Taxa de desemprego fica em 6,6% no trimestre encerrado em abril

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,6% no trimestre encerrado em abril, mantendo-se em um dos menores patamares da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE. O resultado representa uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (7,4%) e de 0,3 ponto percentual ante o trimestre imediatamente anterior (6,9%). O índice reflete um cenário de recuperação econômica gradual, aquecimento na geração de postos formais e aumento da confiança de empresários e consumidores.

Cenário geral da taxa de desemprego

O trimestre encerrado em abril de 2025 registrou o menor nível de desocupação para o período desde 2014. O número de pessoas ocupadas atingiu um recorde histórico, impulsionado principalmente pelo setor de serviços, que responde por cerca de 70% dos empregos no país, e pelo comércio. A população desocupada caiu para aproximadamente 7 milhões de pessoas, o menor contingente desde o início da série da PNAD Contínua, em 2012.

Outro dado relevante é a estabilidade na taxa de participação na força de trabalho, que se manteve em torno de 62%. Esse indicador mostra que não houve um aumento significativo de pessoas desalentadas — aquelas que desistiram de procurar emprego —, o que sugere que o mercado de trabalho está conseguindo absorver tanto os novos entrantes quanto aqueles que retornaram à procura de trabalho.

Setores que mais empregaram

Os principais destaques positivos vieram do setor de serviços, especialmente nas áreas de informação e comunicação, atividades administrativas e serviços domésticos. O comércio varejista também apresentou saldo positivo, impulsionado pelo aumento do consumo das famílias. A construção civil, beneficiada por programas habitacionais e obras de infraestrutura, manteve trajetória de alta, embora em ritmo moderado. A indústria de transformação registrou crescimento tímido, mas ainda abaixo do potencial. O agronegócio, apesar de seu peso reduzido no emprego formal, contribuiu com a manutenção de postos sazonais, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul.

Na análise por atividade econômica, os segmentos de alojamento e alimentação, transporte e saúde também mostraram expansão na contratação, refletindo a retomada do turismo e dos serviços presenciais pós-pandemia.

Renda do trabalhador e formalização

A renda média real do trabalhador apresentou crescimento na comparação anual, ainda que modesto, impulsionada pela valorização do salário mínimo — que teve aumento real de 3,7% em 2025 — e pela redução da taxa de inflação. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos ficou em cerca de R$ 3.200, estável em relação ao trimestre anterior, mas 2,5% superior ao mesmo período de 2024. Esse aumento do poder de compra contribui para o fortalecimento do mercado interno.

Além disso, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu, enquanto a informalidade recuou ligeiramente. A taxa de informalidade ficou em cerca de 38,5%, ante 39,2% no mesmo período de 2024. Esse movimento sinaliza uma formalização gradual das relações de trabalho, embora a proporção ainda seja elevada. Os trabalhadores por conta própria sem CNPJ continuam sendo uma parcela expressiva da ocupação total.

Comparação histórica

Nos últimos anos, o Brasil passou por flutuações intensas na taxa de desemprego. Durante a recessão de 2015-2016, o desemprego disparou de um patamar de 6,5% para mais de 13% em 2017. A pandemia de Covid-19 gerou um novo pico, com a taxa atingindo 14,7% no primeiro trimestre de 2021. A recuperação observada desde 2022 vem sendo gradual e sustentada, impulsionada pela vacinação em massa, pela retomada do consumo e pelos estímulos fiscais e monetários. O atual patamar de 6,6% se aproxima da média histórica de 2013-2014, período considerado de pleno emprego técnico.

Economistas destacam que a melhora do mercado de trabalho está alinhada com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que deve fechar 2025 com alta de cerca de 2,5%. No entanto, a qualidade dos postos de trabalho e a persistência da informalidade ainda são desafios estruturais que exigem políticas públicas de longo prazo.

Taxa de desemprego por regiões e grupos populacionais

Embora a média nacional seja positiva, as desigualdades regionais e demográficas permanecem. As regiões Norte e Nordeste historicamente apresentam taxas de desemprego mais altas que a média brasileira, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm indicadores melhores. Entre os jovens (18 a 24 anos), a taxa de desemprego costuma ser o dobro da média geral, reflexo da falta de experiência e da alta rotatividade. A população preta e parda também enfrenta maior dificuldade de inserção no mercado formal. O governo tem implementado programas de qualificação profissional e incentivos à contratação de jovens, mas os resultados ainda são graduais.

Perspectivas para os próximos meses

Para o restante de 2025, as expectativas do mercado financeiro e dos órgãos de pesquisa indicam manutenção da taxa de desemprego em patamares baixos, com possibilidade de leve alta sazonal no início de 2026 devido ao fim de contratos temporários de fim de ano e férias escolares. Fatores como o nível da taxa Selic (juros básicos), atualmente em 13,75% ao ano, e o cenário fiscal do país, ainda incerto, devem influenciar a atividade econômica e, por consequência, o mercado de trabalho.

O desempenho da economia global também é um ponto de atenção: a desaceleração da China e da Zona do Euro pode reduzir a demanda por commodities brasileiras, afetando o agronegócio e a indústria extrativa. Por outro lado, a safra recorde de grãos, os investimentos em infraestrutura (PAC) e a recuperação do setor de serviços devem sustentar o nível de emprego. A previsão consensual entre economistas é que a taxa de desemprego oscile entre 6,5% e 7,5% ao longo de 2025, com viés de baixa se o crescimento econômico superar as expectativas.

Em suma, o resultado de 6,6% é um sinal positivo para a economia brasileira, mas a consolidação desse cenário dependerá da manutenção de reformas estruturais, do controle da inflação e da estabilidade política.

Perguntas frequentes sobre a taxa de desemprego

O que significa uma taxa de desemprego de 6,6%?

Significa que, do total da força de trabalho brasileira (pessoas ocupadas ou em busca de trabalho), 6,6% estavam desocupadas no trimestre encerrado em abril. Em outras palavras, de cada 100 pessoas economicamente ativas, cerca de 7 não estavam trabalhando e estavam disponíveis para o mercado. Esse patamar é considerado baixo para os padrões históricos do Brasil e indica um mercado de trabalho aquecido.

Como a taxa de desemprego é calculada pelo IBGE?

A taxa é calculada trimestralmente por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O IBGE entrevista cerca de 210 mil domicílios em todo o país e classifica as pessoas como ocupadas (trabalhando) ou desocupadas (sem trabalho, mas disponíveis e que tomaram alguma providência para encontrar trabalho nos últimos 30 dias). A taxa de desemprego é a razão entre a população desocupada e a força de trabalho total.

A taxa de desemprego no Brasil em 2025 é considerada baixa?

Sim, historicamente a taxa de desemprego no Brasil raramente ficou abaixo de 7% por períodos prolongados. O patamar de 6,6% é considerado baixo e positivo, indicando aquecimento no mercado de trabalho. Contudo, é importante considerar também indicadores complementares, como a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ou que estão desalentadas. Esse índice ainda é elevado, sinalizando que a recuperação plena do mercado de trabalho ainda não foi alcançada.

Quais fatores contribuem para a manutenção do desemprego em baixa?

Entre os principais fatores estão o crescimento do setor de serviços, a recuperação do comércio, os investimentos em infraestrutura, a safra recorde do agronegócio e as políticas de transferência de renda e valorização do salário mínimo, que estimulam a demanda interna e, consequentemente, a contratação de trabalhadores. A estabilidade institucional e a previsibilidade econômica também têm papel importante na confiança dos empresários.

Quais são as limitações da taxa de desemprego como indicador?

A taxa de desemprego não capta toda a complexidade do mercado de trabalho. Ela não inclui pessoas desalentadas (que desistiram de buscar emprego) nem os subocupados (que trabalham menos horas do que desejariam). Por isso, o IBGE também divulga a taxa de subutilização, que abrange esses grupos. Essa taxa costuma ser o dobro da taxa de desemprego e reflete melhor o grau de ociosidade da força de trabalho. Especialistas recomendam analisar ambos os indicadores para uma visão mais completa do mercado de trabalho.