A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou, nesta quinta-feira (10), mais duas mortes causadas pelo vírus Oropouche (OROV). Os óbitos ocorreram em municípios da Baixada Fluminense e elevam o estado de alerta para a circulação do arbovírus na região. Com essas novas ocorrências, as autoridades intensificaram as ações de vigilância epidemiológica e controle vetorial para conter o avanço da doença, que já apresentava transmissão ativa em áreas fora da região amazônica.
O que é a febre do Oropouche?
A febre do Oropouche é uma doença viral aguda transmitida pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. O vírus Oropouche (OROV) pertence à família Peribunyaviridae e foi identificado pela primeira vez no Brasil na década de 1960, a partir de amostras de um bicho-preguiça capturado na região amazônica. Desde então, o vírus tem causado surtos esporádicos principalmente nos estados da Amazônia Legal, mas nos últimos anos expandiu sua área de circulação para centros urbanos do Nordeste, Centro-Oeste e, mais recentemente, para o Sudeste do país.
Situação no Rio de Janeiro
A confirmação das duas novas mortes eleva o total de óbitos pela doença no estado no ano de 2025. A Secretaria de Saúde fluminense informou que equipes de vigilância estão realizando busca ativa de casos e orientando profissionais de saúde sobre a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial. Os municípios afetados reforçaram a pulverização de inseticidas em áreas de maior risco e a distribuição de material informativo à população.
O cenário acende um alerta porque a febre do Oropouche costuma ser confundida com a dengue e outras arboviroses, o que pode levar a subnotificação. O Estado do Rio já havia registrado casos isolados da doença em 2024, mas o número de notificações em 2025 cresceu significativamente, indicando estabelecimento do vetor em novas regiões.
Sintomas e transmissão
Os sintomas da febre do Oropouche incluem febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa (principalmente na região retroorbital), dores musculares e articulares, tontura, náuseas, vômitos e, em alguns pacientes, exantema (manchas avermelhadas na pele). O período de incubação varia de 3 a 12 dias. A doença pode evoluir com complicações neurológicas, como meningite asséptica, especialmente em pacientes imunocomprometidos.
A transmissão ocorre exclusivamente pela picada de fêmeas do Culicoides paraensis infectadas. Esse mosquito é muito pequeno (cerca de 1 a 2 mm) e se prolifera em locais com matéria orgânica em decomposição, como folhas, frutos caídos e solos úmidos. Diferentemente do Aedes aegypti, o maruim não se reproduz em água limpa parada, mas sim em ambientes com alta umidade e restos vegetais. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa.
Diagnóstico
O diagnóstico da febre do Oropouche é feito por meio de exames laboratoriais específicos. O método mais utilizado é a reação em cadeia da polimerase (RT-PCR) em amostras de sangue ou soro coletados nos primeiros dias de sintomas. A sorologia (ELISA) também pode ser empregada para detectar anticorpos IgM e IgG, mas apresenta reação cruzada com outros arbovírus. Todo caso suspeito deve ser notificado às autoridades de saúde para que as medidas de controle sejam acionadas.
Tratamento
Não existe antiviral específico para o vírus Oropouche. O tratamento é sintomático, baseado em hidratação oral ou intravenosa, repouso e medicamentos para alívio da febre e da dor, como paracetamol e dipirona. O uso de aspirina e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) deve ser evitado devido ao risco de complicações hemorrágicas, a exemplo do que se recomenda para a dengue. Pacientes com sinais de gravidade, como alteração neurológica, devem ser hospitalizados para monitoramento. A maioria dos pacientes se recupera completamente entre 7 e 10 dias.
Prevenção e controle
A prevenção da febre do Oropouche baseia-se principalmente no controle do vetor e na proteção individual contra picadas. As principais medidas incluem:
- Uso de repelentes registrados pela Anvisa, aplicados nas áreas expostas da pele;
- Usar roupas de manga longa e calças, especialmente durante o amanhecer e o entardecer, quando o maruim é mais ativo;
- Instalação de telas mosquiteiras em janelas e portas, além de mosquiteiros sobre camas e berços;
- Eliminar locais de reprodução do Culicoides paraensis, como acúmulos de folhas, restos de poda, frutos caídos e áreas com matéria orgânica úmida;
- Manter terrenos limpos e evitar o acúmulo de lixo orgânico próximo às residências;
- Em áreas de surto, as prefeituras podem realizar a aplicação de inseticidas a ultrabaixo volume (UBV) com equipamentos costais ou veiculares.
O papel das autoridades de saúde
A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro está coordenando as ações junto aos municípios, com treinamento de equipes de saúde da família e disponibilização de testes diagnósticos. O Ministério da Saúde foi notificado e acompanha a evolução dos casos. A recomendação é que todos os casos suspeitos sejam notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) para que a situação epidemiológica seja monitorada em tempo real.
Além disso, campanhas de comunicação estão sendo veiculadas nas rádios locais e redes sociais para orientar a população sobre a doença e as formas de prevenção. A população deve colaborar ativamente, permitindo a entrada dos agentes de saúde nas residências para vistoria e eliminação de criadouros.
Perguntas frequentes
- 1. A febre do Oropouche tem cura?
- Sim, a maioria dos pacientes se recupera completamente após cerca de 7 a 10 dias com cuidados de suporte (hidratação, repouso e medicação sintomática).
- 2. Existe vacina disponível?
- Não, atualmente não há vacina contra o vírus Oropouche. A prevenção depende exclusivamente do controle do vetor e da proteção individual.
- 3. Quem está mais suscetível?
- Qualquer pessoa exposta à picada do mosquito infectado pode contrair a doença. Moradores de áreas rurais, ribeirinhos e trabalhadores que atuam em regiões de mata ou com acúmulo de matéria orgânica têm maior risco.
- 4. Como diferenciar a febre do Oropouche da dengue?
- Ambas apresentam febre, dor no corpo e dor de cabeça. A febre do Oropouche tende a ser mais curta, com menos casos de hemorragia, e pode causar tontura e fotofobia com mais frequência. O diagnóstico laboratorial (RT-PCR) é essencial para a confirmação.
- 5. Gestantes podem ser infectadas? Há risco para o bebê?
- Há evidências de que o vírus Oropouche pode causar complicações gestacionais, como aborto e malformações congênitas, de forma semelhante ao Zika. Gestantes devem redobrar os cuidados preventivos e procurar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas.
- 6. Posso pegar a doença mais de uma vez?
- Acredita-se que a infecção pelo Oropouche confira imunidade duradoura contra o mesmo genótipo, mas são raros os relatos de reinfecção. Ainda assim, não há garantia de imunidade vitalícia para todos os indivíduos.
Em caso de qualquer sintoma compatível, procure a unidade de saúde mais próxima. Não se automedique e informe ao profissional sobre a possibilidade de exposição a áreas de transmissão.