Taxa de desemprego de 6,6% é menor para trimestre encerrado em abril

A taxa de desemprego no Brasil registrou 6,6% no trimestre encerrado em abril de 2025, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor patamar para o período desde o início da série histórica, em 2014, confirmando a trajetória de recuperação do mercado de trabalho brasileiro.

O que dizem os dados do IBGE

O contingente de pessoas desocupadas no país caiu para 7,2 milhões, uma redução significativa de 12% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Ao mesmo tempo, a população ocupada atingiu a marca recorde de 101,7 milhões de brasileiros. O nível de ocupação — percentual de pessoas ocupadas na população em idade ativa — subiu para 58,6%, o maior índice já registrado pela pesquisa.

Os analistas do mercado financeiro projetavam uma taxa ligeiramente superior, de 6,8%, o que torna o dado divulgado pelo IBGE uma surpresa positiva. A melhora foi generalizada entre as regiões, com destaque para o Sul e o Centro-Oeste, que apresentaram as menores taxas de desemprego do país.

Comparação com trimestres anteriores

Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, quando a taxa era de 7,5%, a queda foi de 0,9 ponto percentual. Este é o sexto trimestre consecutivo de redução da taxa de desemprego, consolidando a recuperação do mercado de trabalho após os impactos da pandemia de Covid-19 e das crises econômicas subsequentes.

O resultado também é inferior ao registrado no trimestre encerrado em janeiro de 2025 (6,9%), indicando que o ritmo de geração de empregos se manteve aquecido nos primeiros meses do ano. Historicamente, o período entre janeiro e abril costuma registrar um aumento do desemprego devido à dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano. No entanto, o forte desempenho da economia brasileira reverteu esta tendência sazonal.

Segmentos que mais contrataram

O setor de serviços foi o grande motor da geração de empregos no período, puxado por atividades como informação e comunicação, transportes, serviços domésticos e serviços prestados às famílias. O comércio também registrou aumento no contingente de trabalhadores, impulsionado pelo aquecimento do consumo interno e pelo crescimento da renda disponível.

A construção civil manteve a trajetória de alta, beneficiada pelos programas habitacionais e pelas obras de infraestrutura. A indústria, embora em ritmo mais moderado, também contribuiu positivamente para o saldo de empregos formais no período.

Mercado formal e rendimento

O rendimento médio real do trabalhador brasileiro foi de R$ 3.245 no trimestre, uma alta de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento do emprego formal, com carteira assinada, tem sido um dos principais fatores por trás da melhora na renda das famílias. Ao todo, o país registrou 38,2 milhões de empregados com carteira assinada, o que representa um novo recorde da série histórica da PNAD Contínua.

A formalização do mercado de trabalho é um indicador importante da qualidade dos postos de trabalho gerados. Trabalhadores com carteira assinada têm acesso a benefícios como FGTS, seguro-desemprego e previdência social, o que proporciona maior segurança e estabilidade econômica.

Perspectivas para o mercado de trabalho

Para os analistas, a trajetória de queda do desemprego deve continuar nos próximos meses, mas em ritmo mais moderado. O mercado de trabalho aquecido, combinado com o aumento da renda, pode pressionar a inflação de serviços, o que deve manter o Banco Central cauteloso na condução da política monetária.

A manutenção da taxa Selic em patamares elevados é um dos desafios para a sustentação do crescimento econômico no longo prazo. No entanto, o cenário fiscal e o ambiente externo também influenciam as decisões de investimento e a confiança de empresários e consumidores.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é a taxa de desemprego calculada pelo IBGE?

A taxa de desemprego, ou taxa de desocupação, é o percentual de pessoas que estão sem trabalho e disponíveis para assumir uma vaga em relação à população economicamente ativa (PEA). O IBGE coleta esses dados mensalmente por meio da PNAD Contínua, entrevistando milhares de domicílios em todo o país.

Por que a taxa de desemprego está caindo?

A queda da taxa de desemprego é reflexo do crescimento econômico do país, que tem gerado novas vagas de trabalho em diversos setores. Além disso, políticas públicas de incentivo ao emprego e a formalização, aliadas a um ambiente de negócios mais estável, têm contribuído para a recuperação do mercado de trabalho.

Uma taxa de desemprego de 6,6% é considerada boa?

Sim, 6,6% é considerada uma taxa de desemprego baixa para os padrões históricos do Brasil. Em economias desenvolvidas, taxas entre 4% e 6% são geralmente vistas como pleno emprego. No Brasil, devido à alta informalidade e à rotatividade da mão de obra, uma taxa abaixo de 7% é um indicador bastante positivo, embora ainda haja desafios estruturais a serem superados.