O mundo das artes plásticas brasileiras perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas nesta sexta-feira, 11 de julho de 2025. O artista plástico Jonir Figueiredo faleceu no Rio de Janeiro, aos 94 anos, deixando um legado imensurável para a cultura nacional. A informação foi confirmada pelo Instituto Figueiredo, que cuida da preservação e divulgação de seu vasto acervo. A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família, mas o artista vinha enfrentando problemas de saúde debilitantes nos últimos meses.
Quem foi Jonir Figueiredo?
Jonir Figueiredo nasceu em São Paulo, capital, em 1931. Desde muito jovem demonstrou um talento precoce para o desenho e a pintura. Sua formação acadêmica se deu na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), onde teve contato com as vanguardas artísticas que começavam a ganhar força no Brasil. Nos anos 1950 e 1960, imerso no fervor do movimento concretista e neoconcretista, Jonir começou a desenvolver sua linguagem visual única, que mesclava a precisão geométrica com uma sensibilidade cromática ímpar.
Sua busca por novos horizontes o levou a uma viagem pela Europa na década de 1960, onde absorveu influências da arte cinética e da abstração lírica. De volta ao Brasil, estabeleceu seu ateliê no Rio de Janeiro, cidade que o acolheu e inspirou por mais de cinco décadas. Foi nas paisagens cariocas e na efervescência cultural da cidade que ele encontrou o ambiente perfeito para amadurecer sua obra, criando séries que se tornariam marcos na arte contemporânea brasileira.
Principais obras e exposições
Ao longo de mais de sessenta anos de carreira, Jonir Figueiredo produziu centenas de obras, transitando entre pinturas, esculturas, instalações e obras gráficas. Sua produção é marcada por séries icônicas que exploram as possibilidades da cor e da forma no espaço. Entre suas séries mais conhecidas estão "Construções Líricas", onde ele investiga o equilíbrio entre a rigidez estrutural e a fluidez das cores, "Cromatismo Espacial", que desafia a percepção do observador, e "Relevos Urbanos", uma série que incorpora materiais industriais e reciclados.
Participou de exposições de grande porte, como a Bienal de São Paulo, a Bienal do Mercosul e a Bienal de Veneza. Realizou mostras individuais de sucesso em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Suas obras integram acervos permanentes de importantes museus no Brasil, nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, consolidando seu nome no cenário internacional da arte.
Legado e influência para a arte brasileira
Jonir Figueiredo é amplamente reconhecido como um mestre na arte de equilibrar emoção e racionalidade. Sua pesquisa incansável sobre a cor, a textura e a materialidade o coloca como um dos grandes expoentes da arte abstrata no Brasil. Ele foi um dos pioneiros no uso de materiais não convencionais, como resinas, metais e tecnologia a laser na criação de obras de arte, mostrando uma capacidade ímpar de se reinventar a cada década.
"Jonir não apenas pintava; ele construía a cor no espaço tridimensional. Cada obra sua é um convite à contemplação e ao questionamento dos limites da pintura", afirmou o curador e crítico de arte Paulo Reis. "Seu legado é o de um artista que nunca parou de experimentar, sempre em busca de novas linguagens dentro da arte. Ele influenciou gerações de artistas, especialmente no campo da arte tridimensional e da escultura contemporânea." Seus escritos sobre teoria da cor e composição são estudados em faculdades de arte por todo o país.
Últimos anos e homenagens
Nos anos finais de sua carreira, Jonir permaneceu incansável. Seu ateliê no bairro da Glória, no Rio, era um ponto de encontro para jovens artistas e admiradores. Sua última grande exposição individual, intitulada "O Tempo e a Cor", aconteceu em 2023 na galeria Nara Roesler, em São Paulo, e foi recebida com enorme aclamação da crítica e do público. Em 2024, ele foi homenageado com o Prêmio de Mérito Cultural do Governo do Estado do Rio de Janeiro em reconhecimento à sua trajetória.
A morte do artista gerou grande comoção no meio artístico. Instituições como o MASP, o MAM Rio e a Pinacoteca do Estado de São Paulo emitiram notas de pesar. Nas redes sociais, artistas, colecionadores e admiradores prestaram homenagens ao longo de todo o dia. A prefeitura do Rio de Janeiro estuda dar o nome do artista a um espaço cultural na cidade. Não há informações sobre o velório, que deve ser restrito à família. O Instituto Figueiredo já anunciou que está planejando uma grande exposição retrospectiva para 2026, que deve percorrer algumas das principais capitais brasileiras.
Perguntas frequentes sobre a morte de Jonir Figueiredo
Qual foi a causa da morte de Jonir Figueiredo?
Até o fechamento desta matéria, a família não havia divulgado a causa oficial do falecimento. Sabe-se que o artista estava com a saúde debilitada nos últimos meses em decorrência da idade avançada.
Quantos anos Jonir Figueiredo tinha?
Jonir Figueiredo faleceu aos 94 anos. Ele nasceu em 1931 na cidade de São Paulo.
Onde estão expostas as principais obras de Jonir Figueiredo?
Suas obras fazem parte de acervos permanentes de importantes instituições, como o MASP, MAM Rio, MAC USP e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, além de coleções particulares no Brasil e no exterior.
Qual o estilo artístico de Jonir Figueiredo?
Seu estilo é fortemente influenciado pela abstração geométrica e pelo neoconcretismo, com um profundo foco no estudo da cor, da forma, dos materiais e da interação da obra com o espaço.
Haverá alguma exposição póstuma do artista?
Sim. O Instituto Figueiredo afirmou que está planejando uma grande exposição retrospectiva para 2026, que deve percorrer algumas capitais brasileiras, celebrando a vida e a obra do artista.