ONU: 11,9 mil crianças foram mutiladas ou mortas em conflitos armados

Um novo relatório das Nações Unidas revelou que, em 2023, mais de 11,9 mil crianças foram mortas ou mutiladas em situações de conflito armado em todo o mundo. Os números são os mais altos registrados nos últimos anos e acendem um alerta sobre a proteção de menores em zonas de guerra.

O relatório da ONU sobre crianças e conflitos armados

Anualmente, o Secretário-Geral da ONU apresenta ao Conselho de Segurança um relatório sobre Crianças e Conflitos Armados, documentando seis violações graves: recrutamento e uso de crianças, morte e mutilação, violência sexual, sequestros, ataques a escolas e hospitais, e negação de acesso humanitário. O relatório de 2024, que cobre o ano de 2023, registou 11,9 mil crianças mortas ou mutiladas, um aumento significativo em relação ao ano anterior. A pandemia de COVID-19 e o aumento dos conflitos em várias regiões contribuíram para o agravamento da situação.

O documento é baseado em informações verificadas por equipes da ONU no terreno, organizações não governamentais e agências parceiras. Cada caso é cuidadosamente confirmado antes de ser incluído nas estatísticas oficiais. Apesar dos esforços de monitoramento, os números reais podem ser ainda maiores, pois muitos incidentes em áreas de difícil acesso não são reportados.

Regiões mais críticas

Os dados mostram que a situação é particularmente grave em países como Palestina, Israel, Afeganistão, Síria, Iêmen, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e Mianmar. Na Faixa de Gaza, milhares de crianças foram mortas nos bombardeios, e muitas outras sofreram mutilações devido a explosivos. No Sudão, o conflito entre as Forças Armadas e as Forças de Apoio Rápido resultou em centenas de crianças vítimas de violência sexual e recrutamento forçado.

Na Ucrânia, ataques com mísseis e drones também atingiram crianças, deixando dezenas de mortos e feridos. O uso de minas terrestres e engenhos explosivos improvisados (IEDs) continua a causar baixas em países como Afeganistão e Colômbia. As regiões mais afetadas são aquelas onde os conflitos se prolongam por anos, criando um ambiente de violência constante que atinge desproporcionalmente os mais jovens.

Mutilações e mortes: como ocorrem?

Crianças são mortas por bombardeios, tiroteios, minas terrestres e explosivos improvisados. Muitas sofrem amputações, queimaduras e ferimentos graves que deixam sequelas para toda a vida. Em alguns conflitos, grupos armados utilizam crianças como soldados, expondo-as ao perigo constante. O uso de explosivos em áreas urbanas é uma das principais causas de mutilação infantil. Cerca de metade dos incidentes registrados envolve crianças em idade escolar, que são atingidas quando estão a caminho da escola ou em casa.

As mutilações incluem a perda de membros, lesões na coluna, queimaduras extensas e danos auditivos e visuais. Muitas crianças que sobrevivem a esses traumas precisam de cuidados médicos intensivos e reabilitação, que muitas vezes não estão disponíveis em países em conflito. O acesso humanitário restrito agrava a situação, impedindo a entrega de medicamentos e equipamentos ortopédicos.

Recrutamento e outras violações

Além de mortes e mutilações, o relatório documenta o recrutamento forçado de crianças por forças governamentais e grupos armados. Em países como a República Centro-Africana e o Mali, meninas são sequestradas e submetidas a casamento forçado e violência sexual. Ataques a escolas e hospitais privam milhões de crianças do direito à educação e à saúde.

O recrutamento de crianças-soldado continua a ser uma das violações mais preocupantes. Estima-se que dezenas de milhares de crianças estejam atualmente servindo em forças armadas ou grupos armados em todo o mundo. Essas crianças são privadas de sua infância, expostas a traumas extremos e frequentemente forçadas a cometer atos violentos.

A resposta da comunidade internacional

A ONU, por meio do Escritório do Representante Especial para Crianças e Conflitos Armados, trabalha com governos e organizações locais para monitorar as violações, engajar partes em conflito para adotar planos de ação e responsabilizar perpetradores. A UNICEF presta assistência humanitária, incluindo apoio psicossocial, educação em emergências e tratamento para crianças feridas.

No entanto, o financiamento permanece insuficiente diante da magnitude da crise. Organizações da sociedade civil desempenham um papel crucial na proteção infantil, oferecendo abrigo, aconselhamento e defesa de direitos. A comunidade internacional é chamada a fortalecer os mecanismos de responsabilização e a garantir que as violações sejam investigadas e os responsáveis levados à justiça.

Perguntas frequentes sobre o tema

  • A ONU divulga os nomes dos países que recrutam crianças? Sim, o relatório inclui listas de partes que cometem violações, conhecidas como “listas da vergonha”, com o objetivo de pressionar pela cessação das violações. Essas listas são anexadas ao relatório anual do Secretário-Geral.
  • Como as crianças são contabilizadas? A ONU utiliza mecanismos de monitoramento baseados em fontes verificadas, incluindo organizações locais, agências da ONU e testemunhos. Embora os números sejam precisos, a subnotificação ainda é um desafio, especialmente em zonas de difícil acesso.
  • O que posso fazer para ajudar? Apoiar organizações que protegem crianças em conflitos, como UNICEF e Save the Children, e cobrar dos governos ações diplomáticas e sanções contra perpetradores são formas de contribuir. A conscientização sobre o tema também é essencial para pressionar por mudanças.

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