Roger Federer construiu uma das carreiras mais brilhantes e admiradas do esporte mundial. Com um estilo elegante e uma vontade inabalável de vencer, o suíço conquistou 20 títulos de Grand Slam e o coração de milhões de fãs. Porém, por trás dos troféus e das atuações mágicas, um adversário silencioso e persistente o acompanhou durante grande parte de sua trajetória no circuito profissional: as dores na coluna lombar. Esta reportagem analisa como as lesões nas costas impactaram o desempenho de Federer, forçando cirurgias, mudanças drásticas no estilo de jogo e, eventualmente, contribuindo para o desfecho de sua carreira.
O Início dos Problemas (2013–2014)
Os primeiros sinais de que as costas poderiam ser um problema crônico surgiram de forma evidente em 2013. Durante várias partidas, Federer passou a solicitar atendimento médico para alongar a região lombar, algo incomum para um atleta conhecido por sua durabilidade. A mobilidade reduzida e a perda de potência no saque tornaram-se perceptíveis. A derrota nas semifinais do Aberto dos Estados Unidos e a perda da final do ATP World Tour Finals para Novak Djokovic foram jogos em que as limitações físicas nas costas foram um fator determinante. Em 2014, o padrão se repetiu, com o suíço perdendo partidas cruciais por não conseguir manter o alto nível de movimentação e agressividade. A sombra da lesão começava a se alongar.
2016 – O Ano da Crise e a Cirurgia Decisiva
Nenhum ano foi tão difícil para Federer em termos de problemas na coluna quanto 2016. Uma dor aguda e incapacitante o atingiu durante o aquecimento para o Australian Open, limitando drasticamente sua amplitude de movimento e resultando em uma derrota na semifinal para Novak Djokovic. A situação se deteriorou a ponto de ele precisar passar por uma cirurgia artroscópica no menisco do joelho logo em seguida. No entanto, o maior golpe veio quando Federer anunciou que encerraria sua temporada após Wimbledon para tratar uma hérnia de disco na coluna.
Pela primeira vez desde 1999, ele perderia o Roland Garros por lesão. A decisão foi radical, mas necessária. Federer declarou publicamente que estava "lutando contra o relógio" e que priorizava a saúde a longo prazo. O problema nas costas não apenas o impedia de competir, mas afetava sua qualidade de vida. A pausa forçada gerou dúvidas sobre um possível retorno ao alto nível.
A Retomada Triunfal (2017–2018)
Após a cirurgia nas costas e um longo e dedicado período de recuperação, Federer voltou às quadras em 2017 com um novo fôlego. A pausa foi essencial para fortalecer a musculatura de suporte da coluna e reavaliar sua abordagem ao esporte. Ele adaptou seu jogo para reduzir a carga sobre a região lombar, tornando-o mais eficiente e menos dependente de explosão máxima.
A vitória no Aberto da Austrália de 2017 contra Rafael Nadal foi um dos capítulos mais emocionantes da história do tênis. Em 2018, ele conquistou seu 20º Grand Slam, também no Australian Open. A gestão meticulosa de sua condição física tornou-se prioridade máxima: Federer competia em menos torneios, focando nos mais importantes, e sua equipe médica trabalhava incansavelmente para mantê-lo em condições de jogo. Foi uma verdadeira fênix renascendo das dores nas costas.
O Declínio Final e o Legado (2019–2022)
A partir de 2019, apesar de momentos de brilho, a combinação do problema crônico nas costas com lesões recorrentes no joelho tornou a rotina de treinos e jogos insustentável. Em 2020, novas cirurgias no joelho o afastaram por um longo período. Em 2022, Federer anunciou sua aposentadoria das quadras durante a Laver Cup, em uma despedida emocionante. Em suas palavras, o corpo finalmente disse "chega", e as costas foram um fator central nessa decisão.
O legado de Federer não se limita aos recordes. Sua incrível capacidade de gerenciar uma lesão debilitante como a hérnia de disco e continuar competindo no mais alto nível por tantos anos é um testemunho de sua disciplina, inteligência e paixão inabalável pelo tênis. As costas que atrapalharam Federer não foram capazes de apagar sua genialidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Federer fez cirurgia nas costas?
Sim, Roger Federer passou por um procedimento cirúrgico para tratar uma hérnia de disco na coluna lombar em 2016. Este procedimento foi fundamental para que ele pudesse prolongar sua carreira e retornar ao topo do tênis mundial.
As dores nas costas o impediram de jogar Grand Slams?
Sim, o problema foi grave o suficiente para forçá-lo a perder o Roland Garros de 2016 e a encerrar sua temporada precocemente naquele ano, focando exclusivamente no tratamento e fortalecimento da região lombar.
Quantos títulos Federer conquistou após a cirurgia?
Após retornar da cirurgia nas costas em 2017, Federer conquistou três títulos de Grand Slam (Australian Open 2017 e 2018, Wimbledon 2017) e vários torneios Masters 1000, demonstrando uma segunda juventude em sua carreira.
O problema nas costas foi o motivo principal da aposentadoria?
Embora o joelho tenha sido o problema mais agudo no final de sua carreira, as costas representaram uma lesão crônica que limitou sua capacidade de treinar em alto volume. A combinação das duas condições foi determinante para sua decisão de se aposentar.