PF prende funcionário da Caixa que fraudava benefícios previdenciários

Imagem: PF durante operação / Divulgação

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (11) uma operação para prender um funcionário da Caixa Econômica Federal suspeito de atuar em um esquema de fraudes contra benefícios previdenciários. O servidor é acusado de inserir dados falsos no sistema da instituição para viabilizar pagamentos indevidos a terceiros. As investigações apontam que o prejuízo causado aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 15 milhões.

Agentes da PF cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado em Brasília e em cidades do interior de Goiás. A operação, batizada de Operação Cartão Marcado, também mira outros suspeitos que atuariam como intermediários na captação de beneficiários fictícios.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação conduzida pela Força-Tarefa Previdenciária — composta pela PF, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União — o funcionário da Caixa utilizava seu acesso privilegiado ao sistema para inserir vínculos empregatícios falsos e simular contribuições ao INSS. Esses dados artificiais permitiam que pessoas que não possuíam direito real ao benefício solicitassem aposentadorias, pensões e auxílios.

O esquema contava com a participação de despachantes e intermediários que identificavam potenciais interessados em obter benefícios de forma irregular. Em troca, o grupo cobrava valores que variavam de 20% a 40% do montante total recebido pelos beneficiários fictícios.

As autoridades identificaram pelo menos 47 benefícios concedidos de forma fraudulenta nos últimos três anos. A maior parte dos pagamentos irregulares era feita em agências da Caixa nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Prejuízo estimado e crimes investigados

O prejuízo estimado com as fraudes ultrapassa R$ 15 milhões, considerando benefícios já pagos e os valores programados para depósitos futuros. A investigação continua em andamento para identificar outros servidores públicos que possam estar envolvidos no esquema.

O funcionário preso responderá pelos crimes de estelionato qualificado, inserção de dados falsos em sistema de informações, peculato e associação criminosa. Se condenado por todos os delitos, a pena pode superar 20 anos de reclusão.

“A fraude previdenciária desvia recursos que deveriam ser destinados a trabalhadores que realmente contribuíram para o sistema. A atuação da Polícia Federal e dos órgãos de controle é essencial para coibir esses desvios e garantir a integridade da Previdência Social”, afirmou o delegado responsável pela operação.

Histórico de fiscalização

Esta não é a primeira operação desse tipo no país. Nos últimos anos, a Polícia Federal, em parceria com o INSS e a CGU, vem intensificando o combate a fraudes previdenciárias. Em 2024, a Força-Tarefa Previdenciária realizou mais de 40 operações em todo o Brasil, resultando na prisão de mais de 200 pessoas e na recuperação de aproximadamente R$ 120 milhões aos cofres públicos.

Os órgãos de controle têm investido em cruzamento de dados e inteligência artificial para identificar padrões suspeitos de concessão de benefícios. O uso de ferramentas tecnológicas permite detectar inconsistências como vínculos empregatícios simultâneos incompatíveis, contribuições retroativas suspeitas e beneficiários com dados cadastrais duplicados.

Impacto para os segurados

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que esquemas como este não apenas lesam o erário, mas também comprometem a credibilidade do sistema previdenciário e podem impactar negativamente o tempo de processamento de benefícios legítimos. Cada benefício fraudulento concedido sobrecarrega a máquina pública e atrasa a análise de pedidos reais de milhares de segurados que aguardam na fila do INSS.

A Caixa Econômica Federal informou, por meio de nota, que colabora integralmente com as investigações e que instaurou procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do funcionário. A instituição reforçou que possui mecanismos internos de controle e que vem modernizando seus sistemas para evitar esse tipo de irregularidade.

Orientações para denúncias

A população pode contribuir com o combate a fraudes previdenciários por meio dos canais de denúncia da Ouvidoria do INSS (telefone 135) ou da Polícia Federal (site oficial). Denúncias anônimas são aceitas e podem fornecer informações valiosas para novas investigações.

Perguntas frequentes sobre o caso

  • O que é a Operação Cartão Marcado? É a operação da Polícia Federal que investiga um funcionário da Caixa Econômica Federal suspeito de fraudar benefícios previdenciários.
  • Qual o valor do prejuízo estimado? As investigações apontam que o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 15 milhões.
  • O funcionário foi preso? Sim, a Justiça Federal decretou a prisão temporária do investigado, cumprida na manhã desta sexta-feira.
  • Como denunciar fraudes previdenciárias? Pelos canais oficiais da Ouvidoria do INSS (135) ou pelo site da Polícia Federal.