A Polícia Civil deflagrou na manhã desta sexta-feira (11) uma grande operação para cumprir 22 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar uma organização criminosa com atuação em pelo menos cinco estados brasileiros. A ação, que mobilizou mais de 200 policiais em 12 cidades, representa a terceira fase de um trabalho investigativo que já dura 18 meses.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara de Combate ao Crime Organizado após análise aprofundada de dados obtidos por meio de interceptações telefônicas, quebra de sigilo bancário e fiscal, além de informações compartilhadas por agências de inteligência. Os mandados incluem também 35 autorizações de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados.
Detalhes da operação
A operação foi desencadeada simultaneamente em municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. As equipes táticas da Polícia Civil contaram com o apoio de unidades especializadas, incluindo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e forças de elite da corporação.
Durante as diligências, os agentes conseguiram apreender documentos, aparelhos celulares, computadores e anotações que serão submetidos a perícia. Também foram confiscados veículos de luxo, embarcações e valores em espécie que estavam em poder dos suspeitos. O material apreendido será utilizado para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis integrantes da organização.
As autoridades informaram que todos os alvos da operação foram localizados e os mandados de prisão foram cumpridos dentro do planejado. Nenhum incidente grave foi registrado durante as abordagens policiais.
Os alvos da investigação
Entre os 22 suspeitos estão líderes regionais da facção, gerentes responsáveis pela logística do tráfico de drogas e operadores financeiros que atuavam na lavagem de capitais. Segundo as investigações, o grupo movimentou aproximadamente R$ 50 milhões nos últimos dois anos com atividades ilícitas.
A organização criminosa atuava de forma estruturada, com clara divisão de funções. Havia setores dedicados à aquisição e distribuição de entorpecentes, à cobrança de dívidas do tráfico, ao aliciamento de novos membros e à ocultação do patrimônio obtido ilegalmente através de empresas de fachada e laranjas. Os investigadores identificaram pelo menos oito empresas utilizadas para movimentar recursos de origem criminosa.
Alguns dos presos já possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas, roubo e receptação. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens dos investigados, incluindo imóveis de alto padrão, veículos, aeronaves e participações societárias, cujo valor total ultrapassa R$ 30 milhões. A medida busca descapitalizar a organização e impedir que os suspeitos continuem financiando atividades criminosas.
O trabalho de inteligência
As investigações tiveram início em janeiro de 2024, após denúncias anônimas indicarem a atuação de um novo braço da facção em cidades do interior paulista. A partir daí, a Polícia Civil montou uma força-tarefa dedicada exclusivamente ao caso, com delegados, escrivães e agentes especializados em crime organizado.
O trabalho de inteligência incluiu interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, análise de dados bancários e fiscais, monitoramento de movimentações financeiras suspeitas e infiltração policial em ambientes virtuais utilizados pelo grupo. Os investigadores conseguiram mapear toda a cadeia de comando da organização e identificar os principais pontos de distribuição de drogas.
Um dos desafios enfrentados pela polícia foi o sistema de comunicação criptografada utilizado pelos criminosos. A facção empregava aplicativos de mensagens com criptografia de ponta a ponta e trocava regularmente os dispositivos móveis para evitar a interceptação das comunicações. Apesar dessas barreiras tecnológicas, a equipe de investigação conseguiu acessar informações cruciais por meio de fontes humanas e cooperação internacional.
Contexto e fases anteriores
Esta é a terceira fase de uma operação iniciada em 2023 para desarticular a atuação da mesma facção criminosa na região Sudeste. Nas fases anteriores, 35 pessoas já haviam sido presas e mais de R$ 15 milhões em bens foram confiscados. A primeira fase, deflagrada em março de 2023, mirou a cúpula da organização; a segunda fase, em setembro de 2024, focou os responsáveis pela logística de abastecimento de drogas.
As autoridades destacam que a colaboração entre as polícias estaduais e a Polícia Federal tem sido fundamental para o sucesso das ações. O intercâmbio de informações e a atuação conjunta permitiram ampliar o alcance das investigações e evitar que os investigados migrassem para outras regiões do país. A Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações continuarão em novas fases, com o objetivo de desmantelar completamente a estrutura remanescente da facção.
Pontos principais da operação
- 22 mandados de prisão preventiva cumpridos em 12 cidades de cinco estados
- 35 mandados de busca e apreensão executados simultaneamente
- Mais de 200 policiais mobilizados na ação coordenada
- Grupo movimentou cerca de R$ 50 milhões com tráfico e lavagem de dinheiro
- Bloqueio judicial de bens no valor de R$ 30 milhões
- Oito empresas de fachada identificadas e lacradas
- Terceira fase de operação iniciada em 2023 contra a mesma organização
- 18 meses de investigação com interceptações e análise de inteligência