Reconhecimento do Jongo como patrimônio chega a 20 anos com festas

O Jongo, tradicional expressão cultural afro-brasileira que une música, dança e poesia, completa em 2025 duas décadas desde seu registro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A data está sendo celebrada com uma série de festas, rodas de jongo, seminários e atividades educativas em comunidades do Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, reafirmando a força e a relevância dessa manifestação que resiste desde os tempos dos quilombos.

O que é o Jongo

O Jongo é uma manifestação cultural de origem banto, trazida ao Brasil por africanos escravizados e preservada por seus descendentes. Caracteriza-se pelo uso de tambores (caxambu ou angoma), pela umbigada (movimento coreográfico que convida outro participante para a roda) e pelos pontos – versos cantados que misturam português e palavras de origem africana. As letras abordam temas do cotidiano, desafios, críticas sociais e elementos da natureza, funcionando também como um meio de comunicação e transmissão de saberes entre gerações.

As rodas de jongo acontecem em terreiros, praças e centros culturais, reunindo jongueiros experientes e novos participantes. A tradição está profundamente enraizada nas comunidades rurais e urbanas do Vale do Paraíba, da Baixada Fluminense e de regiões mineiras, onde o jongo é celebrado em festas de santos, colheitas e datas especiais.

O caminho até o reconhecimento como patrimônio

A luta pelo reconhecimento do Jongo como patrimônio cultural começou nas próprias comunidades, com o apoio de pesquisadores e entidades culturais. Em 2005, após anos de estudo e mobilização, o IPHAN registrou o Jongo no Livro de Registro das Formas de Expressão, tornando-o oficialmente um Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Esse registro foi um marco para a valorização da cultura afro-brasileira e para a autoestima das comunidades jongueiras.

O processo de patrimonialização incluiu o mapeamento das comunidades, o inventário de referências culturais e a criação de planos de salvaguarda. Desde então, políticas públicas têm buscado apoiar a transmissão dos saberes, a realização de eventos e a produção de materiais educativos sobre o jongo.

Festas e celebrações pelos 20 anos

Para marcar as duas décadas do reconhecimento, diversas comunidades organizaram programações especiais ao longo de 2025. As festas incluem rodas abertas ao público, apresentações de grupos de jongo de diferentes regiões, exposições fotográficas, lançamento de livros e documentários, além de oficinas de dança, percussão e confecção de instrumentos.

Em cidades como São José dos Campos, Campos dos Goytacazes, Angra dos Reis e Barbacena, os eventos reúnem desde os mestres mais antigos até jovens estudantes que estão descobrindo a tradição. As celebrações também contam com a participação de representantes de outras manifestações culturais, como o samba de roda, o maracatu e o congado, fortalecendo a rede de culturas tradicionais brasileiras.

A importância do Jongo para a cultura e a resistência

O Jongo é mais que uma expressão artística: é um símbolo de resistência negra e de preservação da memória dos ancestrais. Durante séculos, os pontos de jongo serviram como forma de comunicação codificada entre escravizados e como instrumento de crítica social. Hoje, a prática continua sendo um espaço de afirmação identitária e de luta contra o racismo e o apagamento histórico.

O reconhecimento como patrimônio imaterial contribuiu para dar visibilidade à cultura jongueira e para atrair investimentos para sua manutenção. Escolas e universidades passaram a incluir o jongo em seus currículos, e jovens jongueiros têm se organizado em coletivos para garantir a continuidade da tradição.

Desafios para a preservação do Jongo

Apesar dos avanços, a transmissão do jongo para as novas gerações ainda enfrenta obstáculos. A urbanização, o êxodo rural e a falta de espaços adequados para as rodas ameaçam a continuidade da prática em algumas comunidades. Além disso, a pandemia de Covid-19 interrompeu encontros e festas, exigindo esforços extras de retomada.

Lideranças jongueiras destacam a necessidade de políticas públicas permanentes, de apoio à produção cultural e de formação de jovens mestres. A realização de festas e eventos regulares é vista como essencial para manter viva a chama do jongo.

Perguntas Frequentes sobre o Jongo

1. O Jongo é a mesma coisa que o samba de roda?

Não. Embora compartilhem origens africanas e elementos como roda e percussão, o jongo tem características próprias: o uso específico dos tambores caxambu e angoma, a umbigada e os pontos cantados com um estilo mais grave e carregado de simbolismo. O samba de roda é mais associado à Bahia e possui estrutura rítmica diferente.

2. Quem pode participar de uma roda de jongo?

As rodas de jongo são abertas ao público, mas é importante respeitar os protocolos da comunidade. Geralmente, os iniciados convidam os presentes para entrar na roda, e a participação é bem-vinda desde que haja interesse genuíno pela cultura. Muitos grupos oferecem oficinas para ensinar os passos básicos.

3. Onde encontrar festas de jongo em 2025?

As principais celebrações dos 20 anos estão ocorrendo em comunidades do Vale do Paraíba (SP), sul do Rio de Janeiro e Zona da Mata Mineira. Além disso, eventos em centros culturais de grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, também promovem rodas abertas. É recomendável acompanhar as redes sociais das associações de jongueiros para a programação.

Os 20 anos do reconhecimento do Jongo como patrimônio imaterial são uma oportunidade para celebrar a riqueza da cultura afro-brasileira e renovar o compromisso com sua salvaguarda. As festas que marcam a data mostram que o jongo permanece vivo, pulsante e essencial para a identidade cultural do Brasil.