Professor defende cinema nas escolas para ampliar e formar público

A inserção do cinema no ambiente escolar é um tema cada vez mais debatido entre educadores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas. Para um professor e pesquisador da área de linguagens audiovisuais, que lidera um projeto dedicado ao tema, levar a sétima arte para a sala de aula é uma estratégia fundamental para formar cidadãos mais críticos e ampliar o repertório cultural dos estudantes.

Em entrevista ao Zoom News, o docente explicou que o projeto surgiu da constatação de que os jovens consomem muito conteúdo audiovisual, mas muitas vezes sem as ferramentas necessárias para interpretá-lo de maneira profunda. "O cinema não é apenas entretenimento. Ele carrega visões de mundo, contextos históricos e estéticas que merecem ser discutidas. Nosso objetivo é transformar o espectador passivo em um agente ativo da própria experiência", afirmou.

O projeto e a equipe

O projeto, que começou como uma iniciativa piloto em algumas escolas da rede pública, hoje conta com uma equipe multidisciplinar formada por pedagogos, cineastas, arte-educadores e estudantes de pós-graduação. A equipe atua em três frentes principais: a formação continuada de professores, a curadoria de filmes adequados a cada faixa etária e a produção de materiais didáticos que dialogam com as obras exibidas.

"A equipe é o coração do projeto. Cada membro traz uma contribuição única. Enquanto os educadores ajudam a conectar o cinema ao currículo, os cineastas auxiliam na compreensão da linguagem técnica, como enquadramento, iluminação e roteiro. Juntos, construímos uma experiência rica e transformadora", destacou o professor.

Responsabilidades e metodologia

Uma das principais responsabilidades do grupo é garantir que o cinema não seja tratado apenas como um "momento de lazer" dentro da escola, mas sim como uma ferramenta pedagógica com objetivos claros. Para isso, o projeto desenvolveu uma metodologia que inclui três etapas: a preparação (onde o contexto do filme é apresentado), a exibição (realizada em ambiente adequado e com qualidade técnica) e o debate (momento em que os alunos são incentivados a expressar suas impressões e reflexões).

"O papel do educador nesse processo é fundamental. Não se trata de dar respostas prontas, mas de provocar perguntas. O cinema tem esse poder de nos deslocar, de nos colocar no lugar do outro. É uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento da empatia e da alteridade", completou.

Resultados e impacto

Os primeiros resultados do projeto são animadores. Escolas participantes relataram um aumento no interesse dos alunos por temas abordados nos filmes, bem como uma melhora na capacidade de argumentação e na produção textual. Além disso, o projeto tem contribuído para a formação de um público mais diverso e interessado em cinema nacional, muitas vezes desconhecido pelos jovens.

O professor defende que a política pública de incentivo ao cinema nas escolas precisa ser permanente e articulada com outras áreas. "Não adianta ter a lei se não houver investimento em infraestrutura, na formação de professores e na distribuição de acervo. O cinema pode — e deve — ser um direito de todos os estudantes brasileiros", concluiu.