Morre em Brasília Antério Mânica, um dos mandantes da Chacina de Unaí

O ex-prefeito de Unaí (MG) e fazendeiro Antério Mânica, um dos condenados pelo assassinato de quatro servidores do Ministério do Trabalho em 2004, morreu em Brasília. A informação foi confirmada pela defesa. Ele estava em prisão domiciliar e aguardava julgamento de recursos nas cortes superiores.

Quem foi Antério Mânica?

Antério Mânica nasceu em Unaí (MG) em 1955. Filho de agricultores, formou-se em agronomia e começou a vida pública como vereador. Foi prefeito de Unaí por dois mandatos e, depois, empresário rural. Era conhecido como "Rei do Feijão" e presidiu o Sindicato Rural de Unaí. O Ministério Público Federal apontou seu nome como um dos mandantes da Chacina de Unaí, crime que repercutiu internacionalmente.

A Chacina de Unaí

Em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais do trabalho Nélio José de Melo, Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e o motorista Ailton Pereira de Oliveira foram assassinados a tiros numa emboscada na zona rural de Unaí. As investigações indicaram que os homicídios foram encomendados por fazendeiros da região, irritados com as fiscalizações que geravam multas e embargos. Antério Mânica teria financiado a compra das armas usadas no crime.

Julgamento e condenação

Em 2013, Mânica foi condenado pelo Tribunal do Júri a 52 anos de prisão por homicídio qualificado e formação de quadrilha. A condenação foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em 2022, que ordenou a prisão imediata. A defesa recorreu ao STJ e ao STF, mas os recursos foram negados. Devido à idade avançada e problemas cardíacos, ele obteve o direito de cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Morte em Brasília

Antério Mânica morreu em Brasília, onde residia nos últimos anos. A causa da morte não foi divulgada oficialmente; informações extraoficiais indicam falência múltipla dos órgãos. O corpo foi velado em Unaí e sepultado no cemitério local. A defesa informou que ele vinha passando por tratamento médico.

Repercussão

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT) emitiu nota: "A Chacina de Unaí é uma ferida aberta. A morte de um condenado não apaga o crime, mas reforça que o Estado brasileiro precisa proteger seus servidores". A Associação Nacional dos Auditores Fiscais (ANFIP) também se manifestou. As famílias das vítimas disseram que a justiça foi feita, mas que os mandantes deveriam ter cumprido pena efetiva.

Linha do tempo

  • 28 de janeiro de 2004: Chacina de Unaí.
  • 2013: Antério Mânica é condenado a 52 anos.
  • 2022: TRF-1 mantém condenação e decreta prisão.
  • 2025: Morte de Antério Mânica em Brasília.

Contexto

A Chacina de Unaí completou 21 anos em janeiro de 2025. O Brasil ainda enfrenta desafios no combate ao trabalho escravo, mas a condenação de mandantes como Antério Mânica demonstra avanços na responsabilização de poderosos. O caso é estudado em cursos de direito do trabalho e segurança pública e é citado como exemplo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Outros condenados

Além de Antério Mânica, os fazendeiros Hugo Alves Pimenta e Francisco Ambrósio também foram condenados pelo mesmo crime. Um dos executores foi assassinado em 2006, outro permaneceu foragido por anos até ser preso. A chacina teve ao todo seis denunciados pelo MPF.

Perguntas frequentes

O que foi a Chacina de Unaí?

Foi o assassinato de três auditores fiscais do trabalho e um motorista em Unaí (MG), em 28 de janeiro de 2004, crime encomendado por fazendeiros.

Quem foram as vítimas?

Nélio José de Melo, Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares (auditores fiscais) e Ailton Pereira de Oliveira (motorista).

Antério Mânica era o único mandante?

Não. Outros fazendeiros e intermediários, como Hugo Alves Pimenta e Francisco Ambrósio, também foram condenados.

Ele chegou a ser preso?

Sim. Após a confirmação da condenação pelo TRF-1 em 2022, foi preso, mas obteve prisão domiciliar por problemas de saúde.

Qual a pena aplicada?

Foi condenado a 52 anos de reclusão por homicídio qualificado e formação de quadrilha.

Quantas pessoas foram condenadas pela Chacina de Unaí?

Quatro pessoas foram condenadas, entre mandantes e executores. Outras duas foram absolvidas ou tiveram penas anuladas.

Por que o caso é tão importante?

Porque envolveu o assassinato de servidores públicos no exercício da função fiscalizadora, expondo a violência no campo e a impunidade de grandes proprietários. O caso gerou pressão internacional e levou à criação de grupos móveis de fiscalização do trabalho.

Artigos relacionados