Operação combate facções que controlam internet em comunidades do Rio

As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram, na manhã desta sexta-feira (12), uma operação conjunta para combater facções criminosas que controlam ilegalmente o fornecimento de internet em comunidades carentes da capital fluminense. A ação, que mobilizou dezenas de agentes, tem como objetivo desarticular o esquema de extorsão que obriga moradores a pagarem taxas mensais para ter acesso à rede.

O domínio das facções sobre a internet nas favelas

Nas comunidades do Rio, o poder paralelo exercido por facções criminosas vai além do tráfico de drogas. Nos últimos anos, grupos armados passaram a controlar também serviços essenciais, como transporte alternativo, distribuição de gás e, principalmente, a internet. Utilizando antenas clandestinas e conexões furtadas de provedoras legais, essas organizações montam redes de internet paralelas e cobram mensalidades que variam de valores acessíveis a abusivos, de acordo com a região.

Moradores relatam que a cobrança é feita de forma intimidatória. Quem não paga sofre ameaças, tem sua casa isolada ou, em casos extremos, sofre represálias físicas. A prática não apenas gera lucro para o crime organizado, mas também expõe a população a riscos, já que as instalações irregulares podem causar curtos-circuitos, incêndios e acidentes.

Detalhes da operação

A operação, planejada há meses, contou com trabalho de inteligência policial, incluindo uso de drones e monitoramento de sinais de telecomunicação. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em várias comunidades, incluindo grandes complexos de favelas, onde a presença de grupos criminosos é mais forte. Equipes especializadas em crimes cibernéticos atuaram na coleta de provas digitais, como registros de pagamentos e conversas entre os envolvidos.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e contou com apoio de batalhões da Polícia Militar. As investigações começaram após denúncias de associações de moradores, que relataram o crescimento do serviço ilegal de internet durante a pandemia, quando o acesso à rede se tornou essencial para trabalho e estudo.

Apreensões e prisões

Durante a operação, foram apreendidos equipamentos de transmissão, roteadores, cabos de fibra óptica e documentos que comprovam a cobrança ilegal. As autoridades também confiscaram anotações com listas de moradores "inadimplentes" e contas bancárias usadas para receber os pagamentos. Dois suspeitos foram presos em flagrante por associação criminosa e furto de energia elétrica. A polícia não descarta novas prisões à medida que as investigações avançam.

Os equipamentos apreendidos serão periciados para identificar as conexões com provedores legais e possíveis funcionários corruptos que facilitavam o esquema. A estimativa é que o esquema movimentava cifras milionárias, mas valores exatos ainda estão sendo calculados.

Reação da comunidade e desafios

Moradores das comunidades afetadas receberam a operação com alívio, mas também com preocupação. Muitos dependem da internet ilegal porque não têm acesso a provedores legais na região. "A internet que a gente comprava era ilegal, mas era a única opção. Agora esperamos que o governo traga alternativas", disse um líder comunitário, sob anonimato.

A Secretaria de Segurança Pública afirmou que está em diálogo com empresas de telecomunicação para expandir a cobertura nas áreas carentes. Representantes de provedores sinalizaram interesse em levar internet legal às comunidades, desde que haja garantias de segurança para os técnicos e equipamentos.

Implicações legais e próximos passos

Os envolvidos poderão responder por extorsão, associação criminosa, furto de energia e violação das leis de telecomunicações. As penas podem chegar a vários anos de prisão. A polícia também investiga a participação de pessoas jurídicas no esquema, como pequenas empresas que forneciam equipamentos ou suporte técnico.

A operação desta sexta-feira é considerada um marco no combate ao crime organizado no Rio. As autoridades prometem dar continuidade às investigações e realizar novas fases da operação. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque-Denúncia (181).

Pontos principais da operação

  • Ação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio
  • Combate a facções que controlam internet ilegal em comunidades
  • Cumprimento de mandados em favelas como Complexo do Alemão, Rocinha e Vila Cruzeiro
  • Apreensão de antenas, roteadores e documentos
  • Dois suspeitos presos em flagrante
  • Investigação continua para desmantelar o esquema

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a Operação de combate às facções que controlam internet?

É uma ação das forças de segurança do Rio de Janeiro para desarticular grupos criminosos que exploram ilegalmente o serviço de internet em comunidades, cobrando taxas abusivas dos moradores.

Como as facções controlam a internet nas comunidades?

Elas instalam antenas e roteadores clandestinos, muitas vezes furtando sinal de provedores legais. Os moradores são coagidos a pagar mensalidades para ter acesso à rede.

O que foi apreendido durante a operação?

Equipamentos de transmissão, roteadores, cabos, documentos e listas de inadimplentes. Dois suspeitos foram presos.

Como os moradores podem denunciar esquemas ilegais?

Por meio do Disque-Denúncia (181), que garante anonimato.