A indústria avícola brasileira recebeu uma boa notícia nas últimas semanas: quatro importantes parceiros comerciais reduziram ou eliminaram as restrições impostas à importação de frangos do Brasil. A medida abre caminho para a retomada das exportações e reforça a confiança na qualidade sanitária da avicultura nacional.
Contexto das restrições
As restrições começaram após a confirmação de um foco de doença de Newcastle no município de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, em 2024. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, e sua detecção aciona protocolos sanitários rigorosos. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) foi imediatamente notificada, e o Brasil adotou medidas de contenção, como a eliminação das aves infectadas e a delimitação de zonas de vigilância. Apesar da rápida resposta, diversos países suspenderam temporariamente as compras de frango brasileiro, seja de todo o território nacional ou apenas dos estados afetados.
China: maior parceiro retoma compras
A China, que responde por cerca de 15% das exportações brasileiras de carne de frango, foi um dos primeiros países a suspender as importações. O embargo durou algumas semanas enquanto as autoridades chinesas analisavam as informações técnicas enviadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Após uma missão virtual de auditoria e a apresentação de garantias adicionais, Pequim autorizou a retomada das compras, condicionada a certificados sanitários específicos. A decisão foi celebrada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que destacou a importância do mercado chinês para o escoamento da produção nacional.
União Europeia: barreiras regionalizadas
A União Europeia adotou uma abordagem de regionalização, suspendendo as importações apenas dos estados brasileiros onde o foco foi confirmado ou que faziam fronteira com a zona afetada. Inicialmente, as barreiras atingiram Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Com a comprovação de que a doença estava controlada e restrita a uma pequena área, a UE decidiu reduzir as restrições, liberando as exportações dos estados não afetados. A medida foi considerada justa pelo setor, que defende a regionalização como forma de minimizar danos comerciais em situações sanitárias localizadas.
Japão: mercado de alto valor
O Japão é um dos mercados mais exigentes do mundo para carne de frango. O país suspendeu as importações brasileiras no início de 2025, exigindo garantias adicionais de segurança alimentar. O Brasil atendeu a todas as exigências, incluindo a realização de testes laboratoriais e a apresentação de um plano de vigilância sanitária. Com isso, o governo japonês liberou novamente os embarques. O mercado japonês é estratégico por pagar prêmios mais altos, especialmente para cortes especiais como o peito de frango e a asa.
África do Sul: mais um parceiro
A África do Sul, importante destino para cortes de frango brasileiros, também havia restringido as compras. Após negociações diplomáticas e o fornecimento de documentação sanitária complementar, o governo sul-africano autorizou a retomada gradual das importações. O país consome grandes volumes de frango congelado e representa uma porta de entrada para outros mercados africanos.
Impactos esperados com a reabertura dos mercados
A reabertura dos quatro mercados deve trazer impactos positivos para a cadeia produtiva do frango no Brasil. As exportações brasileiras de carne de frango somaram US$ 8,5 bilhões em 2024, e a expectativa é de que 2025 feche com crescimento. A volta da China, da UE, do Japão e da África do Sul como compradores reduz o excedente de oferta no mercado interno e tende a sustentar preços mais elevados. Além disso, o movimento demonstra a confiança na capacidade do Brasil de responder rapidamente a emergências sanitárias, o que fortalece a imagem do país como fornecedor seguro.
Pontos principais
- Quatro países (China, União Europeia, Japão e África do Sul) reduziram ou eliminaram as restrições à importação de frangos do Brasil.
- A suspensão inicial foi motivada por um foco de doença de Newcastle no Rio Grande do Sul.
- A rápida contenção e a transparência nas informações permitiram a retomada das exportações.
- As vendas externas de carne de frango devem crescer nos próximos meses, beneficiando toda a cadeia.
- O Brasil se consolida como maior exportador mundial de carne de frango.
Perguntas Frequentes
O que é a doença de Newcastle?
É uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres, causando sintomas respiratórios, nervosos e digestivos. Altamente contagiosa, pode levar a altas taxas de mortalidade. O Brasil possui programas de vigilância e controle da doença.
O foco no Rio Grande do Sul já foi erradicado?
Sim. As autoridades sanitárias brasileiras confirmaram a erradicação do foco após a eliminação das aves infectadas e a realização de testes em um raio de 10 km. A área foi declarada livre da doença.
As restrições podem voltar?
É possível, caso novos focos sejam detectados. No entanto, o Brasil tem investido em sistemas de vigilância epidemiológica para detectar rapidamente qualquer suspeita e evitar a disseminação.
Quais outros países compram frango do Brasil?
Além dos quatro mencionados, o Brasil exporta para Arábia Saudita, Emirados Árabes, Filipinas, México, entre outros. Ao todo, são mais de 150 países.