O governo dos Estados Unidos impôs recentemente uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, como parte de uma série de medidas protecionistas do presidente Donald Trump. No entanto, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que 44,6% das exportações brasileiras para o mercado americano ficaram de fora da taxa. Isso representa cerca de US$ 15 bilhões em vendas que continuam competitivas sem sobretaxa. A medida abrange setores estratégicos e alivia parcialmente o impacto sobre a economia nacional.
O que o Mdic revelou
Em nota técnica divulgada nesta semana, o Mdic apontou que 44,6% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024 não será afetado pelo tarifaço. Essas exportações incluem principalmente petróleo bruto, café verde, suco de laranja congelado, celulose e minérios de ferro. O ministério destacou que a exclusão foi obtida após negociações técnicas e diplomáticas e que o Brasil buscará ampliar a lista de produtos isentos.
O restante, 55,4% das exportações, estará sujeito à tarifa de 50%, que entra em vigor em até 30 dias. Os produtos mais atingidos são aeronaves (Embraer), aço e ferro semiacabados, partes de veículos, máquinas e equipamentos. O Mdic estima que o impacto total poderá chegar a US$ 12 bilhões em perda de competitividade, caso não haja novas negociações.
Setores em alerta
O setor siderúrgico é um dos mais preocupados. O Brasil exporta cerca de US$ 2 bilhões em aço para os EUA anualmente, e a tarifa de 50% deve reduzir drasticamente esses embarques. A Embraer, que vende jatos executivos e comerciais para o mercado americano, também será fortemente afetada. Já os produtores de carne, suco de laranja e café comemoram a exclusão, mas seguem atentos à evolução das negociações.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a exclusão de 44,6% das exportações ameniza o golpe, mas não elimina a necessidade de o Brasil diversificar seus parceiros comerciais. A China e a União Europeia são vistos como alternativas para escoar a produção excedente.
Reação do governo brasileiro
O governo Lula classificou a medida americana como “equivocada”. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que “taxação é grande equívoco dos EUA contra o Brasil” e que o país buscará todos os instrumentos legais na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty já iniciou contatos para uma negociação bilateral que possa reduzir a alíquota ou ampliar a lista de exclusões.
No Congresso, lideranças da Frente Parlamentar do Comércio Exterior cobram uma resposta rápida. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) defendeu a criação de um programa de auxílio aos setores mais atingidos, enquanto deputados da oposição criticam o governo por não ter antecipado a crise.
Perspectivas comerciais
Analistas apontam que a guerra comercial entre EUA e Brasil pode ter desdobramentos longos. O Brasil depende dos EUA para cerca de 15% de suas exportações totais, e uma escalada tarifária prejudicaria ambos os lados. A expectativa é que haja uma rodada de negociações nas próximas semanas, com mediação de organismos multilaterais.
Enquanto isso, o Mdic orienta os exportadores a buscarem novos mercados e a utilizarem os mecanismos de drawback e drawback integrado para mitigar perdas. O ministério também prometeu linhas de crédito especiais via BNDES para as empresas mais impactadas.
Perguntas frequentes sobre o tarifaço
1. O que é o tarifaço dos EUA contra o Brasil?
O governo Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, como parte de medidas para reduzir o déficit comercial americano e pressionar por mudanças nas políticas comerciais do Brasil.
2. Por que 44,6% das exportações ficaram de fora?
O Mdic explica que os produtos excluídos são considerados estratégicos para a economia dos EUA ou não têm oferta doméstica suficiente. Incluem commodities como petróleo e minério. O Brasil negociou a exclusão com base em acordos técnicos.
3. Quais produtos brasileiros serão mais prejudicados?
Os setores mais impactados são o siderúrgico, aeronáutico (Embraer), químico e de autopeças. A tarifa torna esses produtos menos competitivos no mercado americano.
4. O Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que pode acionar a OMC e adotar contramedidas. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil buscará o diálogo, mas não descarta ações recíprocas.
5. Como o tarifaço afeta o consumidor brasileiro?
De forma indireta, a redução das exportações pode levar a um aumento de estoques internos, pressionando os preços de alguns produtos. Além disso, a desaceleração da economia americana pode reduzir a demanda global por commodities, afetando a renda do país.