Panorama das relações internacionais em 2025
O ano de 2025 tem sido marcado por uma reorganização das alianças geopolíticas. A expansão do grupo BRICS, agora com novos membros como Arábia Saudita, Irã e Indonésia, sinaliza o desejo de economias emergentes de criar um contrapeso ao G7 e às instituições financeiras tradicionais. Ao mesmo tempo, a guerra na Ucrânia completa seu terceiro ano sem perspectivas de cessar-fogo imediato, e os esforços de mediação de países como Brasil, China e Turquia ganham destaque.
No Oriente Médio, a tensão entre Irã e Israel atingiu novos patamares após ataques cibernéticos e movimentações militares. A comunidade internacional teme um conflito regional de grandes proporções. Enquanto isso, a China reforça sua presença na Ásia e no Pacífico, ampliando sua influência comercial e militar. A competição entre Estados Unidos e China permanece como o principal eixo das relações internacionais, com reflexos em áreas como tecnologia, comércio e direitos humanos.
Tensões geopolíticas e conflitos armados
Além dos conflitos já mencionados, a instabilidade no Sahel, na África, e a crise humanitária em Mianmar seguem exigindo atenção. O Conselho de Segurança da ONU continua paralisado por divergências entre seus membros permanentes, o que tem levado a tentativas de reforma da instituição. O Brasil, como atual presidente do bloco BRICS, tem defendido uma ampliação do Conselho para torná-lo mais representativo do século XXI. O governo Lula tem pautado sua política externa pelo multilateralismo e pela defesa da paz.
Economia global e comércio internacional
O cenário econômico mundial é de recuperação desigual. Enquanto Estados Unidos e União Europeia enfrentam inflação persistente e taxas de juros elevadas, economias emergentes como Brasil e Índia apresentam crescimento moderado. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para os riscos do protecionismo comercial, especialmente com a imposição de tarifas por parte de potências econômicas. Nesse contexto, o BRICS+ avança na discussão de um sistema de pagamentos alternativo ao dólar, com o objetivo de facilitar transações entre seus membros e reduzir a vulnerabilidade cambial.
O comércio internacional também é impactado por tensões ambientais: a União Europeia implementou o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira, o que afeta exportadores de países em desenvolvimento. O Brasil, por sua vez, retomou as negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com ênfase em compromissos ambientais. A balança comercial brasileira tem se beneficiado da alta demanda por alimentos e energia, mas a dependência de commodities ainda preocupa especialistas.
Mudanças climáticas e sustentabilidade
A COP30, que será realizada em Belém (Pará), representa um marco para o Brasil e para o mundo. Pela primeira vez, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas acontece na Amazônia, o que reforça a centralidade da região no debate ambiental global. O governo brasileiro pretende apresentar metas ambiciosas de redução de emissões e zerar o desmatamento ilegal até 2030. O sucesso da COP30, no entanto, depende do engajamento de todos os países signatários do Acordo de Paris, incluindo os maiores poluidores históricos.
Eventos climáticos extremos — como secas, enchentes e ondas de calor — tornaram-se mais frequentes em 2025, afetando a agricultura, a infraestrutura e a vida de milhões de pessoas. A transição energética ganhou urgência, com investimentos recordes em fontes renováveis, especialmente energia solar e eólica. O Brasil possui vantagens comparativas importantes, como uma matriz energética já relativamente limpa e enorme potencial para hidrogênio verde.
O papel do Brasil no cenário internacional
O Brasil tem buscado se reposicionar como ator global relevante. A política externa do governo Lula prioriza a integração sul-americana, o fortalecimento dos BRICS, a reforma da governança global e a defesa do meio ambiente. O país também tem atuado como mediador em conflitos, como a guerra na Ucrânia, e mantido uma posição crítica em relação ao bloqueio econômico a Cuba e à Venezuela. Nas relações com os Estados Unidos, o diálogo tem sido marcado por divergências comerciais, mas também por cooperação em temas ambientais e tecnológicos.
Na América do Sul, o Brasil lidera esforços de integração regional, com destaque para o fortalecimento do Mercosul e a retomada da Unasul. As relações com a Argentina, principal parceiro comercial, passam por momento de renegociação de acordos. O país também amplia laços com a África e o Oriente Médio, refletindo a diversificação de sua agenda externa.
Pontos-chave para entender o cenário global
- A expansão do BRICS+ e a busca por alternativas ao dólar são tendências estruturais que podem reconfigurar o sistema financeiro internacional.
- As mudanças climáticas exigem ações coordenadas entre governos, setor privado e sociedade civil; a COP30 em Belém será um teste decisivo para o multilateralismo ambiental.
- Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio continuam a gerar deslocamentos em massa e crises humanitárias, pressionando as fronteiras da Europa e o sistema de refúgio global.
- O protecionismo comercial, as tarifas e as disputas tecnológicas (como a guerra dos chips) afetam cadeias globais de suprimento e elevam a inflação mundial.
- O Brasil tem a oportunidade de se consolidar como líder em sustentabilidade e diplomacia climática, mas precisa equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.