O volume de serviços no Brasil registrou crescimento de 0,1% em maio na comparação com o mês anterior, com ajuste sazonal, e alcançou o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado consolida a trajetória de recuperação do setor terciário da economia brasileira, que vem mostrando resiliência mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
O setor de serviços é o maior segmento da economia nacional, responsável por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela maior parte dos empregos formais. Por isso, cada variação positiva na PMS é acompanhada de perto por analistas, investidores e formuladores de políticas públicas como um termômetro da atividade econômica do país.
Destaques do crescimento em maio
O desempenho positivo de maio foi puxado por dois grandes segmentos: transportes e tecnologia da informação. O setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio apresentou expansão, influenciado pelo transporte rodoviário de cargas e pelo transporte aéreo de passageiros. O segmento de tecnologia da informação e comunicação (TIC) registrou alta, refletindo os investimentos contínuos do mercado em transformação digital e serviços de cloud computing. Além disso, os serviços profissionais, administrativos e complementares também tiveram contribuição positiva no mês, indicando que empresas de diversos portes seguem contratando serviços terceirizados para otimizar suas operações.
Entre os subsetores, os serviços prestados às famílias — que incluem alimentação, hospedagem e atividades culturais — continuam aquecidos, impulsionados pelo aumento da renda real e pela redução do desemprego. O segmento de alimentação fora do lar, em particular, tem se beneficiado do retorno do consumo presencial em bares, restaurantes e eventos.
Comparação com meses anteriores e acumulado do ano
Na comparação com maio de 2024, o volume de serviços no Brasil acumula alta expressiva, confirmando a tendência de recuperação iniciada no ano passado. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2025, o setor registra avanço significativo, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, pela recuperação da renda real e pelo aumento do consumo das famílias. A confiança do empresário do setor de serviços se manteve elevada no período, estimulando investimentos em capacidade instalada, contratações e inovação.
O resultado de maio também representa a quarta alta consecutiva do índice mensal, o que reforça a percepção de que o setor está em um ciclo de expansão consistente. Embora o ritmo de crescimento tenha sido moderado em maio — 0,1% ante 0,3% em abril —, a estabilidade do patamar elevado é considerada positiva por economistas, já que indica que a demanda por serviços segue firme.
Recorde histórico e perspectivas para o segundo semestre
O recorde atingido em maio supera o pico anterior da série histórica, iniciada em 2011, e demonstra a força do setor de serviços. Esse marco é ainda mais relevante quando se considera que a economia brasileira ainda enfrenta juros básicos (Selic) em patamar restritivo, o que normalmente desacelera o consumo e os investimentos.
Para o segundo semestre de 2025, as perspectivas são de moderação no ritmo de crescimento, influenciada pelo aperto monetário global, pela desaceleração esperada da economia doméstica e pela dissipação de efeitos sazonais positivos. Apesar disso, o mercado financeiro projeta que o setor de serviços deve continuar gerando empregos e sustentando o nível de atividade econômica, com destaque para os segmentos de tecnologia, saúde e educação. A continuidade de programas de transferência de renda e a valorização real do salário mínimo também devem contribuir para manter a demanda das famílias aquecida.
Análise detalhada por segmentos
A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE desagrega o setor em cinco grandes grupos. Veja o desempenho de cada um em maio:
- Serviços prestados às famílias: O segmento de alimentação e hospedagem segue como um dos mais dinâmicos, com alta no volume de receitas impulsionada pelo turismo interno e pela retomada de eventos presenciais. Bares, restaurantes e hotéis têm registrado aumento de movimento, especialmente nos finais de semana e feriados.
- Serviços de informação e comunicação: O subsetor de tecnologia continua a ser um dos principais motores do crescimento, com demanda robusta por serviços de TI, desenvolvimento de software, consultoria digital e infraestrutura de dados. As empresas brasileiras seguem investindo em digitalização para ganhar competitividade.
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: Este segmento apresentou estabilidade, com leve crescimento no mês. A terceirização de atividades como limpeza, vigilância, recursos humanos e consultoria tem se consolidado como estratégia de redução de custos para companhias de diversos setores.
- Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: O transporte de cargas e o setor aéreo tiveram papel de destaque no resultado de maio. O comércio eletrônico e o agronegócio continuam gerando demanda por fretes rodoviários, enquanto o transporte aéreo de passageiros se beneficia da maior mobilidade da população.
- Outros serviços: Este grupo inclui atividades como serviços imobiliários, financeiros auxiliares e de saúde. O desempenho foi misto, mas sem impactos negativos relevantes no índice geral.
Impactos no mercado de trabalho e na renda
O crescimento do setor de serviços tem impacto direto e imediato na geração de empregos formais. Com a alta do volume de serviços em maio, o setor continua a ser o principal responsável pelas contratações com carteira assinada no país. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que segmentos como alimentação, transporte, TI e serviços administrativos têm puxado a criação de vagas, contribuindo para a redução da taxa de desemprego para os menores níveis dos últimos anos.
A melhora do mercado de trabalho, por sua vez, realimenta o ciclo positivo de consumo: mais pessoas empregadas significa maior demanda por serviços, o que incentiva novas contratações. Esse círculo virtuoso é um dos fatores que explicam a resiliência do setor mesmo em um ambiente de juros elevados.
Cenário macroeconômico e influência nos serviços
O resultado da PMS de maio precisa ser analisado à luz do contexto macroeconômico brasileiro. A taxa Selic, atualmente em dois dígitos, encarece o crédito e tende a frear o consumo de bens duráveis e serviços de maior valor. No entanto, o mercado de trabalho aquecido e a inflação sob relativo controle têm compensado parcialmente esse efeito. Além disso, a recuperação do poder de compra das famílias, impulsionada por reajustes reais do salário mínimo e pela manutenção de programas sociais, tem garantido uma base sólida de demanda.
No front externo, a desaceleração da economia global e as incertezas geopolíticas representam riscos para setores mais expostos ao comércio internacional, como transportes de cargas e serviços de tecnologia voltados à exportação. Contudo, a economia brasileira ainda conta com um mercado interno grande e diversificado, que funciona como amortecedor de choques externos.
Perguntas frequentes sobre a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)
O que é a PMS?
A Pesquisa Mensal de Serviços é um levantamento do IBGE que acompanha a evolução conjuntural do setor de serviços no Brasil, abrangendo receitas brutas e volume de atividades em empresas formais com 20 ou mais empregados.
Qual a abrangência da pesquisa?
A PMS cobre os serviços prestados às famílias, serviços de informação e comunicação, serviços profissionais, administrativos e complementares, transportes e outros serviços, excluindo os setores financeiro, de saúde e educação públicos, e de administração pública.
O que significa o recorde da série histórica?
Significa que o volume de serviços prestados em maio de 2025 é o maior já registrado desde o início da PMS, em 2011. Isso indica que o setor superou o pico anterior e opera em nível inédito.
Como a PMS impacta a economia real?
O resultado da PMS é utilizado pelo mercado financeiro, pelo governo e por pesquisadores para calibrar projeções de PIB, antecipar tendências de emprego e renda, e orientar decisões de política econômica. Uma trajetória positiva do indicador geralmente sinaliza aquecimento da atividade e maior confiança do empresário.
Quais fatores podem influenciar a PMS nos próximos meses?
Os principais fatores são: evolução dos juros (Selic), inflação, mercado de trabalho, confiança do consumidor e do empresário, cenário político e fiscal, além de condições climáticas e eventos sazonais, como férias escolares e datas comemorativas.
Onde encontrar mais informações sobre a PMS?
Os dados completos da Pesquisa Mensal de Serviços são divulgados mensalmente no site do IBGE, com séries históricas, tabelas e análises técnicas.