Em uma ação integrada da Polícia Civil de São Paulo, 355 suspeitos de violência contra a mulher foram presos em todo o estado. A operação, batizada de “Maria da Penha”, mobilizou centenas de policiais e cumpriu mandados de prisão preventiva e temporária expedidos pela Justiça. As detenções ocorreram entre os dias 7 e 11 de julho de 2025, abrangendo a capital, Grande São Paulo, interior e litoral. O balanço foi divulgado pela Secretaria da Segurança Pública na manhã desta sexta-feira (11).
A operação foi desencadeada simultaneamente em mais de 200 cidades do estado, com base em investigações que apontavam o descumprimento de medidas protetivas e a prática reiterada de violência doméstica. As equipes utilizaram sistemas de inteligência policial para localizar agressores que estavam com mandados em aberto, muitos deles foragidos há semanas.
Detalhes da operação
A operação contou com o trabalho das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e de unidades especializadas, como o GOE (Grupo de Operações Especiais) e a Polícia Militar. Foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de armas de fogo, celulares, computadores e documentos que servirão de prova nos inquéritos. Segundo a polícia, muitas das vítimas estavam em situação de vulnerabilidade e haviam registrado boletins de ocorrência anteriormente.
Participaram da operação delegados, investigadores, escrivães e agentes das DDMs, além de equipes do GOE e da Polícia Militar. O trabalho conjunto permitiu o cumprimento célere dos mandados, com prisões realizadas tanto durante o dia quanto à noite, em áreas urbanas e rurais.
Perfil dos crimes
Dos 355 presos, a maioria foi enquadrada nos artigos 129 (lesão corporal) e 147 (ameaça) do Código Penal. Cerca de 30% responderão por descumprimento de medida protetiva, crime previsto na Lei Maria da Penha. Também houve prisões por estupro e tentativa de feminicídio. A delegada-titular de uma DDM da capital afirmou que “a maioria dos agressores são parceiros ou ex-parceiros das vítimas, o que reforça a importância das medidas protetivas”.
Além das agressões físicas, muitos casos envolvem violência psicológica, moral e patrimonial, igualmente previstas na Lei Maria da Penha. A operação também orientou as vítimas a identificarem esses tipos de abuso, que muitas vezes são silenciosos e precedem agressões mais graves.
Medidas protetivas
Durante a operação, foram solicitadas à Justiça 200 novas medidas protetivas para mulheres que ainda não estavam amparadas. A medida protetiva pode incluir o afastamento do agressor do lar, proibição de contato por qualquer meio e monitoramento eletrônico. A Defensoria Pública e a OAB-SP prestaram apoio às vítimas durante a operação.
Em alguns casos, o juiz pode determinar o uso de tornozeleira eletrônica para o agressor, permitindo que a vítima seja avisada caso ele se aproxime. Essa tecnologia tem se mostrado eficaz na prevenção de novos ataques, pois cria uma barreira tecnológica que complementa a atuação policial.
Canais de denúncia
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), pelo 190 da Polícia Militar ou diretamente na DDM mais próxima. O estado de São Paulo também conta com o aplicativo SOS Mulher, que permite acionar a polícia discretamente. “É fundamental que as mulheres denunciem. Muitas vezes o agressor ameaça a vítima para que ela não procure ajuda, mas a polícia está preparada para protegê-la”, afirmou o secretário de Segurança Pública.
A denúncia é frequentemente o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Amigos, familiares e vizinhos também podem denunciar ao 180 ou 190, de forma anônima, sem precisar se identificar. A Central de Atendimento à Mulher oferece orientação jurídica, psicológica e encaminhamento para a rede de apoio.
Números da violência
Embora as 355 prisões representem um avanço, os números de violência doméstica em São Paulo ainda são altos. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registra anualmente mais de 200 mil casos de lesão corporal dolosa contra mulheres. A operação visa interromper o ciclo de violência e dar visibilidade ao problema.
Em âmbito nacional, o Brasil registra uma média de quatro feminicídios por dia, segundo o Alto Comissariado da ONU. Ações integradas como a operação Maria da Penha são fundamentais para reduzir esses índices e mostrar que o Estado está atento à proteção das mulheres.
Resumo da operação
- 355 mandados de prisão cumpridos
- 120 mandados de busca e apreensão
- 200 novas medidas protetivas solicitadas
- Presença em mais de 200 cidades do estado
Perguntas frequentes
1. O que é a Lei Maria da Penha?
A Lei 11.340/2006 cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo medidas protetivas, penas mais severas e formas de assistência à vítima.
2. Como solicitar uma medida protetiva?
A vítima deve registrar ocorrência em qualquer delegacia (de preferência na DDM) e solicitar a medida. O juiz tem prazo de 48 horas para decidir.
3. Onde buscar ajuda em São Paulo?
Além das DDMs, existem casas-abrigo, centros de referência da mulher e o serviço Disque 180, que funciona 24 horas e oferece orientação jurídica e psicológica.
4. O que fazer se o agressor descumprir a medida protetiva?
Descumprimento é crime. A vítima deve ligar imediatamente para o 190 e informar o ocorrido. A polícia pode prender o agressor em flagrante.
5. O que é violência psicológica?
A violência psicológica inclui ameaças, humilhações, isolamento social e controle financeiro. É crime previsto na Lei Maria da Penha e pode ser denunciada ao Disque 180.