Petrobras tem lucro líquido de R$ 26 bilhões no segundo trimestre

A Petrobras divulgou nesta sexta-feira (11) seu balanço referente ao segundo trimestre de 2025, registrando um lucro líquido de R$ 26 bilhões. O resultado veio acima das expectativas do mercado e consolida a posição da estatal como uma das maiores geradoras de caixa do setor de óleo e gás global. A combinação de fatores como a valorização do petróleo Brent no mercado internacional, a eficiência operacional nas unidades de produção e refino e uma gestão financeira disciplinada foram os principais pilares do desempenho.

Cenário Macroeconômico e Preços do Petróleo

O segundo trimestre de 2025 foi marcado por fundamentos sólidos no mercado de petróleo. O Brent manteve-se em patamares elevados, sustentado pela demanda aquecida nos grandes centros consumidores, especialmente China e Índia, enquanto a oferta controlada pela Opep+ continuou a limitar a produção. A perspectiva de cortes adicionais ao longo do trimestre reforçou a trajetória de preços. Para a Petrobras, que exporta parte significativa de sua produção de óleo, esse cenário se traduziu em receitas mais altas. O câmbio também foi um vetor positivo — as receitas em dólar, combinadas a uma parte relevante dos custos em reais, ampliaram a margem.

A instabilidade geopolítica, embora presente em algumas regiões, não trouxe choques abruptos, permitindo à companhia operar sem descontinuidades. O preço médio do barril no trimestre ficou em nível consistente com os planejamentos da empresa, favorecendo a geração de caixa.

Desempenho Financeiro Consolidado

No consolidado, a receita de vendas da Petrobras atingiu R$ 145 bilhões, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2024. O EBITDA ajustado somou R$ 68 bilhões, com margem de 47%, demonstrando a força operacional. O lucro líquido de R$ 26 bilhões representa uma alta de 18% na comparação anual. A dívida bruta continuou sua trajetória de queda, encerrando o trimestre em US$ 45 bilhões, abaixo do limite estabelecido pela política de endividamento. A empresa também reduziu o custo de captação, beneficiada pela melhora na percepção de risco.

No balanço, o fluxo de caixa livre foi de R$ 34 bilhões, permitindo à companhia continuar remunerando acionistas com dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). O payout permaneceu dentro da política, com distribuição de R$ 18 bilhões no trimestre.

Produção e Eficiência Operacional

A produção total de óleo e gás da Petrobras no segundo trimestre registrou média de 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Os campos do pré-sal continuam sendo a espinha dorsal da estatal, representando cerca de 73% do total extraído. Destaque para os campos de Búzios, Mero e Tupi, que tiveram excelente desempenho operacional. Novos poços entraram em operação, contribuindo para a manutenção da produção mesmo com a declinação natural de campos maduros.

No refino, o fator de utilização das refinarias (FUT) ficou em 92%, o maior para um segundo trimestre desde 2014. Isso garantiu o abastecimento do mercado interno de diesel, gasolina e querosene de aviação. A eficiência operacional do parque de refino foi destaque, com destaque para as refinarias de Paulínia (Replan) e Mataripe (Rlam).

Investimentos e Expansão

Os investimentos (CAPEX) no trimestre totalizaram US$ 6,5 bilhões, alinhados ao plano estratégico 2025-2029. A maior parte foi direcionada para exploração e produção (E&P), com ênfase em águas profundas e ultraprofundas. A empresa avança no projeto da Margem Equatorial, com perfurações exploratórias na bacia da Foz do Amazonas, além da continuidade dos projetos nos campos do pré-sal. Na área de gás natural, a ampliação da malha de gasodutos e do terminal de GNL de Pecém está em andamento.

A estatal também comunicou a aprovação de novos investimentos em energias renováveis, com a construção de parques eólicos offshore e a modernização da biorrefinaria de Montes Claros, visando aumentar a produção de diesel verde e bioquerosene. Esses movimentos fazem parte da estratégia de transição energética da companhia.

Dividendos e Remuneração aos Acionistas

A forte geração de caixa permitiu à Petrobras distribuir R$ 18 bilhões em dividendos e JCP no trimestre. O valor representa um dividend yield de aproximadamente 4,5% sobre o valor de mercado atual, consolidando a empresa como uma das pagadoras mais atrativas da bolsa brasileira. A política de dividendos segue atrelada à geração de caixa livre e ao nível de endividamento, e a companhia reafirmou seu compromisso com a disciplina financeira. O anúncio foi bem recebido pelo mercado, com as ações preferenciais (PETR4) subindo 2,3% no dia da divulgação.

Perspectivas para os Próximos Meses

Para o restante de 2025, a Petrobras projeta uma produção total consistente, entre 2,75 e 2,85 milhões de boe/d. A empresa mantém a expectativa de que o Brent permaneça em patamares elevados, suportado pela demanda global e pela disciplina da Opep+. No entanto, riscos como a desaceleração da economia chinesa e as eleições nos Estados Unidos podem trazer volatilidade. A estatal também prossegue com seu plano de descarbonização, com investimentos em tecnologias de captura de carbono e combustíveis sustentáveis. O cenário para o terceiro trimestre indica mais um período de resultados robustos, sustentados pela safra agrícola e pela maior atividade industrial.

Pontos Principais do Balanço

  • Lucro líquido de R$ 26 bilhões no 2º trimestre de 2025.
  • Receita de vendas de R$ 145 bilhões, alta de 12%.
  • EBITDA ajustado de R$ 68 bilhões (margem de 47%).
  • Produção média de 2,8 milhões de boe/d, com 73% do pré-sal.
  • Dívida bruta de US$ 45 bilhões, em queda.
  • Investimentos (CAPEX) de US$ 6,5 bilhões no trimestre.
  • Distribuição de R$ 18 bilhões em dividendos e JCP.
  • Perspectiva de produção anual entre 2,75 e 2,85 milhões de boe/d.

Perguntas Frequentes

Qual foi o lucro líquido da Petrobras no segundo trimestre de 2025?

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 26 bilhões no período, um crescimento de 18% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O que impulsionou esse resultado?

O resultado foi impulsionado pela valorização do petróleo Brent, pelo câmbio favorável, pela eficiência operacional nas áreas de produção e refino e pela disciplina financeira, com controle de custos e redução do endividamento.

Como está a produção nos campos do pré-sal?

Os campos do pré-sal representaram cerca de 73% da produção total da Petrobras no trimestre, com destaque para Búzios, Mero e Tupi. A empresa segue investindo em novos poços para manter a curva de produção.

Quais são as perspectivas para os próximos trimestres?

A companhia projeta produção entre 2,75 e 2,85 milhões de boe/d para o ano, mantém a expectativa de preços elevados do Brent e continua investindo em descarbonização e renováveis, além de manter a política de dividendos.