A indústria de defesa brasileira atingiu um novo patamar no primeiro semestre de 2025. As exportações do setor somaram US$ 1,31 bilhão, um recorde que evidencia a competitividade dos produtos nacionais, como aeronaves, sistemas de mísseis e veículos blindados. O desempenho foi impulsionado por contratos de longo prazo e pela crescente demanda internacional por soluções integradas de defesa.
KC-390 Millennium: o carro-chefe das exportações
O cargueiro multimissão KC-390, da Embraer, é o principal vetor desse crescimento. Com entregas programadas para países da Otan e da Ásia, a aeronave tem se destacado pela capacidade de realizar missões de reabastecimento em voo, combate a incêndios e transporte logístico pesado. O modelo já está em operação na Força Aérea Brasileira (FAB) e provou seu valor em operações reais, como o apoio logístico na Antártica e o transporte de suprimentos durante emergências sanitárias.
Além do KC-390, o turboélice de ataque leve A-29 Super Tucano continua sendo um dos produtos mais vendidos no mercado de defesa, especialmente para países da América Latina, África e Sudeste Asiático que buscam modernizar suas frotas de treinamento e ataque ao solo.
Mísseis e sistemas de defesa antinavio ganham mercado
Outro destaque fica por conta dos sistemas de mísseis desenvolvidos pela SIATT em parceria com a Avibras. O MSS 1.2 (Missile Superiority System), de média superfície, foi escolhido pela Marinha da Índia para equipar suas fragatas, um contrato de grande visibilidade para a tecnologia bélica nacional. O acordo abrange não apenas a venda dos sistemas, mas também transferência de tecnologia e assistência técnica por longos períodos.
O MANSUP (Míssil Antinavio de Superfície), desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), também tem despertado interesse de marinhas da América do Sul e do Sudeste Asiático, ampliando o portfólio de defesa naval brasileiro no exterior.
Blindados Guarani e veículos militares
A Iveco Defence Vehicles, em parceria com o Exército Brasileiro, tem exportado o blindado VBTP-MR Guarani para países africanos e do Oriente Médio. O veículo, que pode ser adaptado para funções de comando, reconhecimento, ambulância e morteiro, é um exemplo de engenharia nacional com alta taxa de nacionalização e custo competitivo. A capacidade de personalização e a robustez do projeto o tornam um produto atraente para forças armadas que operam em terrenos desafiadores.
Impacto na indústria nacional e geração de empregos
O recorde de exportações tem um impacto direto na Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Polos tecnológicos como São José dos Campos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Santa Maria (RS) concentram milhares de empregos de alta qualificação. A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) estima que cada US$ 1 bilhão exportado gera cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos, além de estimular a inovação em materiais compostos, eletrônica embarcada e software embarcado.
O governo federal, por meio do Ministério da Defesa e do BNDES, tem atuado na prospecção de novos mercados. O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), embora focado na defesa nacional, gerou um ecossistema de fornecedores e mão de obra especializada que hoje abastece a cadeia exportadora. A participação em feiras internacionais, organizada pela ABIMDE e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), é crucial para a atração de novos compradores.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
As perspectivas são otimistas. Com a crescente demanda global por modernização de forças armadas, especialmente na Europa, Ásia e Oriente Médio, o Brasil está bem posicionado para capturar uma fatia ainda maior desse mercado. A expectativa de especialistas é que o ano feche com um volume de exportações superior a US$ 2,5 bilhões pela primeira vez na história, consolidando o setor como um dos pilares da indústria de alto valor agregado do país.
Os desafios incluem a necessidade de reabastecimento de munições e sistemas C4ISTAR (Comando, Controle, Comunicações, Computação, Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento), áreas onde a indústria brasileira tem investido fortemente em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.
Perguntas frequentes sobre as exportações do setor de defesa
Quanto o setor de defesa exportou no primeiro semestre de 2025? O setor exportou US$ 1,31 bilhão, um recorde histórico para o período.
Quais foram os principais produtos exportados? As aeronaves militares (KC-390 e A-29 Super Tucano) lideram as vendas, seguidas por sistemas de mísseis (MSS 1.2 e MANSUP) e veículos blindados (Guarani).
Quais os principais destinos das exportações brasileiras de defesa? Índia, Portugal, Hungria, Países Baixos, França (componentes), além de países da América do Sul, África e Oriente Médio.
Como o governo brasileiro apoia o setor? Através de linhas de crédito do BNDES, acordos de transferência de tecnologia (como o PROSUB) e participação em feiras internacionais promovidas pela ABIMDE e ApexBrasil.