ao conectar a política externa brasileira às questões ambientais globais.

Legado Intelectual e Últimos Anos

Após se aposentar do serviço diplomático ativo, Azambuja manteve-se incansavelmente ativo como articulista, palestrante e conselheiro. Sua voz era uma das mais respeitadas nos debates sobre geopolítica, política externa e defesa nacional.

Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupou a cadeira de número 15, sucedendo a grandes nomes da cultura nacional. Em seus artigos, analisava com profundidade temas como a reforma do Conselho de Segurança da ONU, os desafios da integração sul-americana, as relações Brasil-Estados Unidos e o papel das novas potências como os BRICS. Mesmo nos últimos anos, era frequentemente ouvido em momentos de crise internacional, oferecendo análises lúcidas e independentes.

Reações à Partida

O falecimento de Marcos Azambuja gerou comoção no meio político, diplomático e acadêmico. O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial de pesar, destacando sua "contribuição inestimável para a inserção soberana e altiva do Brasil no cenário global". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também prestou homenagens, classificando Azambuja como "um dos maiores diplomatas da história do Brasil, que dedicou sua vida ao serviço do país e à integração da América do Sul".

Parlamentares, ex-chefes de Estado e lideranças do setor produtivo manifestaram solidariedade à família e reconheceram a perda de um dos últimos grandes estadistas da diplomacia brasileira.

Perguntas Frequentes sobre Marcos Azambuja

Quem foi Marcos Azambuja?
Foi um dos mais importantes diplomatas brasileiros, tendo servido como embaixador em diversos países e como Ministro do Meio Ambiente. É reconhecido como um dos fundadores e principais arquitetos do Mercosul.
Qual foi seu papel na criação do Mercosul?
Como embaixador na Argentina entre 1987 e 1992, foi um dos principais negociadores do Tratado de Assunção (1991), que estabeleceu o Mercosul. Sua atuação foi crucial para superar as rivalidades históricas entre Brasil e Argentina.
Em quais países ele serviu como embaixador?
Marcos Azambuja serviu como embaixador do Brasil na Argentina, França, Suíça e Alemanha.
Ele ocupou algum cargo de ministro?
Sim, foi Ministro do Meio Ambiente no governo do presidente Itamar Franco, em 1993, em um período crucial pós-Rio 92.
Marcos Azambuja fazia parte de alguma academia?
Sim, era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupava a cadeira de número 15, deixando contribuições importantes para o pensamento político e diplomático do país.