O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) afirmou, durante evento realizado em São Paulo nesta sexta-feira (11), que a recente escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos não configura um "problema comercial" intransponível, mas sim um chamado para o Brasil acelerar sua estratégia de diversificação de mercados e agregação de valor às suas exportações. A declaração contrasta com o tom de apreensão adotado por parte do setor produtivo e busca trazer uma visão de longo prazo para o atual cenário de incertezas.
O cenário do tarifaço americano
Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, a política comercial americana tornou-se significativamente mais agressiva. A imposição de tarifas de 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio, carne bovina e etanol, pegou muitos especialistas de surpresa e gerou uma onda de preocupação nos mercados financeiros e nas cadeias produtivas nacionais.
Para o presidente da Apex, no entanto, esta não é uma reação isolada, mas sim um movimento global de rearranjo das cadeias produtivas. "As economias estão se reestruturando. O protecionismo americano é um reflexo disso. O Brasil precisa ter a inteligência de não agir no curto prazo e de não tomar decisões movidas pelo pânico", explicou. Ele lembrou que o Brasil já superou barreiras comerciais no passado e possui uma economia sólida o suficiente para encontrar novos caminhos.
A fala ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca articular uma resposta diplomática e econômica, evitando uma guerra comercial que prejudique ambos os lados. Em artigo relacionado, representantes da indústria também pedem cautela e defendem mais diplomacia e menos ideologia.
A estratégia da Apex para o momento
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) desempenha um papel crucial neste cenário de incertezas. De acordo com o presidente, a entidade está focada em três pilares estratégicos.
O primeiro é a prospecção de novos mercados, com missões comerciais intensificadas para a Ásia, Oriente Médio e África. O segundo é o apoio à inovação e à competitividade das empresas brasileiras. "Não podemos mais vender apenas commodities. Precisamos exportar tecnologia, serviços e conhecimento", afirmou. O terceiro pilar é a atração de investimentos estrangeiros diretos (IED). "Aproveitaremos a instabilidade global para mostrar que o Brasil é um porto seguro para quem quer produzir", disse o executivo.
Diversos programas da Apex já estão em andamento para preparar as empresas brasileiras para este novo momento, com foco em capacitação, inteligência de mercado e acesso a crédito.
Diversificação de parceiros comerciais
"Não colocar todos os ovos na mesma cesta" é o mantra repetido pelo presidente da Apex. Historicamente, os Estados Unidos figuram entre os principais parceiros comerciais do Brasil. No entanto, a dependência excessiva de um único mercado é um risco que o país não pode mais correr.
A Apex está, portanto, redirecionando seus esforços para fortalecer laços com a China, maior compradora de produtos brasileiros, e com a União Europeia, especialmente com as expectativas em torno do acordo Mercosul-UE. "A ratificação desse acordo será um divisor de águas para o comércio exterior brasileiro", destacou o presidente. Além disso, a Índia e o Sudeste Asiático emergem como destinos promissores para o agronegócio e a indústria de máquinas e equipamentos.
O presidente da Apex também mencionou a ampliação de escritórios da agência em países estratégicos para dar suporte direto aos exportadores brasileiros que desejam explorar novas fronteiras.
Setores impactados e oportunidades emergentes
Enquanto setores tradicionais como o siderúrgico e o agropecuário sentem o impacto imediato das tarifas, o presidente da Apex enxerga oportunidades em nichos específicos. "O Brasil tem uma matriz energética limpa e uma indústria criativa vibrante. Isso é um diferencial competitivo imenso", comentou.
Ele destacou programas da Apex voltados para startups de base tecnológica (healthtechs, fintechs e agritechs), que têm potencial para conquistar mercados internacionais com alta margem de valor agregado. "As crises também são janelas de oportunidade. Empresas que antes focavam apenas no mercado interno agora são forçadas a pensar globalmente, e a Apex está aqui para apoiar essa jornada", completou.
A agência também está de olho nos setores de economia verde e bioeconomia, áreas em que o Brasil possui vantagens naturais e tecnológicas significativas para oferecer ao mundo.
Perguntas Frequentes sobre o Tarifaço e as Exportações
O que exatamente é o "tarifaço" americano?
É a imposição de sobretaxas de importação pelo governo dos EUA sobre produtos estrangeiros. No caso do Brasil, as alíquotas chegam a 50% para itens como aço, alumínio e carne, como medida de proteção à indústria local.
Qual o papel da Apex nesse contexto?
A Apex atua para minimizar os danos e maximizar as oportunidades. Ela busca novos compradores, prepara as empresas para exportar e promove o Brasil como destino de investimentos estrangeiros.
Quais são os principais mercados alternativos?
China, União Europeia, Japão, Índia e países do Oriente Médio e da África estão no radar da agência como destinos prioritários para substituir ou complementar o mercado americano.
O tarifaço pode ter algum impacto positivo para o Brasil?
Indiretamente, sim. A dificuldade de exportar para os EUA pode estimular a indústria nacional a inovar, buscar maior eficiência e se abrir para novos mercados, tornando-se mais competitiva globalmente.
Como uma empresa brasileira pode obter ajuda da Apex?
Empresas de todos os portes podem acessar os programas de qualificação para exportação, participar de missões e rodadas de negócios organizados pela agência. As informações estão disponíveis no site oficial da Apex.