Petrobras assina acordo e reassumirá duas fábricas de fertilizantes

A Petrobras assinou um acordo definitivo para reassumir a operação de duas fábricas de fertilizantes nitrogenados, a Fafen-BA (em Camaçari, Bahia) e a Fafen-SE (em Laranjeiras, Sergipe). A medida insere-se na estratégia da companhia de retomar sua presença no setor de fertilizantes, considerado estratégico para a segurança alimentar e o agronegócio brasileiro. Com a retomada, a estatal busca contribuir para a redução da dependência externa de insumos, que hoje chega a cerca de 85% do consumo nacional.

O contexto da dependência nacional

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, mas, paradoxalmente, importa a grande maioria dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência histórica expõe o agronegócio brasileiro a volatilidades geopolíticas, flutuações cambiais e interrupções nas cadeias globais de suprimento. A crise desencadeada pela guerra na Ucrânia em 2022 escancarou essa fragilidade, elevando os custos de produção e pressionando a inflação dos alimentos.

Em resposta, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que estabelece metas ambiciosas para reduzir a dependência externa e estimular a produção nacional de insumos. A retomada das fábricas de fertilizantes pela Petrobras é um dos pilares centrais desse plano. O crescimento econômico e o aumento da demanda por alimentos reforçam a urgência de garantir o abastecimento interno. O Banco Central já havia sinalizado que o aquecimento da economia e os preços das commodities pressionam a inflação, tornando o investimento em insumos básicos ainda mais prioritário.

Os termos do acordo

A Unigel, atual operadora das plantas, enfrentava sérias dificuldades financeiras agravadas pela disparada dos preços do gás natural e pela forte concorrência internacional. A empresa havia paralisado a produção nas unidades, o que gerou insegurança jurídica e preocupação com a perda de ativos estratégicos e de milhares de empregos diretos e indiretos.

Após longas negociações, Petrobras e Unigel chegaram a um acordo que permite à estatal reassumir o controle das fábricas sem a necessidade de litígios prolongados. Embora os valores exatos do acordo não tenham sido divulgados em detalhes, a Petrobras se comprometeu a realizar os investimentos necessários para a retomada gradual da produção de ureia e amônia. A indústria e o comércio vinham pedindo mais diplomacia e menos ideologia nas relações contratuais, e o acordo foi visto como um desfecho maduro para uma negociação complexa. O setor produtivo celebrou a solução como um alívio para a insegurança jurídica que rondava os ativos.

Fafen-BA e Fafen-SE: as gigantes reassumidas

As duas fábricas envolvidas no acordo estão entre as maiores do Brasil na produção de nitrogenados.

Fafen-BA (Camaçari): Localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, é a maior fábrica de ureia da América Latina. Sua capacidade de produção é crucial para abastecer o mercado do Centro-Oeste e do Matopiba, as principais fronteiras agrícolas do país.

Fafen-SE (Laranjeiras): A unidade sergipana complementa a capacidade produtiva nacional, atendendo principalmente o mercado nordestino. Juntas, as plantas têm potencial para produzir anualmente milhões de toneladas de ureia e amônia, insumos essenciais para a produção de soja, milho e cana-de-açúcar.

A retomada dessas unidades representa a recriação de um polo industrial de fertilizantes no Brasil, gerando milhares de empregos qualificados e movimentando a economia local. A produção de grãos deve crescer significativamente nas próximas safras, e garantir o insumo básico é fundamental para o sucesso do setor. Com a safra podendo chegar a 340 milhões de toneladas, a disponibilidade de fertilizantes nacionais será um diferencial competitivo.

Impactos para o agronegócio e a economia

A retomada da produção nacional de fertilizantes tende a gerar impactos profundos e positivos para o agronegócio brasileiro. O principal benefício é a redução da exposição às oscilações do mercado internacional e às tensões geopolíticas, como as que afetam as exportações da Rússia e do Oriente Médio.

Com uma oferta interna mais robusta, o produtor rural ganha em previsibilidade de custos. A longo prazo, a competição com os fertilizantes importados pode forçar uma queda nos preços, aumentando a margem do agricultor e estimulando o investimento em tecnologia e produtividade. Além disso, a redução das importações melhora a balança comercial brasileira, gerando divisas que podem ser reinvestidas em infraestrutura e logística.

A decisão da Petrobras também dialoga com as políticas de incentivo à sustentabilidade. O governo vem estudando a criação de mecanismos para estimular tecnologias mais limpas, e a produção nacional de fertilizantes pode se beneficiar do uso de gás natural e de fontes renováveis. Medidas como o IPI Verde sinalizam um futuro onde a indústria nacional será estimulada a produzir com menor pegada de carbono, e os fertilizantes nacionais podem seguir esse caminho.

Próximos passos e desafios

O acordo prevê um cronograma para a transição completa da operação e a retomada da produção. A Petrobras já sinalizou que realizará investimentos substanciais na manutenção e modernização das plantas, que precisam de atualizações para operar com eficiência e segurança.

No entanto, o principal desafio continua sendo a viabilidade econômica da produção de nitrogenados. O gás natural, principal matéria-prima do processo, responde por grande parte do custo de produção. Para que as fábricas sejam competitivas internacionalmente, é fundamental que haja uma política de preços de gás que equilibre a atratividade para o investidor com a necessidade de insumos baratos para o agro. A retomada gradual das operações gerará empregos diretos e indiretos, mas a plena capacidade deve levar alguns anos para ser atingida.

Perguntas frequentes sobre o acordo

1. Por que a Petrobras decidiu reassumir as fábricas de fertilizantes?
A devolução dos ativos pela Unigel, somada à necessidade estratégica de reduzir a dependência externa de fertilizantes, levou a Petrobras a retomar a operação. A medida está alinhada ao Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) e visa garantir a segurança alimentar do país.

2. Quais fábricas estão envolvidas no acordo?
As unidades Fafen-BA, localizada em Camaçari (BA), e Fafen-SE, em Laranjeiras (SE), que juntas formam um dos maiores polos de produção de ureia e amônia do país.

3. O que muda para o agronegócio brasileiro?
A retomada da produção nacional tende a reduzir a volatilidade dos preços e a dependência de importações, oferecendo maior previsibilidade de custos para os produtores rurais no médio e longo prazo.

4. Quais são os principais desafios para a retomada total da produção?
Garantir o fornecimento de gás natural a preços competitivos é o principal desafio. Além disso, a Petrobras precisará investir na modernização dos equipamentos e na logística para retomar a operação plena das unidades.

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